A L M A D I N A  O FILME BLASFEMO

            Quer parecer que nós, os muçulmanos, vamos ficando habituados às ofensas que periodicamente nos são dirigidas por alguns ocidentais, ofensas estas que têm como alvo principal a figura do Profeta Muhammad (S.A.W.) e o Isslam.

Eles ofendem-nos naquilo que é mais querido e sagrado para nós, mais querido do que os nossos pais, mães e filhos, que é a pessoa do Profeta Muhammad (S.A.W.).

Há alguns anos foram as caricaturas do Profeta, produzidas na Dinamarca. Agora é o filme produzido nos E.ﷻ‬.A. por alguns indivíduos americanos maldosos, rancorosos e invejosos.

Talvez sejam os mesmos que queimaram exemplares do Al-Qur’án, e produziram o filme blasfemo contra o profeta Jesus Cristo “A Paixão de Cristo”.

Sobre Muhammad (S.A.W.), trata-se de um filme que está a ser passado na Internet e não nas salas de cinema. Dizem os que o viram, que é um filme vergonhoso, repugnante e blasfemo contra o Isslam. Até mesmo o porta voz da Casa Branca, comentou que o filme é deplorável.

Sem dúvida que não é um filme produzido pelos americanos, nem pelo seu governo, pelo que não é justo que se culpe todo o povo ou o Estado Americano. É um filme provocativo, e nós muçulmanos, condenamos este acto.

Todavia, afigura-se não ser razoável que os muçulmanos reajam de forma emocional e com violência, pois não há justificação para actos violentos e atentados contra vidas humanas inocentes, queima de bandeiras, ataques à embaixadas ou contra propriedades de pessoas alheias à rodagem desse filme, apenas porque um grupo qualquer constituído por fanáticos, extremistas, e quiçá cobardes porque se escondem, sonhou que um dia poderiam ser famosos. A agirmos assim, estaríamos a resvalar para a esparrela que tais malvados prepararam, levando-os a argumentar perante o Mundo que somos agressivos, violentos e bárbaros. Agindo emocionalmente estaríamos a promover tais malvados, bem como as suas obras sujas, pois trata-se de gente desconhecida, que quer, a qualquer preço, sair do anonimato. Não vamos descer ao seu nível, pois com esta ofensa já traçaram os seus destinos. condenaram-se a si mesmos a viver o que resta das suas vidas em auto-reclusão, tal e qual Salman Rushdie, o famigerado autor dos “Versículos Satânicos”

 Todos os homens de bom senso devem condenar e não permitir a ridicularização da crença e da religião dos outros.

Nós os muçulmanos,  respeitamos todas as religiões e todos os profetas, e nunca ridicularizamos nem Jesus, nem Moisés, nem a Virgem Maria, nem Buda ou qualquer outra figura religiosa, pois o Al-Qur’án proibe-nos que zombemos de outras religiões. Não só abstemo-nos de falar mal das outras outras religiões, como as respeitamos.

Se para alguns isso não tem qualquer importância, são livres de fazerem o juízo que bem entenderem, mas não têm o direito de ofender ou ridicularizar os que crêem, pois a liberdade de expressão ou democracia não outorga a quem quer seja o direito de insultar e ofender alguém, ou aos pais de alguém, só porque os seus traços fisionómicos lhes desagradam.

A liberdade religiosa é a coroa de todas as liberdades, e é algo sagrado, defendido por todas as constituições, tanto celestiais como mundanas. Por isso, seria desejável uma lei internacional que criminalizasse o insulto e a ofensa a qualquer religião.

Deve haver respeito mútuo entre as religiões para que o Mundo usufrua de paz, evitando-se conflitos.

A indústria da chamada sétima arte devia ser capitalizada como veículo transmissor de valores que eduquem, que criem compreensão e amor entre as pessoas, e não para satisfazer objectivos de gente desprezível e sádica, que apenas está interessada em disseminar um clima de ódio, inimizade e rancor.

Insultar não é liberdade de expressão, mas sim baixeza de carácter. Por que razão por exemplo, na Inglaterra, é crime falar mal da Rainha, ainda que seja em nome da liberdade de expressão?

É muito estranho que o direito à liberdade de expressão desse tipo de gente seja usado apenas para ofender a religião isslâmica. Já agora, se essas pessoas são sinceras, por que razão, em nome da liberdade de expressão, não produzem um filme sobre os escândalos sexuais, sobre o abuso sexual de menores, sobre a pedofilia, sobre o homossexualismo, particularmente entre jovens seminaristas?

Se os crentes de outras religiões eventualmente aceitarem isso por se revelarem insensíveis, é uma questão que só a eles diz respeito, mas nós os muçulmanos, jamais iremos tolerar que seja quem for, venha ofender a nossa religião e o nosso querido Profeta.

Não estarão esses pulhas e fanáticos, despeitados perante o facto de o segredo que a  força do Isslam encerra, residir na figura do Profeta Muhammad (S.A.W.), ao ver o ímpeto que esta religião está a conhecer nos últimos tempos, querendo portanto, com estas acções torpes, travar esse avanço? Quer parecer que estão enganados, pois isso é uma vã tentativa  de tapar o sol com a peneira.

Esta blasfémia contra o Profeta não é a primeira, e decerto não será a última. Desde o ressurgimento do Isslam que ele próprio foi vítima de escárnio por parte dos que se sentiam ameaçados de perder os seus privilégios, os negócios desonestos e os embustes em matéria religiosa.

Por isso Deus diz no Al-Qur’án, Cap. 15, Vers. 95:

 “Certamente, nós somos suficientes para ti contra os escarnecedores”.

Muitos dos escarnecedores da era actual nem sequer conhecem a vida e obra desta grande figura do Isslam, enviada para todas as eras e povos como misericórdia para o Mundo, e que trouxe todo o bem para a Humanidade, que convidou toa a gente a abraçar o monoteísmo puro, a rejeitar toda e qualquer forma de idolatria, a tratar bem os pais, os vizinhos e os órfãos, e apesar de tudo isso foi perseguido, vilipendiado e expulso da sua terra natal. Mesmo assim, mais tarde quando ele regressou, entrando de forma triunfante em Makkah, perdoou  a todos os inimigos que o haviam perseguido e massacrado muitos dos seus companheiros.

Ele mudou a Arábia que praticava todo o tipo de maldades e imoralidades, chegando até mesmo a enterrar suas filhas vivas.

Ele passava as noites de pé, na adoração, chorando e implorando o perdão do seu Senhor, de tal maneira que os pés se lhe inchavam. Durante o dia jejuava e entregava-se à prática de acções nobres. Porquê então todo o ódio contra ele?

Contudo, pessoas houve e ainda há, de alma pura, ainda que não sejam muçulmanos, que lhe reconheceram mérito nos seus feitos. Há figuras no Ocidente que se renderam perante o virtuosismo deste grande homem.

 George Bernard Shaw, o grande filósofo inglês, diz no seu livro “O Isslam Genuíno”:

“Sempre respeitei a religião de Muhammad com alta estima devido à sua extraordinária vitalidade. É a única religião que me parece possuir capacidade assimilativa para a mudança da face da existência, que pode atrair qualquer era.

Os eclesiásticos medievais, por ignorância ou por fanatismo, pintaram o muhammadanismo (Isslam) com as mais negras cores. Eles foram, de facto, instruídos para odiarem tanto Muhammad como homem, como a sua religião. Para eles Muhammad era anti-Cristo. Eu estudei esse homem extraordinário e, em minha opinião, longe de ser um anti-Cristo, ele deveria ser chamado o “Salvador da Humanidade”.

Acredito que se um homem como ele assumisse o poder do Mundo moderno, teria sucesso em resolver os problemas de um Mundo que teria a tão ambicionada paz e felicidade. Eu profetizei acerca da fé de Muhammad, que será aceitável para a Europa de amanhã como está sendo iniciada a sua aceitação na Europa de hoje”.

A Enciclopédia Britânica 11º. Art. “Koran” diz: “De todas as personalidades religiosas do Mundo, Muhammad foi o Homem que logrou o maior êxito”.

O conhecido jornal londrino “Near East”, numa das suas edições  escreve:

“Se não reconhecermos o valor, a grandeza e as virtudes dos ensinamentos e orientação de Muhammad, na realidade estamos alheios à prudência e à sabedoria”.

Convido a todos a lerem sobre a vida e obra do Pofeta Muhammad (S.A.W.), pois só assim se absterão de imitar cegamente os outros.

Termino esta minha crónica com as palavras de Jesus Cristo (que a paz esteja com ele):

“Felizes sereis quando vos insultarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós............

Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no céu, pois também assim perseguiram os profetas que vos antecederam”.

 ( S. Mateus, Cap. 5, Vers. 11).