Manual de jurisprudência islâmica Facilitada ()

 

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 Manual de jurisprudência islâmica Facilitada

Em nome de Deus, O Misericordioso, O Misericordiador

Introdução:

 Estatuto do legado da jurisprudência islâmica e a consolidação de seu respeito nos corações dos muçulmanos.

 A importância do legado de fiqh:

Todos louvores pertencem a Allah, o Único, e que a paz e bênçãos estejam sobre o último profeta:

Dispensável seria determinar que a ciência de fiqh foi uma das ciências islâmicas mais afortunadas; isso porque é a essência que o muçulmano avalia a sua acção se é lícita ou ilícita? Se é certa ou corrompida? E os muçulmanos em todas épocas preocupam-se em conhecer o lícito e o ilícito, o certo e o corrompido dentre seus procedimentos, sejam relativos a Allah ou a seus seres semelhantes: seja um familiar próximo ou distante, seja inimigo ou amigo, seja juiz ou o julgado, seja muçulmano ou não, e não há meio que ajude a saber isso tudo senão através da ciência de fiqh que busca a sentença de Allah concernente as práticas dos servos se são ordens ou proibições ou permissões ou condições ou válidas ou causas, etc.

E como o fiqh é igual as outras ciências, há progressão no seu uso e retrocesso pela sua negligência, houve fases que ele progrediu e cresceu tomando todos cantos da vida, e em seguida voltou a períodos habituais e sua progressão parou ou quase porque foi distanciado, ou intencionalmente ou por negligencia de muitas esferas da vida, porque a maioria dos países islâmicos substitui o fiqh por outras legislações criadas pelo homem, que são não completas e ligadas as suas crenças, costumes e seus ambientes e devido a convivência com os não-muçulmanos se impressionaram pela sua resplandecência, que culminou em corromper-lhes a vida; e agravou para eles os problemas. Apesar da sucessão de tribulações sobre esta imponente sabedoria, por causa da sua forte base e precisão de sua estrutura, continua firme com o passar dos tempos, e Allah, o Altíssimo, permitiu para essa nação revive-la depois do seu esquecimento e anunciar o seu desejo em retornar para a arca do Islam na legislação e aplicação.

E vimos multidão de povos islâmicos chamando pela obrigação de se voltar para a shariah de Allah e ninguém continua a aderir e apoiar as legislações criadas pelo homem, excepto uma facção que vê que a sua vida é ligada a essas leis e que a vastidão do seu sustento investe a sua permanência, mas Allah elevará a Sua religião mesmo que os idólatras detestem-na!

Importa saber quando começou o nascimento do fiqh/ jurisprudência islâmica? E qual foi o motivo de seu nascimento? E quais são as suas particularidades e propriedades? E qual é a obrigação dos muçulmanos em relação a ela? Eis o esclarecimento detalhado para si:

O nascimento de fiqh deu-se gradualmente na vida do profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – e na época dos companheiros do profeta, e o motivo de seu nascimento e a pontual aparição entre os companheiros do profeta foi a necessidade das pessoas em conhecerem as sentenças de novos acontecimentos/ questões que apareciam no seu dia-a-dia, e a necessidade de conhecer-se o fiqh continuo presente em todos os tempos a fim de regular as relações sociais, conhecer os direitos de cada indivíduo, trazer os interesses renováveis e afastar os prejuízos e os males inerentes e emergentes.

 (Estatuto do legado da jurisprudência islâmica e suas caracteristicas)

A jurisprudência islâmica é caracterizada por várias vantagens ou propriedades, os mais importantes são os seguintes:

 A sua fonte é a revelação divina:

A jurisprudência islâmica distingue-se das demais porque a sua fonte é a revelação de Allah, o Altíssimo, representado no Alcorão e Sunnah do profeta, no entanto, todo pesquisador dedicado restringe-se em buscar as sentenças da shariah a partir das citações dessas duas referências supracitadas e suas ramificações directas, e aquilo que a alma da shariah se orienta, e seus propósitos gerais e todos seus fundamentos, por isso é um nascimento completo, com uma composição perfeita, e firmeza dos pilares para complementar seus propósitos e completar a sua base, estabelecer sua essência na época da mensagem e o momento de revelação sobre o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -; o Altíssimo diz: << Hoje inteirei a vossa religião para vós e completei a minha graça para convosco e agradei-me do Islam como religião para vós.>> (Al-Maidah:3). E depois disso não restou senão colocar em prática a jurisprudência de acordo com os interesses do ser humano que vão em concordância com os propósitos da shariah.

 Abrangência de todas esferas da vida:

A jurisprudência islâmica distingue-se das demais em tomar as três relações sociais: a relação do homem com o seu Senhor, a relação consigo mesmo e a relação com os seres semelhantes; pois ela é para a vida mundana e a vida do Além, e ela é uma religião e uma região, é geral para toda humanidade, contínua para sempre até no Dia da Ressurreição. As suas leis englobam a crença, adoração, conduta e a transacção, para concretizar assim uma alerta para a pessoa e para que haja um sentimento de cumprir com as obrigações e sentir-se a vigilância de Allah, o Altíssimo, secreta e abertamente, e respeitar os direitos – com muita satisfação e tranquilidade, fé, felicidade, estabilidade e ordenar a vida particular e pública e criar a felicidade para todo mundo.

E por esse propósito: as regras práticas (o fiqh) ligadas a aquilo que se verifica do encarregado (de cumprir as ordens, mukalaf), dentre ditos, práticas contratos, procedimentos englobam dois tipos:

Primeiro: Regras das adorações: entre purificação, oração, jejum, peregrinação, zakat, promessa, juramento e outros parecidos referentes a regulamento da relação entre o ser humano com o seu Senhor.

Segundo: Regras das transacções: entre acordos, acções, sanções penais e garantias e outras referentes ao regulamento das relações das pessoas umas às outras, sejam individuais ou em grupos e estas regras ramificam-se da seguinte maneira:

a-       As regras que actualmente se denominam de estatuto pessoal: são regras referente a família, desde o início de sua formação até o final, dentre o casamento, o divórcio, linhagem, sustento e herança; refere-se o regulamento da relação do casal e os familiares uns aos outros.

b-      As regras civis: são aquelas referentes a transacções individuais e suas trocas dentre venda, aluguer, a hipoteca, a garantia, sociedade, o endividamento e o cumprimento de obrigações, refere-se ao regulamento da relação financeira entre as pessoas e a protecção dos direitos.

c-       As regras penais: são aquelas relacionadas a questões de crimes por parte do encarregado (mukalaf), e aquilo que merece de punições; refere-se a protecção da vida das pessoas, seus bens, suas honras e direitos, e limitar a relação da vítima com o agressor e a nação e manter a segurança.

d-      Regras processuais ou processo civil ou penal: são aquelas relacionadas a julgamentos e processos, e métodos de provar com testemunhas, juramentos, hipóteses e outras; refere-se ao regulamento dos processos para manter a justiça entre as pessoas.

e-       Regras constitucionais: são aquelas relacionadas as ordens de julgamento e sua essência; refere-se a limitação da relação do juiz com o réu e a determinação dos direitos dos indivíduos e as pessoas e aquilo que são suas obrigações.

f-       Regras internacionais: são aquelas relacionadas ao regulamento da relação do país islâmico com outros não islâmicos na paz e na guerra e a relação de não muçulmanos residentes no país e abrange a luta pela causa de Allah e os tratados; refere-se a determinação do tipo de relação, cooperação, respeito mútuo entre os países.

g-      Regras económicas e financeiras: são relacionadas a direitos financeiros dos indivíduos e suas obrigações no sistema financeiro, os direitos e deveres financeiros do país e regulamento das fontes do tesouro e suas despesas. Refere-se ao regulamento financeiro entre ricos e pobres e entre o país e as pessoas. Estas incluem fundos do país, públicos e privados, como despojos, espólios e as cotas (entre elas as alfandegas), al-kharaj (impostos sobre a terra), minerais sólidos e líquidos e recursos criados naturalmente, bem como os fundos comunitários: como o zakat, as caridades, as promessas, os empréstimos e os bens familiares: como os sustentos, as heranças e testamentos; e os bens individuais: como os lucros do comércio, o aluguer, as associações e todas comodidades de exploração de projectos, a produção; e as sanções financeiras como: penitências, diyah e al-fidiah.

h-      A conduta e a educação: é aquela que limita as paixões do ser humano e propaga aparências de virtude, cooperação mútua e compaixão entre as pessoas.

E a razão da expansão do fiqh foi aquilo que veio na sunnah do profeta dentre os muitos hadices em cada um desses capítulos.

1-      Dentre as distinções da jurisprudência islâmica, a sua descrição religiosa em torno do lícito e o ilícito:

Diferencia-se o fiqh com as leis criadas pelo homem em termos de que toda acção ou comportamento secular caracteriza-se pela existência da regra do lícito e o ilícito nele, o que leva a se descrever as regras comportamentais por duas descrições:

Primeiro: Mundano, de acordo a aparente prática ou conduta, e não tem nenhuma relação com assuntos internos e ocultos (é uma decisão judicial) porque o juiz julga aquilo que é dentro de suas capacidades.

E sua sentença realmente não torna falso o verdadeiro, e nem o verdadeiro falso; muito menos na realidade ele não torna lícito em ilícito e vice-versa. Em seguida, a pena judicial é terminante, ao contrário da fatwa.

Segundo: Julgamento sobre a vida do Além baseia-se em factos e realidades, mesmo sendo oculto para os outros, e aplica-se na relação entre a pessoa e o seu Senhor, O Altíssimo. É um julgamento (de acordo a religião), este é o tipo que o mufti apoia-se no seu fatwa.

2-      Dentre as características da jurisprudência islâmica é a sua ligação com a moral:

O fiqh difere das leis criadas pelo homem na sua influência pelas regras da ética, a legislação do homem não tem como fins senão benefícios materiais, que é o trabalho de manter a ordem e estabilidade na sociedade, mesmo se for para degradar alguns princípios da religião e da ética.

Enquanto o fiqh preocupa-se em cuidar da virtude, trazer melhores paradigmas e condutas correctas, no entanto, a legislação das adorações é uma das mais dignas purificações da alma e afastamento dos males, e a proibição de juros com intuito de expandir um espírito de mútua ajuda e para que haja compaixão entre as pessoas, e a protecção dos necessitados contra a ganância dos capitalistas, e a proibição da corrupção e fraude nos contractos e ingestão de bens através da falsidade, corrompendo os acordos por razões de ignorância e outras dentre defeitos satisfatórios, a fim de promover o amor entre as pessoas e expandir a confiança entre elas e evitar a disputa, e elevar-se das condutas baixas e respeitar direitos dos outros.

Quando há colaboração, mutuamente, entre a religião e a ética: concretiza-se o sucesso do indivíduo e da sociedade em geral e a felicidade deles, e prepara-se o caminho da eternidade no Paraíso das graças na Vida do Além; e com isso fica como objectivo do fiqh, o verdadeiro bem-estar do ser humano, actualmente, e no retorno e sua felicidade no mundo e na Vida do Além. Por isso: o fiqh é melhor para sua permanência e aplicação viável:

Portanto, o fiqh das regras essenciais não muda é como a mútua satisfação nos acordos, e garantias prejudiciais, e repressão do crime e a protecção de direitos, a responsabilidade pessoal; e quanto ao fiqh baseada na analogia e tendo em conta os interesses e normas, então, aceita-se a mudança e evolução de acordo as necessidades e o tempo, e o bem da humanidade, e os diferentes ambientes de acordo com o tempo e o lugar, enquanto a regra for o propósito da legislação e sua verdadeira essência, e isso é aplicável nas transacções e não nos contratos e adorações, este é a referida regra chamada << Mudança de regras pela mudança dos tempos. >>

No entanto, trabalhar com o fiqh é um dever obrigatório:

Sim: Porque o esforçado (mujitahid) deve praticar daquilo que ocasionou seu esforço, nesse caso será a sentença de Allah, O Altíssimo. E para aquele que não é mujitahid, deve praticar de acordo com o fatuwa do mujitahid, pois na sua frente não há outro meio para conhecer as sentenças da shariah, senão através do plebiscito:

<< Então, interrogai os sábios da mensagem, se não sabeis.>> (Al-Anbiyá:7). E negar uma das sentenças da shariah confirmadas com evidências convincentes ou alegar crueldade de uma certa regra, como por exemplo: as punições; ou alegar que a aplicação da shariah não é boa, este procedimento é considerado de incredulidade ou apostasia. E quanto a negação de regras firmes através de esforço, baseadas na predominância de conjectura sua recusa é considerada de desobediência e injustiça, porque o mujitahid fez o máximo de esforço para saber a verdade e esclarecer a sentença de Allah, O Altíssimo, longe de toda paixão pessoal ou cobiça de benefícios, ou querer uma reputação ou falsa fama, pois suas bases são as evidências da shariah, e seu princípio é a verdade, seu sentimento é de confiança, veracidade e sinceridade.

O autor

Dr. Saleeh bin Ghánim Sadallaan

Primeira secção: adoração

E abrange os seguintes capítulos:

Ø  A purificação

Ø  A oração

Ø  O zakat

Ø  O Jejum

Ø  A peregrinação

Ø  Uzhiyat (animal sacrificado alusivo ao eidul-azha) e a Aquiqah

 Primeira secção: adoração (ibadat)

Primeiro pilar dentre os pilares do islam, a purificação

Conceito da Purificação:

No sentido linguístico significa remover a sujidade e a higienização

No sentido restrito da Sharia significa: remover a impureza que esteja no corpo, cujo impede a observância do sualat e de outros tipos de adorações.

 Águas   Tipos de águas

Decerto que há três tipos de águas, que são:

1-A purificadora: que é aquela água que conserva ainda as suas propriedades naturais, e este tipo de água remove a pequena impureza interna (alhadath) assim como remove a impureza que toca a parte pura (impureza externa). Deus diz no Seu Livro (e Ele faz cair do céu a água para que vos possa purificar com ela)

2-Água pura: que é a água que perdeu uma das suas propriedades, o cheiro ou cor ou sabor por algo que não seja impuro. Considera-se esta água de pura por ser pura em si mesma, mas não remove a impureza interna, por ter perdido uma das suas propriedade

3-Água impura: é aquela água que perdeu as suas propriedades pela presença de uma impureza nela, seja tanto ou mesmo em quantidade reduzida.

De salientar que a água impura torna-se pura ao desaparecer por si mesma a alteração ou a partir de remoção a alteração ou acrescentando água sobre a tal água com intuito de desaparecer a alteração.

Se um crente estiver duvidoso no que concerne a pureza ou impureza de uma certa água, então deve julgar pela certeza, que é a origem de todas as coisas puras serem puras.

Se um crente duvidar o que se pode fazer purificar e o que não se pode purificar, neste caso, o melhor é não se purificar e optar pelo tayamum (purificação seca).

Se um crente estiver em dúvida sobre uma roupa pura e outra que não seja pura ou haram e não puder distinguir, então ele opta por qual tem a certeza e observa com ela apenas uma oração.

 Tipos de purificações:

Há dois tipos de purificações, que são a purificação a palpável e a purificação figurada, deste modo, a purificação a palpável é aquela que se verifica na lavagem dos membros, e a figurada, que é a remoção ou purificação do coração das sujidades dos pecados.

De frisar que a purificação a palpável também é aquela que se menciona nos livros de jurisprudência islâmica, cuja é observada para o sualat e que se divide em dois tipos:

Purificação interna e purificação externa, e nesse caso purificação interna é de três tipos, a maior, que é feita o banho maior, a pequena, que se faz com a ablução e a purificação substituinte a elas, que é feita em casos de não se puder cumprir com os dois supracitados, e faz-se o tayamum (purificação seca).

Purificação externa, que é de três tipos que são: lavagem, limpar (com a mão molhada) e salpicar água (sobre a parte atingida pela impureza).

Utensílios

Seu conceito:

Utensílios que é o plural de utensílio, que é todo aquele recipiente que se usa para beber e comer, e é este sentido que os juristas muçulmanos usam.

Tipos de Utensílios:

Classificação dos utensílios quanto a sua característica:

1-utensílios de ouros e prata;

2-utensílio banhado de prata;

3- Utensílios banhados de ouro ou prata (cujo material não é de ouro ou prata);

4-utensílios luxuosos pelo seu material ou seu fabrico (utensílios feito de rubi);

5-utensílios de pele;

6-utensílios de osso e;

7-utensílios para além dos supracitados, como os de cerâmica, de madeira etc.

Sentença da Sharia sobre os utensílios:

Todo utensílio puro seja luxuoso ou não luxuoso é permissível o seu uso, excepto o de ouro e prata ou banhado deles (ouro/prata), por constar um hadith a partir de Huzaifah, que Deus esteja satisfeito com ele, que o Profeta, que a paz e bênção de Deus estejam com ele, disse: “Não bebeis de utensílios de ouro e prata, tão-pouco comeis de seus pratos, pois isso é para eles (descrentes) nesta vida mundana, e foi reservado para vós na Derradeira Vida”. Relatado por Albukhari e Muslim.

De salientar que tudo aquilo que é proibido o seu uso, também é proibido toma-lo como um utensílio de uso, como por exemplo instrumentos musicais, como o tambor, e esta interdição abrange aos dois sexos (homens e mulheres) pela questão da proibição não especificar a um deles.

Decerto que algo não se torna impuro por uma mera dúvida, isto é, enquanto não se ter a certeza plena em ter sido atingido por uma impureza, pois a origem é de ser puro.

 Utensílios dos não-muçulmanos:

Este tema abrange:

1-Utensílios dos adeptos do Livros;

2-Utensílios dos politeístas.

Sua sentença segundo a Sharia é de ser permitida o seu uso enquanto não se tiver certeza sobre a impureza deles (utensílios), pois a origem é de serem puros.

Relativamente a roupa dos não-muçulmanos, considera-se pura, desde que não haja certeza sobre a sua impureza.

Concernente a pele do animal morto, torna-se pura, quando é curtida.

De realçar que a parte que se tira do animal vivo, considera-se impura tal como se considera o animal morto, mas quanto a lã, as penas, os pêlos são puros, quando tirados do animal ainda vivo.

É recomendável tapar os utensílios e cobrir os depósitos de água, por constar um hadith de Jabir, que Deus esteja satisfeito com ele, que o Mensageiro, que a paz e bênção de Deus estejam com ele, disse: “Tape o seu depósito (de água), recitando Bismillahi, e tape os seus recipientes, proferindo o bismiLlhai, mesmo se for para colocar um pau”. Relatado por Albukhari e Muslim.

 Istinja e etiquetas ao atender as necessidades fisiológicas

Istinja: é a higienização das partes privadas, fazendo o uso da água.

Istijmar: é a higienização das partes privadas, fazendo o uso de material sólido como a pedra, o papel, etc.

Ø  É aconselhável adiantar o pé esquerdo ao entrar na retrete e dizer “BismiLhai, Auzu billahi minal khubuth wal habaith”“busco refúgio de Allah contra o génio macho, assim como a fêmea (dentre os génios).

Ø  É aconselhável adiantar o pé direito ao sair da retrete e dizer: “Ghufranaka, AlhamduliLhai lazi azhaba anni al-aza wa afani”- “Ó Allah suplico o teu perdão, e louvores para aquele que tirou de mim o detestável e deu-me a boa disposição”.

Ø  É aconselhável para aquele que deseja atender a necessidade (fisiológica) apoiar-se com o perna esquerda, e se for num local aberto deverá distanciar-se do olhar das pessoas e procurar atender a necessidade numa superfície permeável, por onde não possa salpicar a urina para o seu corpo e/ou roupa.

Ø  É detestável a pessoa levar consigo algo que esteja escrito o nome de Deus, salvo se houver alguma necessidade premente, como também é detestável falar dentro da retrete, tirar a sua roupa antes de agachar (para atender a necessidade), atender a necessidade menor dentro de um buraco, pegar sua parte privada com a sua mão direita e fazer istijmar com ele.

Ø  É proibido a pessoa direccionar-se ao quibla ou coloca-lo de costas ao atender as necessidades, caso seja num local aberto, e se for dentro de uma residência é permitido, mas de salientar que o melhor é evitar-se.

Ø  É proibido a pessoa atender as necessidades (maiores e menores) no caminho onde as pessoas passam por ele, de baixo de uma árvore frutífera e debaixo da sombra.

Ø  É recomendável a pessoa fazer o istijmar com três pedras limpas e que sejam suficientes para higienizar, caso não sejam, então aumenta para um número impar, pois faz parte da sunnat que as pedras sejam três ou cinco.

Ø  É interdita a pessoa fazer o istijmar usando fezes de animais, ossos, comida ou qualquer coisa que merece respeito, e é permitido higienizar-se com a água, papel e lenço, e a questão de unir os dois meios de higienização, com recurso a pedra e o uso da água é melhor em relação ao uso de água apenas.

Ø  É obrigatório lavar-se a impureza que atinge na roupa, desde que se saiba onde tenha atingido, caso não, então lava-se toda a roupa.

Ø  Faz parte da sunnat atender a necessidade menor sentado, mas de lembrar que não é detestável atende-la de pé, quando se tiver a certeza de não ser atingido pela impureza.

 SUNNANES NATURAIS (ALFITRAH)

Alfitrah: são sunnanes de bons modos e que vão de acordo com a primeira criação, os quais, a pessoa deve tê-los no seu dia-a-dia.

 Dentre os sunnanes naturais (alfitrah):

1.       Siwak: é aconselhável usa-lo todo tempo, pois ele limpa a boca e contenta a Deus, e é recomendável fazer uso dele em momentos que se faz a ablução, ao entrar-se no sualat, ao recitar-se o alcorão, ao entrar na mesquita, ao chegar a casa, ao acordar-se e em momentos em que se verifica um mau hálito da boca;

2.       Cortar os pelos púbicos, rapar os pêlos das axilas, cortar as unhas e lavar entre os dedos;

3.       Cortar o bigode e deixar crescer a barba;

4.       Cuidar do cabelo, aplicando óleo nele e penteá-lo e é proibido cortar uma parte do cabelo e deixar o cabelo (doutra parte), por esta prática desfigurar a origem da criação;

5.       Pintar o cabelo branco com hena (castanho);

6.       Usar o perfume de almíscar ou qualquer perfume (desde que tenha um bom aroma);

7.       Circuncisão: que é o acto de cortar a parte que cobre a glande, tirando o prepúcio, para que não haja aglomeração de sujidade e sua junção com a urina, isto para o caso dos homens.

Respectivamente ao caso das mulheres essa prática reside em cortar-se uma parte do clítoris, e os especialistas que trabalham nessa área sabem melhor deste órgão, e é sobejamente sabido que a circuncisão é pureza, higienização e tem vários benefícios e constitui sunnat para os homens e aconselhável é para o caso das mulheres.

 ABLUÇÃO

Definição da ablução (alwudhu): é a acção de lavar com água as quatro partes do corpo, segundo o que é instituído pela sharia.

Virtudes da ablução: encontramos várias narrativas que evidenciam a virtude da ablução, e uma dessas narrativas é a que consta que o Profeta, que a paz e bênção de Deus estejam com ele, disse: “Todo aquele que fizer a ablução devidamente e disser: “Ashhadu Anla ilaha ila Llhau wahdau la sharika lau, wa ashadu anna muhammadan abduhu wa rasuluhu”  eu testemunho que não existe deus digno de ser adorado senão Allah, O Único, que não tem parceiro, e testemunho também que Muhammad é Seu servo e Mensageiro, ser-lhe-ão abertas as oito portas do paraíso, das quais entrará onde ele quiser. Relatado por Muslim

Depreende-se da narrativa supracitada que a questão de observar a ablução devidamente, que reside na poupança da água é importante e uma das razões de quem observa é ter o privilégio de vier no Dia da Ressurreição com os membros repletos de luz, pois consta do Mensageiro, que a paz e bênção de Deus estejam com ele, disse: “ Por certo meu povo será convocado para o ajuste de contas, e estarão com os seus membros esbranquiçados, como vestígios da ablução, então quem de vós puder aumentar o tamanho da sua luz, que o faça”. Relatado por Albukhari, Muslim, Ibn Maja, Ahmad e Malik.

 As Condições da ablução são várias, e perfazem um número de dez que são:

1)      O Islam;

2)      A consciência;

3)      Distinção;

4)      A intenção, esta que deve ser contínua durante a acção e para tal não pode tencionar a não observância da ablução até o seu término;

5)      Desligar-se de outros aspectos;

6)      Istinja ou istijmar;

7)      A água deve ser purificadora;

8)      A água deve ser propriedade de quem observa a ablução ou concedida (isto é: não pode ser roubada);

9)      Retirar tudo que inviabiliza a chegada de água aos membros (que devem ser abluidos) e

10)  Entrada da hora para quem perde constantemente a pureza e queira observar oração obrigatória.

Causas da Ablução:

A única causa da exigência da ablução é a presença de hadath (impureza menor, que acontece por atender as necessidades fisiológicas, dormida e consumo do carne de camelo).

 Obrigações da ablução:

1)      Lavar a face, juntamente com a boca e as narinas;

2)      Lavar as mãos até aos cotovelos;

3)      Roças a cabeça com as mãos molhadas, incluindo as orelhas;

4)      Lavar os pés até aos tornozelos.

Respectivamente a isso Deus diz no Seu Livro: (Ó vós que credes! Quando vos levantardes para a oração, lavai as faces e as mãos até aos cotovelos e, com as mãos molhadas, roçai as cabeças e lavai os pés até os tornozelos..)[5:6].

5)      Observar a ablução ordenadamente, pois Deus mencionou os membros que devem ser abluidos de forma ordenada e mencionou quais se deve passar sobre eles com as mãos molhadas, no meio de dois membros que se devem lavar.

6)      Não deixar (propositadamente) que um membro seque antes de completar a ablução.

 Sunnanes da Ablução

Na ablução existem certos aspectos que são considerados de Sunnanes (facultativos), que são os seguintes:

1)      Uso do Siwak;

2)      Lavar as mãos três vezes (ao iniciar a ablução);

3)      Gorgolejar a água, coloca-la nas narinas e finalmente aspirar;

4)      Esfregar com os dedos a barba (crescida), bem como entre os dedos das mãos e os dedos dos pés;

5)      Iniciar pelo lado direito (ao lavar os membros);

6)      A segunda lavagem dos membros e a terceira;

7)      Usar uma nova água para limpar as orelhas;

8)      A prece depois de completar-se a ablução.

9)      Observância de dois rakats depois de completar-se a ablução.

 Aspectos detestáveis na ablução:

São detestáveis na ablução os seguintes aspectos:

1)      Fazer a ablução num local onde haja impureza, pelo receio de salpicar a impureza para o corpo quem faz a ablução,

2)      Exceder o limite de lavar três vezes os membros. Por constar que o Mensageiro, que a paz e bênção de Deus estejam com ele, disse: “E quem fizer a lavagem dos membros (mais de três vezes), então este incorreu no erro e transgrediu os limites” relatado por An-nassai;

3)      A não poupança no consumo da água, pois consta que o Mensageiro, que a paz e bênção de Deus estejam com ele fazia a ablução com um Mud (medida de duas mãos cheias equivalente a 600mililitros) de água;

4)      Deixar um sunnat ou vários sunnanes da ablução, porém a questão de deixa-los faz com que a pessoa perca a recompensa que se espera ao observa-los.

 Aspectos que invalidam a ablução:

São sete aspectos que invalidam a ablução a saber:

1)      O que sai das duas vias (ânus e órgão genital);

2)      O que sai das restantes partes do corpo;

3)      Perda de consciência por loucura ou desmaio ou embriaguez;

4)      Tocar as partes privadas do homem e/ou da mulher sem nenhuma obstáculo;

5)      O homem tocar a mulher acompanhada de prazer e vice-versa;

6)      Consumo da carne do camelo;

7)      Tudo que obriga a observância de um banho maior, obriga fazer-se a ablução, como a conversão ao islão, e a saída do espermatozóide e algo semelhante, excepto a morte, pois esta requer a observância do banho maior, mas não obriga fazer-se a ablução.

 Banho Maior

Conceito:

De princípio o banho maior no sentido etimológico significou o que se fazia para higienização.

Entretanto no sentido da sharia o banho maior é entendido como a acção de fazer chegar a água em toda parte do corpo, começando do topo da cabeça até aos pés, de forma específica. De salientar que esta água deve ser purificadora. Não obstante o banho do homem não difere da mulher, excepto no banho maior que é feito depois do ciclo menstrual ou pós-parto, que se requer a mulher estanque o resto do sangue com uma substância aromatizante.

 Causas do banho maior:

São seis aspectos que são causas do banho maior:

  1. A saída de espermatozóide e/ou gâmetas femininas acompanhado de prazer seja do homem e/ou mulher;
  2. O acto do coito, mesmo que não haja ejaculação;
  3. A morte de um muçulmano, excepto o mártir;
  4. A conversão do não muçulmano de uma outra religião (de origem) ou que renova seu islam depois de sua apostasia;
  5. A menstruação;
  6. O sangue pós parto;

 Tipos de Banhos recomendáveis:

1.       O banho de sexta-feira;

2.       O banho antes de ihram (intenção para iniciar o ritual de umra e/ou hajj);

3.       O banho para aquele que lava o Mayit;

4.       O banho para os dois Ides;

5.       O banho para quem volta a ganhar a consciência depois de um desmaio ou loucura;

6.       O banho para quem deseja entrar em Meca;

7.       O banho para as orações do eclipse solar ou pedido de chuva;

8.       O banho para a oração é recomendável a mulher que tenha hemorragia (istihazha) e

9.       O banho para qualquer encontro, onde haja aglomeração de pessoas.

 Condições do banho maior:

  1. Estancar aquilo que obriga o banho, como o sangue pós-parto, sangue de menstruação;
  2. A intenção;
  3. O islam;
  4. A consciência;
  5. O discernimento;
  6. Água purificadora e adquirida de forma lícita;
  7. Tirar (do corpo) tudo o que impede a chegada da água nos membros.

Obrigações do banho maior

A única obrigação do banho maior é o dito bismiLhai (em nome de Deus), cujo é dispensável por esquecimento e não de forma propositada.

Pilares do banho maior

A intenção é um dos pilares do banho maior e que é precedida por um outro pilar, que é lavagem de toda parte do corpo, acrescido a lavagem da boca e as narinas. De frisar que é suficiente a pessoa considerar que tenha lavado toda a parte do corpo segundo o que lhe é predominante de sua conjectura.

Entretanto quem tencionar um banho maior obrigatório e outro recomendável, a intenção para um desses banhos é válido (a intenção) para o segundo.

De salientar que para quem deseja higienizar-se da menstruação e impureza maior (janabat), lhe é suficiente tomar um único banho acompanhado por uma única intenção.

 Sunnanes (aspectos recomendáveis) no banho maior:

  1. Dizer bismiLhai
  2. Começar por tirar a impureza do corpo;
  3. Lavagem das mãos antes de introduzi-las no recipiente que contenha água;
  4. Ablução que é feita antes do banho maior;
  5. Começar a lavagem de membros sempre do lado direito;
  6. O acto de não deixar que um membro seque antes de lavar o outro;
  7. Fazer passar a mão sobre todo o corpo e
  8. Voltar a lavar os pés fora do local de banho.

 Aspectos detestáveis no banho maior:

No banho maior são detestáveis os seguintes aspectos:

  1. Esbanjar a água;
  2. Tomar o banho num local onde há impureza;
  3. Tomar um banho sem esconder-se (do olhar das pessoas) /ao
  4. Tomar o banho dentro dum recipiente/ cisterna de água estagnada;

 Aspectos proibidos a quem não tenha tomado o banho maior (aljunub):

O Junub está vedado de observar as seguintes coisas:

Ø  O sualat;

Ø  O circundar pela Kaabah;

Ø  Tocar o alcorão ou leva-lo consigo, excepto se for para tocar a sua capa;

Ø  Sentar-se dentro da mesquita e

Ø  A recitação do alcorão.

Impureza, suas regras e modo de remove-la

Conceito:

Impureza: no sentido linguístico significa falta de pureza.

Entretanto seu sentido restrito da sharia significa uma impureza específica, que impede a observância do sualat, a título de exemplo a urina, o sangue e a bebida alcoólica.

Tipos de Impureza:

 São dois tipos de impureza, a saber:

  1. A palpável;
  2. Sentenciada

De salientar que a impureza a palpável são aquelas impurezas conhecidas, como a do cão, o porco, cujos não se tornam puros pela remoção.

E quanto a impureza sentenciada é a impureza que aparece sobre um corpo puro.

Classificação das Impurezas:

 As impurezas podem ser classificadas de seguinte forma:

1.       Grupo em que há unanimidade sobre a sua impureza;

2.       Um outro em que há divergência sobre a sua impureza e

3.       O último que é perdoável.

 Grupo em que há unanimidade sobre a sua impureza:

  1. O Animal morto dentre os animais terrestres, pois os animais mortos do oceano são considerados de puros e lícito seu consumo;
  2. O sangue escorredor que é o sangue que escorre no momento em que se degola o animal;
  3. A carne do porco;
  4. A urina do ser humano;
  5. As fezes do ser humano;
  6. Al-Maziyu (líquido que sai devido a líbido);
  7. Alwadi
  8. A carne do animal que não é comestível;
  9. Toda a carne que tira do animal enquanto vivo;
  10. O sangue de menstruação;
  11. O sangue pós parto;
  12. O sangue de hemorragia.

 Grupo de impurezas em que há divergência no que diz respeito a sua impureza:

  1. A urina do animal comestível / lícito seu consumo;
  2.  Fezes do animal comestível;
  3. O espermatozóide
  4. A saliva do cão;
  5. O vómito
  6. O animal morto que não tem sangue, como a barata, a pulga e a abelha.

 Impureza Perdoável:

  1. O barro existente pelo caminho;
  2. O sangue que esteja em quantidade insignificante
  3. O Pus seja do ser humano ou do animal comestível.

 Formas de remover as impurezas:

A remoção da impureza faz-se de várias formas como a lavagem da impureza ou salpicar água sobre o local que foi atingido pela impureza ou esfregando a impureza e /ou limpando a impureza

De forma detalhada podemos explicar que a remoção da impureza faz-se de seguinte forma:

Ø  Purificação da roupa que tenha impureza: se a impureza for sólida, então deverá ser esfregada, friccionada e por último ser lavada. Entretanto em caso da impureza ser húmida, basta apenas ser lavada.

Ø  Purificação da urina do recém-nascido: quanto a este tipo de impureza, que é a urina de um recém-nascido, cujo alimenta-se de outra comida (além do leite do peito), basta salpicar água sobre a impureza;

Ø  A terra que tenha impureza  é purificada com a remoção da impureza, caso seja a impureza sólida, e se a impureza for líquida, despeja-se água sobre ela.

De salientar que o calçado torna-se puro com o acto de esfrega-lo ou andar sobre uma superfície pura. Não obstante objectos lustrosos como o vidro, facas, tesselas são purificados, limpando-se a impureza contida neles.

Portanto quanto a questão da purificação da saliva do cão ao lamber um recipiente, deve-se lavar sete vezes e uma das lavagens deverá ser acompanhada de areia.

 TAYAMMUM

 Seu conceito:

O sentido etimológico do Tayammum é tencionar.

No entanto o seu sentido restrito da sharia é limpar o rosto e as duas mãos de forma específica com recurso a uma areia purificadora.

Esta permissão é dos privilégios concedidos ao povo de Muhammad, em detrimento de outros povos, que não tinham sido concedidos, e ela substitui a ablução.

 A Quem é permitida o Tayammum:

Ø  Aquela pessoa que não encontra água depois de procura-la ou haver numa zona muito distante, depois de busca-la;

Ø  A pessoa que tiver algum ferimento ou doença, por onde receie que a ablução pode agravar a sua situação;

Ø  A pessoa que tiver água muito fria e não puder aquece-la;

Ø  A pessoa que tiver água em quantidade reduzida, cuja reserva-a para a bebida e receia a sede.

 Condições para a obrigação do tayammum:

Ø  Atingir a puberdade;

Ø  Ter a possibilidade de usar a areia;

Ø  Haver razão (alhadath) que exija purificação.

 Condições para que o tayammum esteja correcto:

Ø  O islam;

Ø  Estancar o sangue de menstruação e o sangue pós-parto;

Ø  Juízo e

Ø  Haver areia purificadora.

 Pilares do Tayammum:

Ø  A intenção;

Ø  Areia purificadora;

Ø  O primeiro toque (das palmas sobre a terra em pó);

Ø  Limpar a face e as mãos até aos pulsos.

 Sunnanes do Tayammum:

Ø  O dito bismiLhai;

Ø  Voltar-se direccionado ao quiblat;

Ø  Que seja feita quando se pretende observar o sualat;

Ø  O segundo toque das mãos sobre a terra;

Ø  Observar o tayammum de forma ordenada;

Ø  Não deixar que passe longo tempo entre o limpar de um dos membros em relação ao outro e

Ø  Esfregar entre os dedos.

 Aspectos que invalidam o tayammum:

Ø  Encontrar a água;

Ø  O Tayammum torna-se nulo por um dos aspectos que torna a ablução nula e/ou que torna o banho maior nulo, pois o tayammum é substituinte da ablução e do banho maior.

 Modo de efectuar o tayammum:

De princípio deve-se fazer a intenção e seguido do dito “bismiLlhai”, por conseguinte poderá tocar a terra com as mãos e fazer passar as mãos empoeiradas sobre seu rosto e suas mãos de forma ordenada e sem deixar que passe muito tempo (intervalo de limpar um membro em relação ao outro).

 O Tayammum feito devido ao gesso:

De salientar que quem tiver alguma fractura no seu corpo ou ferida e recear a lavagem do membro que tenha a ferida/ fractura, então é suficiente que este faça o tayammum do tal membro e lave os restantes.

De frisar que o indivíduo que não encontra água, nem areia que possa fazer o tayammum, poderá observar o sualat segundo as suas possibilidades e não tem a obrigação de repetir o sualat em outro momento.

 O mashu (acto de fazer passar as mãos molhadas) sobre os khuffs( peúgas de napa e/ou pele) e gesso

Relativamente a esta questão Ibnul Mubarak, que Deus esteja satisfeito com ele, disse: não há divergência entre os sábios sobre a permissão do mashu sobre os kuffs.

Entretanto Imam Ahmad dizia: não tenho dúvida nenhuma sobre a permissão do mashu sobre os kuffs, pois há quarenta hadiths narradas a partir do Mensageiro, que servimo-nos deles como provas. Acrescenta o imam dizendo: e o mashu sobre os kuffs é melhor que tira-los a fim de lavar os pés, pois foi essa a prática do Mensageiro, que a paz e bênção de Deus estejam com ele, e seus companheiros, e eles priorizaram sempre o melhor.

1)      Seu tempo: a pessoa enquanto estiver na sua estadia está permitida de fazer o mash sobre khufss por um dia e sua respectiva noite, e quando se encontra na viagem poderá fazer o mashu por um período de três dias e suas respectivas noites. De salientar que o tempo do mashu inicia no momento em que se dá o alhadath (impureza menor, por expelir gazes ou atender necessidade maior e/ou menor, etc.) depois de usar os khuffs.

2)      Suas condições:

·         Os kuffs deverão ser lícitas (isto é: não roubadas);

·         Os kuffs deverão ser puras, isto é, que sejam feitas de material puro;

·         Deverão cobrir a parte do pé até aos tornozelos e

·         Que sejam usados enquanto a pessoa está purificada.

3)      Modo de observar o mashu sobre os khuffs:

Primeiramente colocam-se as mãos dentro do recipiente que contenha água e seguidamente faz-se passar as mãos molhadas sobre o khuff (na parte do peito do pé), a partir dos dedos até à caneleira uma vez, sem precisar de limpar a parte de baixo dos pés.

4)      Aspectos que anulam o mashu:

O mashu sobre os khuffs torna-se nulo por quatro aspectos, que são os seguintes:

Ø  Quando os khuffs são tirados dos pés;

Ø  Quando for preciso, como em casos de haver a necessidade de fazer-se o banho maior;

Ø  Em casos dos khuffs ficarem rotas de forma excessiva e

Ø  Ao completar-se o tempo de permissão do mashu sobre os khuffs.

De salientar que é permissível fazer o mashu sobre todo tipo de gesso até o momento de sua remoção, mesmo que seja por um longo tempo ou tenha impureza maior que obrigue o banho maior.

 A ORAÇÃO (SALAT)

  • Regras relacionadas à oração
  • Oração em congregação
  • Abreviação da oração
  • A junção entre duas orações
  • Prostração de esquecimento
  • Orações facultativas
  • Oração de Sexta-Feira
  • Oração dos dois Eid’s
  • Oração de pedido de chuva (al-istissqá)
  • Oração de eclipse da lua e do sol (al-kussúf)
  • O funeral e suas regras

 O SEGUNDO PILAR DENTRE OS PILARES SO ISLAM É A ORAÇÃO

 Sua definição no sentido linguístico e na shariah.

A oração no sentido linguístico: é súplica; o Altíssimo diz: << E roga por eles, porque tua prece será seu consolo >> (Taubah:103). Ou seja: Suplique por eles. E no sentido da shariah: são dizeres e práticas específicas que começam-se pelo takbir (Allahu Akbar) e terminam-se com o taslim (assalam alaikum warahmatullah) e com condições específicas.

 Sua obrigatoriedade:

A oração tornou-se obrigatória na Noite de Isrá (Viagem Nocturna) antes da migração, e é um dos pilares do Islam depois dos dois testemunhos de fé (shahadatain), por ser constituído pelos dois, e a primeira acção que o profeta condicionou após a unicidade, o mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – disse: “O terminal da acção é o Islam, a sua base é a oração e o seu topo é a luta no caminho de Allah.” (Tirmizi, Ibn Majah e Ahmad).

 O propósito da sua permissão:

A prática da oração é um agradecimento pelas grandiosas dádivas que Allah concedeu ao seu servo. Assim como é um significado claro de servidão; pois nele mostra-se a direcção para Allah, Glorificado seja, o Altíssimo, e a complacência e subordinação e sua confidencialidade com o Altíssimo pela leitura, as lembranças e súplicas, assim como há um meio de ligação do servo com o seu Senhor e transcende acima do mundo material até a pureza da alma e sua tranquilidade, cada vez que se mergulha no meio da vida e atraem-lhe suas tentações, a oração resgata-lhe antes de submergir e coloca-lhe diante da verdade que ele negligenciou, e que lá há o que é maior ainda, e que não é possível que a vida se crie sobre este propósito e submeter-se ao ser humano para que viva sobre a sua margem, se divertindo de um lugar para outro.

 Classificação da oração e seu número:

São dois tipos de orações: obrigatória e facultativa. Quanto a obrigatória divide-se em duas partes: Fardh Ain (dever obrigatório para todos muçulmanos e o pecado recai para quem não cumpre) e Fardh Kifayah (dever obrigatório para alguns muçulmanos e a recompensa é para todos).

Portanto, Fardh Ain: é obrigatória para todo muçulmano encarregado, macho ou fêmea; e são as cinco orações. O Altíssimo diz: << Por certo a oração foi prescrita aos fiéis para ser cumprida em seu devido tempo >>. (An Nissá:103) E o Altíssimo diz: << E lhes foi ordenado que adorassem sinceramente a Allah, fossem monoteístas, observassem a oração e pagassem o zakat; esta é a verdadeira religião>>. (Al-Bayyinah:5) E o mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – disse: “ O Islam foi erguido sobre cinco pilares: prestar testemunho de que não há divindade digna de ser adorada além de Allah e de que Muhammad é mensageiro de Allah, o cumprimento das orações, o pagamento do zakat...” (Bukhari e Muslim). Naafii bin Al-Arzaq disse para ibn Abbass: Será que encontras a citação das cinco orações no Alcorão? Ele respondeu: Sim, depois leu: << Glorificai, pois, Allah, quando anoitece e quando amanhece! >>; << Seus são os louvores, nos céus e na terra, tanto na hora do poente como só meio-dia. >> (Ar-Rum:17-18) E o hadith sobre “O beduíno que veio ter com mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – e perguntou: O que Allah me obrigou dentre as orações? Ele respondeu: “Cinco orações.” O beduíno disse: Será que tenho obrigação de outras? Ele respondeu: Não, excepto se forem facultativas.” (Bukhari e Muslim)

 Ordenar a criança a prática da oração:

Quando a criança atinge sete anos é ordenada a praticar a oração, e caso rejeita-la é batida ligeiramente aos dez anos; conforme o hadith: “Ordenem vossos filhos a prática da oração aos sete anos e batam-nos (em caso de rejeição) aos dez anos, e separem-nos entre eles na cama onde dormem.” (Abu Daud e Tirmizi)

 Classificação para aquele que nega a obrigação da oração:

Aquele que nega a sua obrigatoriedade é descrente, se for um que não seja ignorante, mesmo cumprindo; pois, ele desmente a Allah e a seu mensageiro e a unanimidade da nação, assim como aquele que abandona por negligência ou preguiça, mesmo reconhecendo a sua obrigatoriedade, conforme o Altíssimo diz: <> até o dito << Porém, caso se arrependam, observem a oração e paguem o zakat, abri-lhes o caminho.>> (Tuabah:5). E segundo Jábir – Que Allah esteja satisfeito com ele – relatou que o mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – disse: “A linha de demarcação entre o homem e a incredulidade está o abandono da oração.” (Narrado por Muslim).

 Pilares da oração:

Seus pilares são catorze, não se pode abandonar propositadamente, nem por esquecimento e nem por ignorância.

1. A posição em pé na oração obrigatória, para quem é capaz de manter-se verticalmente

2. Takbirat al-ihram (takbir de início da oração), que é a frase “Allahu Akbar” (Deus é Maior), não é permitida além dela.

3. Leitura da surata al-fátiha (abertura).

4. Ruku (a posição inclinada segurando os joelhos).

5.Levantar da posição do ruku e manter-se completamente parado.

6. A prostração (sujúd).

7. Levantar da prostração.                                                                                      

8. A sentada entre as duas prostrações.

9. A tranquilidade que é o sossego.

10. O último tashahud (último testemunho).

11. A sentada para o último tashahud.                                                       

12. Pedido de bênçãos para o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele.

13. O taslim: que consiste em dizer duas vezes: “assalam alaikum warahmatullah” e de preferência não acrescentar “wabarakatuh”; conforme o hadith de ibn Mass’ud que “o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – finalizava a oração com taslim virando para sua direita: assalam alaikum warahmatullah, e para seu lado esquerdo: assalam alaikum warahmatullah.” (Narrado por Muslim).

14. A sequência entre os pilares.

 Obrigações da oração:

Suas obrigações são oito, caso abandonar-se de propósito a oração é inválida, e desconsidera-se se for por esquecimento ou ignorância.

1. Takbir que não seja al-ihram (não é o de início da oração).

2. A frase: “samia Allahu liman hamidah” (Allah ouvi quem o louva), para o imam e aquele que reza individualmente.

3. A frase: “rabbana wa lakal hamdu” (Nosso Senhor, para Ti é o louvor).

4. A frase: “subhana rabbil adhiim” (Quão perfeito Tu és meu Senhor, o Poderosíssimo), uma vez no ruku.

5. A frase: “ subhana rabiil alaa” (Quão perfeito Tu és meu Senhor, o Altíssimo), uma vez na prostração.

6. A frase: “rabbi igfirlii” (Meu Senhor, perdoa-me!), entre as duas prostrações.

7. O primeiro tashahud.

8. A sentada para efectuá-lo.

 Condições para a validade da oração:

A condição, no sentido linguístico: é Vestígio.

E as condições para a validade da oração são: a intenção, o islam (ser muçulmano), o juízo, discernimento, chegada do horário, a purificação, direccionar-se ao quibla, cobrir a aurah (nudez) e abster-se da impureza.

 Horários das cinco orações diárias:

São tomados a partir dos períodos, que são as limitações, e o horário na oração é o motivo da sua obrigação e é uma das condições de sua validade.

O profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – demarcou os horários das cinco orações em muitos ditos, segundo ibn Abbass – Que Allah esteja satisfeito com ele – relata que o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – disse: “O anjo Gabriel dirigiu-me (na oração) diante da Casa (kaaba) duas vezes.” (Tirmizi, Abu Daud e Ahmad). Então, mencionou os períodos das cinco orações, em seguida ele – Que as bênçãos e paz estejam sobre ele – disse: “Em seguida o anjo Gabriel virou-se para mim e disse: ó Muhammad, este é o horário dos profetas antes de ti, e o horário está entre estes dois.” (Abu Daud).                                                                                                 

E os períodos das orações aparecem divididos entre o dia e noite, quando o ser humano leva certo tempo de sono concretiza seu sossego e aproxima-se a alvorada tempo de levantar-se e de trabalho, chega o horário da oração da alvorada (al-fajr) para que o ser humano sinta sua distinção das restantes criaturas, e recebe o seu dia enquanto já forneceu a sua fé.

E quando chega o meio-dia deve parar mais outro instante para meditar com o Seu Senhor na oração do meio-dia (zuhr) e corrigir aquilo que praticou nas primeiras horas do dia, em seguida vem o horário do meio da tarde (asr) e reza sua oração dirigindo-se com ela o restante de seu dia, depois o pôr-do-sol (maghrib) na entrada da noite e o ishá (oração da noite), ambas carregam-lhe na sua noite que é lugar de resguardo: a luz e a orientação para o caminho certo, assim como as orações observadas nos seus devidos horários são uma oportunidade para reflectir no reinado de Allah, Glorificado seja, e sua consideração para tudo aquilo que cerca o ser humano na sua noite e dia.

Horário da oração de Zuhr (Meio-Dia): primeiro horário de zuhr começa quando o sol atinge o seu ponto culminante (zawal), isto é, o sol inclina-se ao poente, e seu último horário é quando a sombra de qualquer coisa ser igual ao tamanho natural, excepto no zawal.

Horário da oração de Asr (Meio da tarde): primeiro horário da oração de Asr é quando a sombra de qualquer coisa ser igual ao tamanho natural, excepto no zawal, e isso como citou-se anteriormente que o último horário de Zuhr que é da sombra de qualquer coisa ser igual ao tamanho natural, e quanto ao último horário de Asré o opcional que é quando a sombra de qualquer coisa se torna duas vezes ao natural e o indispensável até o pôr-do-sol.

Horário da oração de Maghrib (Pôr-do-sol): primeiro horário da oração de maghrib é o pôr-do-sol e o último horário é a atracação das estrelas, e o último horário permitido, apesar de ser  detestável, é a hora do desaparecimento do crepúsculo.

Horário da oração de Ishá (Noite): primeiro horário do ishá é com o desaparecimento do crepúsculo. E quanto ao último horário é meia-noite.

Horário da oração de Fajr (Alvorada): começa com aparição da aurora e termina quando o sol nasce.

1-      Períodos de orações em países com altas latitudes:

Os países que possuem latitudes altas dividem-se em três partes:

1. Os países que se localizam entre as latitudes 45 e 48 ao norte e sul, estes países aparece neles os sinais cósmicos dos horários na noite e dia, sejam longos ou curtos períodos.

2. Aos países que se localizam entre as latitudes 48 e 66 ao norte e sul, nestes países há falta de alguns sinais cósmicos dos horários em alguns dias do ano, como o não desaparecimento do crepúsculo até entrar aproximadamente o horário de fajr.

3. Os países que se localizam acima da latitude 66 ao norte e sul até aos bipolares, neles não existem sinais cósmicos dos horários num longo período do ano seja de dia ou noite.

 Regra de cada uma dessas divisões:

Acerca dos países mencionados primeiramente, a obrigação para aqueles que ali moram é rezar nos seus devidos horários mencionados anteriormente. E quanto ao terceiro grupo de países não há divergência, pois os horários das orações são feitas de acordo com uma estimativa, isso quando se faz analogia com a estimativa citada no hadith Dajjal (anti-cristo), no qual, vem: “Dissemos: ó mensageiro de Allah, quanto permanecerá na terra? Ou seja o Dajjal. Ele respondeu: “O dia será como um ano”. Dissemos: ó mensageiro de Allah, este dia que é como um ano, será que basta-nos cumprir a oração no dia e noite? Ele respondeu: Não. Estimem-nos sua proporção.” (Sahih Muslim).

E há divergência de como é essa estimativa, e diz-se: Estima-se pelos países mais próximos onde se distingue a noite do dia e reconhece-se os horários das orações através de seus sinais de acordo a shariah.

E talvez este é o dito mais judicioso. E foi dito: Estima-se com um período razoável, o dia com doze horas, assim como, a noite; e foi dito que estima-se com os horários de Meca e Medina. E quanto ao segundo grupo: Estima-se como nos países do primeiro grupo, exceptuando nas orações de ishá e fajr; e quanto os horários de isha e fajr neste grupo estima-se como nos países do terceiro grupo.

 Oração em congregação

 Propósito de sua permissão:

A oração congregacional é uma das reverenciadas obediências e grandiosa das adorações e um dos aspectos mais proeminentes de intimidade e compaixão e a igualdade entre os muçulmanos, pois, se reúnem em pequenas conferências cinco vezes dia e noite para um bom gesto e sob único comando, única direcção, unem-se os corações, alinham-se e prevalece a compaixão e a intercomunicação e elimina-se as diferenças.

 Classificação da oração em congregação:

A oração congregacional é obrigatória para os homens livres, capazes de cumpri-la presencialmente ou na viagem. Conforme o Altíssimo diz: << Quando estiveres entre eles e os convocares a observarem a oração (ó Mensageiro), que uma parte deles pratique contigo.>> (An-Nissá:102). O imperativo no verbo (pratique) revela aqui a obrigatoriedade da oração em congregação. E se isso foi no momento de pavor, então no momento de paz há mais prioridade.

 O que complementa a oração em congregação:

Complementa-se a oração congregacional por um imam (aquele que lidera a oração) e o ma’mum (o seguidor do imam), mesmo este sendo uma mulher; segundo Abu Mussa através do profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - : “Acima de duas pessoas é considerada congregação.” (Narrado por ibn Majah).

 Lugar de cumprimento da oração em congregação:

Recomenda-se a congregação na mesquita e permite-se em outro lugar se houver necessidade para tal.

E para as mulheres, ficam isoladas dos homens, como fez Aisha e Ummu Salamah; citou Dar Qutny: “O profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – ordenou a Ummu Waraqah a dirigir a oração das mulheres em sua moradia.” (Narrado por Abu Daud).

 Abreviação da oração

 Significado da abreviação da oração:

Abreviar a oração por causa da viagem: é reduzir a oração de quatro rakates (ciclos) para dois rakates e é um dos grandiosos significados que constitui a lei islâmica, pois dá importância a situação do muçulmano. E confirma-se a facilidade para ele. A abreviação é permissível seja no Alcorão, sunnah e por unanimidade dos imamos (teólogos muçulmanos).

 A abreviação é geral, seja na paz ou outras situações:

Abrevia-se a oração na viagem, seja na situação de paz ou medo; e o medo citado no versículo aparece de uma forma geral; pois muitas vezes nas viagens do profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – não era desprovido do medo. Aly disse para Umar – Que Allah esteja satisfeito com eles – abrevias enquanto há paz! Então, Umar disse para ele: Fiquei admirado assim como ficaste, no entanto, perguntei o profeta que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – e disse: “É uma caridade que Allah concedeu a vós, então aceitem a Sua caridade.” (Narrado por Muslim).

 A distância no qual abrevia-se a oração na viagem:

Quanto a distância na qual abrevia-se as orações é toda aquela por costume é denominada de viagem e transporta-se as provisões e bens.

 Início da abreviação das orações:

O viajante começa a abreviação quando deixa as moradias da sua cidade, daquilo que se considera deixar uma cidade por costume; pois, Allah, Glorificado seja, o Altíssimo, relacionou a abreviação da oração com o deslocamento na terra, e não é considerada deslocação até deixar as moradias de sua região.

 A junção entre duas orações

A junção é permissível ocasionalmente diante da necessidade, muitos sábios recomendam a se deixar a junção, excepto quando há necessidade aparente; pois, o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – não fez a junção, senão em poucas vezes, e todo aquele que é permitido abreviar a oração, também é permitido a junção entre duas orações e nem todo aquele que junta-as permite-se a abreviação.

 Junção antecipada e atrasada:

O melhor é o ser humano fazer aquilo que é mais viável dentre a junção antecipada ou atrasada; porque o referido nessa junção é para facilitar e amenizar. Mas quando as duas junções forem iguais, a melhor é a atrasada; e se for a desembarcar o recomendável é rezar toda oração no devido tempo.

 Prostração de esquecimento (sujúd sahw)

O “sahw” na oração significa esquecimento; e a prostração de esquecimento é permitida por unanimidade dos teólogos muçulmanos para aquele que esqueceu na sua oração, como o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – fez e ordenou. Permite-se a prostração de esquecimento por acréscimo, redução ou dúvida, e seu momento\lugar é antes do taslim ou depois, e são duas prostrações sem o tashahud, pronuncia o takbir diante de cada prostração e em seguida efectua o taslim.

 Oração facultativa

 Propósito da permissão da oração facultativa:

Dentre as graças que Allah concede aos seus servos é de preparar entre as adorações, aquela que é conveniente com seus costumes humanos e concretizar aquilo que quer entre praticar acções de maneira correcta, e desde que o ser humano é propenso a erros e falhas, o Glorificado recomendou aquilo que complementa isso e torna uma reparação dela, e por isso a oração facultativa, consta através do mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – que a oração facultativa complementa a oração obrigatória, caso o praticante não teria completado.

 O melhor que se pode cumprir sendo facultativo:

O melhor que se pode cumprir sendo facultativo é a luta no caminho de Allah, em seguida o aprendizado das ciências da shariah e seu ensinamento; o Altíssimo diz: << Allah elevará em escalões os que crêem dentre vós e aqueles aos quais é concedida a ciência.>> (Al-Mujadalah:11). Em seguida a oração, que é uma das melhores adorações que envolve o corpo; conforme o dito do profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – “Mantenham-se firmes e não contem, saibam que a melhor dentre as vossas acções é a oração.” (Narrado por ibn Majah).

 E entre as orações facultativas:

 Oração da noite

A oração facultativa da noite é melhor que a do dia, e a oração da última metade da noite é melhor que a oração da noite; conforme o dito do profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – “O nosso Senhor, Bendito seja, o Altíssimo, desce toda noite para o último céu da terra após a meia-noite...” (Narrado por Muslim).

E o tahajjud é aquele que é realizado após acordar do sono; Aisha – Que Allah esteja satisfeito com ela – disse: “O acto de levantar à noite (para o cumprimento do tahajjud) é após ter adormecido.”

 Oração de al-duhá:

Recomenda-se rezar a oração de al-duhá em alguns dias, conforme o dito de Abu Saiid: “O profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – rezava a oração de al-duhá e até dizíamos que ele não a abandona, e abandonava-a até dizíamos que ele não reza.” (Ahmad e Tirmizi).

E o mínimo que pode se rezar, dois rakates, e o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – já rezou quatro rakates e até seis. No máximo são oito rakates e não é condição rezar sempre.

 Tahiyyatul masjid (Saudação da mesquita):

Recomenda-se rezar o tahiyyatul masjid (logo que entra na mesquita), conforme relatou Abu Qatadah que o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – disse: “Quando um de vós entrar na mesquita, não pode se sentar até rezar dois rakates.”

 Sujúd tilawah (prostração de leitura do alcorão):

Recomenda-se a prostração de leitura do Alcorão para o recitador e o ouvinte, pronuncia o takbir (allahu akbar) ao prostrar e o taslim após levantar, e durante a prostração diz: “subhana rabbil alaa.”

 Sujúd al-shukr (Prostração de agradecimento):

Recomenda-se a prostração de agradecimento quando se renova uma dádiva ou afasta-se uma desgraça, conforme o dito de Abu Bakrat “Que quando o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – aparecia-lhe algo que o deixava feliz, inclinava-se prostrando.” (Abu Daud, Tirmizi e ibn Majah). “Aly prostrou quando capturaram Zha Thadiyyah (um dos khawarij).” (Narrado por Ahmad). “Kaab bin Malik prostrou quando deram a boa nova que Allah o perdoou.” Sua classificação e as regras são como a prostração de leitura do Alcorão.

 Oração de tarawih (no mês de Ramadan):

A oração de tarawih é sunnah muakkadah (recomendação confirmada), o mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – recomendou e reza-se em congregação na mesquita após a oração de ishá no mês de Ramadan. O mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – recomendou e Umar bin Al-Khattab reviveu no seu mandato. O melhor é rezar-se onze rakates e não há nada de errado rezar mais que isso, e aumenta-se o esforço nos dez últimos dias, dentre as orações facultativas da noite, lembranças a Allah e súplicas.

 O witr:

O witr é sunnah muakkadah (recomendação confirmada), praticado pelo mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – e ordenou a sua prática, o mínimo reza-se um rakat, e o mínimo e mais completo são três rakates, no máximo são onze rakates.

 Seu horário:

Entre a oração de ishá e a aparição da aurora e faz-se o qunút (súplica) após o rukú.

 Suas regras:

  1. Rezar repetidas vezes e não sentar para o tashahud, excepto no último rakat.                                                                             
  2.  Sentar e efectuar o tashahud para o último rakat, depois levanta-se sem pronunciar o taslim, em seguida reza um rakat, efectua o tashahud e o taslim.
  3.  Efectuar o taslim a cada dois rakates, em seguida finalizar com um rakat, efectua o tashahud e o taslim, e esta é a melhor entre as regras; pois é essa que o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – fazia sempre.

 Sunane al-rawatib (Sunnates prescritos):

A melhor oração facultativa prescrita é a do fajr (alvorada), de acordo o relato de Aisha que o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – disse: “Os dois rakates de fajr são melhores que o mundo e aquilo que nele existe.” (Muslim e Tirmizi).                                                                                                       

E as sunnates prescritas confirmadas são doze rakates: quatro rakates antes da oração zuhr e dois depois, dois rakates após a oração de maghrib, dois rakates após a oração de ishá e os dois rakates antes da oração de fajr. Recomenda-se a reposição das orações facultativas prescritas, caso passar o seu horário sem efectuá-las, e a reposição da oração de witr é absolvido, excepto aquilo que se perde com a sua oração obrigatória e mais; no entanto, a prioridade é deixa-la por haver sobrecarga, mas a oração facultativa de fajr repõe-se absolutamente pela sua certeza. E seu cumprimento de todas estas orações em casa é melhor, pelo contrário das orações obrigatórias e todas aquelas que se exigem serem feitas em congregação.  

 Oração de Sexta-Feira

 Méritos do dia de Sexta-Feira:

Sexta-Feira é um dos melhores dias e o mais reverenciado, cujo Allah destacou para esta nação e recomendou a sua reunião, e um dos propósitos disso é para que prevaleça entre os muçulmanos se conheçam, haja a união, a compaixão e a cooperação. De realçar que o dia de sexta-feira é o dia da festa semanal e é o melhor dia que o sol nasce.

 Classificação da oração de Sexta-Feira:

A oração de Sexta-Feira é obrigatória; conforme o dito do Altíssimo: << Ó fiéis, quando fordes convocados, para a Oração da Sexta-feira, recorrei à recordação de Deus e abandonai os vossos negócios.>> (Al-Jumuah:9). São dois rakates para esta oração.                                                             

Recomenda-se o banho e a pontualidade para esta oração.

 Para quem é obrigatório a oração de Sexta-Feira?

Todo homem, muçulmano, encarregado (de cumprir as ordens) e livre que não tenha nenhuma desculpa (de não presencia-la).

 Horário da oração de Sexta-Feira:

É válida antes do zawal e após o zawal é melhor; pois, é o horário que muitas vezes o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – rezava.

 O que complementa a oração de Sexta-Feira:

Complementa-se daquilo que se considera reunião, habitualmente.

 Condições para a validade da oração de Sexta-Feira:

São cinco coisas dentre as condições de sua validade:

  1. O horário.
  2. A intenção.
  3. Seu acontecimento presencial.
  4. Presença do número considerado maior habitualmente.
  5. Deve iniciar com dois sermões compostos por louvores a Allah e bênçãos e paz   sobre o mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele, leitura de versículo do Alcorão e o conselho pelo temor a Allah e deve ser em voz audível para que ouça o número de pessoas presentes.
  6. Proíbe-se falar enquanto o imam realiza o sermão e atravessar entre os ombros das pessoas (sentadas). Ela basta para quem rezou, no lugar de zuhr, e quem alcançar um rakat com imam, teria alcançado a oração de Sexta-Feira. E quem alcançar menos que isso, deve intencionar a oração de zuhr e rezar quatro rakates.

 Oração dos dois Eid’s

 Propósito de sua permissão:

A oração de Eid é um dos símbolos claros da religião e uma das especialidades da nação do Muhammad – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – concretiza-se em agradecimento ao Senhor pelo cumprimento do jejum de Ramadan e a peregrinação na Casa Sagrada de Allah, assim como, no Eid é uma convocação para confraternização e compaixão entre os muçulmanos e um encontro unido e purificação das almas.

 Sua classificação:

A oração de Eid é fardh kifayah; o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – e os sucessores depois dele cumpriam sempre, e é sunnah muakkadah no direito de cada muçulmano e muçulmana e recomendável durante a estadia e não na viagem.

 Suas condições:

Suas condições são como na oração de sexta-feira, excepto nos dois sermões, pois no Eid é facultativo e se realizam depois da oração.

 Seu horário:

A partir do nascer de manhã quando o sol atingir a altura de uma lança até o zawal. Caso não se saiba do Eid, excepto depois de zawal, pois reza-se no dia seguinte como reposição e no seu devido horário.

 Como reza-se a oração de Eid:

A oração de Eid tem dois rakates; conforme o dito de Umar: “As orações dos Eid’s Al-Fitr e Al-Ad’há são dois rakates, completos sem negligenciar a palavra do vosso profeta, e malvado é aquele que forja mentira para o seu profeta (acrescentado ou diminuindo).” (Narrado por Ahmad) E reza-se antes do sermão. No primeiro rakat após o takbiratul ihram e antes de dizer “audhu billahi mina shaitan rajim” (Peço refúgio a Allah contra o satanás, o lapidado) faz-se seis takbirates e no segundo rakat antes da recitação do Alcorão, são feitas cinco takbirates.

 Local de sua realização:

É recomendável observar a oração do Eid num campo aberto e permite-se efectua-la na mesquita quando houver necessidade.

 Sunnates das orações de Eid:

Recomenda-se pronunciar todo tipo de takbir, ou seja, aqueles que não estão restringidos às orações. Pode-se pronunciar em voz audível nas noites dos dois Eid’s; conforme o dito do Altíssimo: << Mas cumpri o número (de dias), e glorificai a Allah por ter-vos orientado, a fim de que (Lhe) agradeçais.>> (Al-Bacara:185). O Imam Ahmad disse: “O ibn Umar pronunciava o takbir em todos dois Eid’s.” E sobre os primeiros dez dias de Dhul Hijjah; o Altíssimo diz: << E invocar o nome de Allah, nos dias mencionados.>> (Al-Hajj:28).                                                                                                             E quanto ao takbir restrito é aquele que acontece após as orações e é específico para o Eid Al-Ad’há, então, para o residente começa a partir da oração de fajr no dia de Arafat até o último dia de tashriiq (13 de Dhul Hijjah).

Recomenda-se aos ma’mum a fazerem o takbir para a oração e o imam atrasa até o horário da oração de Eid. Recomenda-se aos participantes a se higienizarem e a vestirem a melhor roupa, mas as mulheres não podem mostrar seus adornos.

 Sunnates do Eid:

Recomenda-se a antecipação da oração do Eid Al-Ad’há e atrasar a oração de Eid Al-Fitr.                                                                   E é recomendável comer tâmaras (um número impar) antes de sair para a oração do Eid Al-Fitr e permanecer sem comer até depois da oração de Eid Al-Ad’há para comer seu animal sacrificado.

 Oração de pedido de chuva (al-istissqá)

 Propósito de sua permissão:

Allah criou o ser humano e deu uma disposição natural de se dirigir a Ele e recorrer a Ele quando há uma necessidade ou é cercado de dificuldade; al-istissqá é uma dos aspectos naturais claros que levam o muçulmano a recorrer a seu Senhor, pedindo a água quando há necessidade.

 Seu significado:

É pedido de água feito a Allah – Exaltado e Majestoso – para a região e os servos através da oração, súplica e pedido de perdão.

 Sua classificação:

A oração de pedido de chuva é sunnah muakkadah (confirmada de alto grau): o mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – rezou e anunciou para as pessoas, que saíram para o local da oração.

 Seu horário, descrição e suas regras:

É como a oração de Eid.

 Recomenda-se que o imam anuncie o dia da sua realização dias antes:

Ele deve convocar as pessoas a se arrependerem de seus erros diante de Allah, a abandonarem as injustiças, ordenar a prática do jejum e a caridade e deixarem as disputas; porque as obscenidades são a razão da seca, assim como, a obediência (a Allah) é a razão das dádivas e bênçãos.

 Oração do eclipse (Salat Al-Kussúf)

 Definição do eclipse e o propósito de sua permissão:

Eclipse é o desaparecimento da luz do sol ou da lua. Entretanto este fenómeno é um dos sinais de Allah, o Altíssimo, alerta o ser humano para se preparar e a observância a Allah, a recorrência a Ele diante das mudanças das situações, e reflectir no seu grandioso controlo para este Universo. E Ele é o Único que merece a adoração. Quando acontece o eclipse do sol ou da lua, recomenda-se rezar a oração do eclipse em congregação: << E, entre os Seus sinais, contam-se a noite e o dia, o sol e a lua. Não vos prostreis ante o sol nem ante a lua, mas prostrai-vos ante Allah, que os criou, se realmente é a Ele que quereis adorar.>> (Fússilat:37).

 Seu horário:

A partir do período que começa o eclipse até o seu desaparecimento, e não se repõe caso perder-se a sua oração, não existe nenhuma ordem de efectuá-la após o seu desaparecimento, por não haver mais espaço para tal.

 Sua descrição:

São dois rakates, cujo primeiro recita-se em voz audível a surata al-fátiha e outra surata longa, em seguida inclina-se para o ruku onde se permanece por longo tempo, em seguida levanta-se e diz: “samia Allahu liman hamidah – rabbana wa lakal hamdu”; depois se recita surata al-fatiha novamente e outra surata longa, seguidamente se inclina para o ruku e depois se levanta do ruku, em seguida efectua-se duas prostrações longas, depois se reza o segundo rakat igual ao primeiro, que será menos longo em todas as fases; e tem outras descrições mas esta é mais firme e completa, caso rezar-se três rakates, quatro ou cinco, não há nada de erro quando houver necessidade.

 O cortejo fúnebre (Al-Janáiz)

 O ser humano mesmo que tenha longa vida vai morrer:

Desloca-se partindo da morada das acções para a morada da recompensa; e dentre os direitos de um muçulmano para com o outro é de visita-lo quando adoece e acompanhar seu funeral quando morre.

– Recomenda-se visitar o doente fazendo-lhe recordar sobre o arrependimento dos erros e do testamento.

– Recomenda-se aquele que presenciar a morte do agonizante, a direccioná-lo para o quibla, virando ele para o seu lado direito e o rosto em direcção ao quibla, caso não haver dificuldades para tal, ou pode deitá-lo de costas e as pernas para o quibla, levantando um pouco a sua cabeça para direccionar para lá, em seguida instrui-o o testemunho (shahadah): “Lá ilaha illa Allah” (Não há divindade além de Deus).

– Quando o muçulmano morre recomenda-se que fechem seus olhos, juntar sua barba com uma atadura, relaxar suas articulações suavemente, levanta-lo do chão, despir a sua roupa, cobrir a sua nudez e colocá-lo na cama onde será lavado direccionando-o para o quibla sobre o seu lado direito se for possível ou deitado de costas e as pernas direccionadas ao quibla.    

 Lavagem do morto:

A prioridade de quem pode lavar o morto é aquele em que o falecido fez testamento para lavá-lo quando morrer, em seguida seu pai e seu avô e depois seus familiares mais próximos. Se for mulher, a prioridade é quem foi citada no testamento, em seguida a mãe ou a avó, em seguida os familiares dentre as mulheres, permite-se os casais lavarem-se uns aos outros.                                                                                           A condição para aquele que lava o morto é ter juízo, lucidez, confiável e conhecedor das regras do banho.

– Proíbe-se o muçulmano lavar ou enterrar incrédulo, porém joga-o no buraco e cobre-o com o barro caso não existir alguém que faça isso.

 Descrição do banho recomendável para o morto:

Quando começa lavagem deve cobrir a nudez do morto, em seguida levanta sua cabeça como se o colocasse sentado e exprime sua barriga suavemente, e joga água muitas vezes, em seguida ata as mãos com um pano ou usa luvas para limpa-lo, depois faz ablução nele depois de colocar outras luvas ou atar as mãos com um pano, em seguida intenciona o seu banho e diz: “bismillah” (Em nome de Allah) e começa a lavá-lo com água, sidr (planta cheirosa, que em Moçambique é conhecida por maçaniqueira) ou sabão, começa a dar o banho pela cabeça e a sua barba, depois o lado direito e em seguida o esquerdo, em seguida lava-o pela segunda ou terceira vez, como na primeira, caso não estiver limpo lava mais vezes até se purificar. E na última água para o banho mistura a cânfora ou perfume, se seu bigode ou unhas forem longos corta-se e em seguida enxuga-se o corpo com toalha/pano; e se for mulher faz-se três tranças em seu cabelo e coloca-se nas suas costas.

 Procedimentos de vestir a mortalha (kafan) ao morto:

- O recomendável é enrolá-lo em três pedaços de pano branco, coloca-se incenso e em seguida estende-se um sobre o outro, depois coloca-se água perfumada entre os panos e em seguida coloca-se o corpo do morto sobre a mortalha deitado, coloca-se algodão entre as nádegas e por cima dele amarra-se um pano na espécie de uma calça pequena (siriwal) que cobre a sua nudez, este deve ser perfumado junto com o resto do corpo, depois pega a ponta da mortalha superior no lado esquerdo para a ponta esquerda, depois a sua ponta direita sobre a esquerda, depois a segunda e terceira mortalha, e a sobra de pano que fica na parte da cabeça amarra-se na sua face, em seguida ata-se por cima e coloca-se no túmulo. A criança pode ser vestida com uma mortalha ou três. E a mulher é coberta com um pano que cobre da cintura para baixo, em seguida uma espécie de camisa e depois cobre-se com o khimar (pano que cobre parte da cabeça) e dois panos, após isso tudo cobre-se nos dois panos. Para a criança do sexo feminino veste-se com a espécie de camisa e dois panos.

– Permite-se lavar o morto, seja homem ou mulher, uma só vez abrangendo a água em todo o seu corpo e é permitido colocar uma única mortalha que cobre todo o corpo, seja para homem ou mulher.

– O feto quando atinge quatro meses e em seguida morrer, deve dar-se o nome, lavar-se e realizar a oração fúnebre para ele.

 Descrição da oração sobre o morto:

- É sunnah ao se realizar a oração fúnebre, o imam deve parar de frente ao peito do morto, se ele for do sexo masculino, e se o morto for uma mulher, o imam pode parar no meio do corpo; ele pronuncia quatro takbirates levantando as mãos em cada takbir. Ele faz o primeiro takbir, em seguida recita: “Audhu billahi mina shaitan rajim” (Peço refúgio a Allah contra o satanás, o lapidado) e “Bismillah rahmani rahim” (Em nome de Allah, o misericordioso, o Misericordiador) e lê a surata al fátiha em voz baixa e não recita a súplica de abertura; em seguida faz o segundo takbir e diz: “Allahumma śalli alaa Muhámmadin wa alaa aali Muhammad kama śallaita alaa Ibrahim wa alaa aali Ibrahim innaka hamidun majiid. Wa barik alaa Muhámmadin wa alaa ali Muhammad kama barakta alaa Ibrahim wa alaa aali Ibrahima, ínnaka hámidun majiidun.” (Ó Allah! Exalta Muhammad e a família de Muhammad como exaltaste Abrão e a família de Abrão. Em verdade Tu és Saudabilíssimo, Munificente. E abençoa Muhammad e a família de Muhammad como abençoaste Abrão e a família de Abrão, Em verdade Tu és Saudabilíssimo, Munificente).

– Em seguida faz o terceiro takbir e suplica dizendo: “Allahumma agfir lihayyinaa wa mayyitinaa wa sháahidinaa, wa gaa‘íbinaa, wa śaguírinaa wa kabíirinaa, wa dhákarina wa untháanaa, innaka ta’lam munqalibnaa wa mathwaana, wa anta alaa kulli shai’in qadiir. Allahumma man ahiyáitahu minnaa fa‘ahyíihi alaal Islaami wa sunnah, wa man tawaffáitahu minnaa fatawwáfahu alahimaa. Allahumma agfir lahu war hamahu, wa aafihi, wa’afu an’hu wakrim nuzulahu wa wassi’i mudkhalahu, wagsil’hu bil maa‘i wathalji wal baradi, wa naqqihi mina dhunuub wa khataayaa kamaa yunaqqa thaubul ábiad́ mina addanasi, wa abdil’hu dáaran khairan min dáarihi wa zaujan khairan min zaujihi, wa adkhilhul jannata, wa a’idh’hu min adhaabil qabri wa adhaabin naari, wa afssih lahu fi qabrihi wa nawwir lahu fihi.” (Ó Allah, perdoa os nossos vivos e os nossos mortos, aqueles presentes e aqueles ausentes, os nossos pequenos e os nossos idosos, os homens e as mulheres, Tu sabes o nosso retorno e nosso destino no Além e Tu acima de todas as coisas és o Poderoso. Ó Allah, quem Tu mantiveres vivo dos nossos, mantenha-o vivo no Islam e na Sunnah, e quem Tu o levares dos nossos, deixa-o morrer sobre as duas coisas. Ó Allah, perdoa-lhe, e tem misericórdia dele, desculpa-o e perdoa-lhe, faça honrável sua recepção, expanda sua entrada, e lava-o com água, neve e gelo, purifica-o de seus pecados, assim como, é purificada a roupa branca da sujeira. E troca sua casa por uma casa melhor, e sua esposa por uma esposa melhor, faça com que entre no Paraíso. Protege-o do castigo do túmulo, e do castigo infernal, torne espaçoso e ilumine seu túmulo).

– Se o morto for uma criança, após o dito: wa man tawaffáitahu minnaa fatawwáfahu alaihima, deve dizer: “Allahumma ijaal’hu dakharan liwalidaihi, wa faratan wa shafian mujábaa, allahumma thaqqil bihi mawazinihima wa aadhmi bihi ujuurahuma wa al’hiquhu bissaleh salaf al-muminun, wa jalahu fi kafaalat Ibrahim, waqhu birahmatika adhaabal jahim.” (Ó Allah! Faça dele uma recompensa e uma provisão para seus pais, e também um intercessor que seja aceite. Ó Allah! Através dele faça a balança de seus pais, pesada de boas acções e aumente através as suas recompensas e junte-o com os crentes virtuosos, e coloque-o sob os cuidados de Abrão e através da Tua misericórdia afasta-lhe do castigo infernal).

– Em seguida faz o quarto takbir e permanece um instante e depois efectua único taslim sobre o lado direito.

 Méritos da oração fúnebre:

Para aquele que realiza a oração fúnebre tem quilates de recompensas, e a cada quilate equivale a monte Uhud, se seguir o cortejo fúnebre até ao enterro, ganha dois quilates.                                                                                                           – Recomenda-se que quatro homens carreguem o corpo do morto, e que um homem segure um dos quatro cantos da cama\caixão. Recomenda-se a apressar com o defunto e que os pedestres fiquem a frente e os que estão montados\em carros venham atrás.

 Descrição do túmulo e o enterro e o que é proibido nos túmulos:

É preciso que o túmulo seja profundo, quando atingir-se o fundo do túmulo cava-se outro buraco direccionado ao quibla, lugar onde será colocado o corpo do morto, é denominado “allahdu” e é melhor que a abertura nos lados do túmulo. Aquele que entra no túmulo para colocar o corpo do morto deve dizer “Bismillah wa alaa milat rassulullah” (Em nome de Allah, sobre o método do mensageiro de Allah), coloca o corpo no buraco cavado dentro do túmulo virado pelo lado direito e direccionando-o para o quibla, em seguida passa-se sobre ele uma massa concentrada/barro molhado, em seguida enterra-se e eleva-se o túmulo em relação a terra na altura de um palmo e rega-se com água.                                                                        

- É proibido fazer uma construção nos túmulos. Caiá-los e pisar neles, realizar a oração sobre elas e transforma-los em mesquita, pedir bênçãos e se esfregar neles, colocar luzes sobre eles, espalhar flores e dar voltas sobre eles.

– Recomenda-se preparar comida e enviar-se para os familiares do falecido e detesta-se que eles cozinhem para oferecer as pessoas.

– Recomenda-se para aquele que visita o túmulo a dizer: “Assalamu alaikum daara qaumu mu‘miníína innaa in shaa‘a Allah bikum laahiquuna, yarhamullah al-musstaqdimina min’kum wal mussta’khirin, nas‘álu Allaha lanaa wa lakumul áafiiata, allahumma la tuharrim’na ajirahum wala tuftina badahum, wagfir lana wa lahum.” (Que a paz esteja com todos vocês, ó habitantes dos túmulos aqueles dentre os crentes. Em verdade, assim que Allah queira, nós lhes seguiremos; Que tenha misericórdia daqueles que adiantaram entre vós e os últimos; nós imploramos a Allah por nosso e seu bem estar! Ó Allah, não nos prive da Tua recompensa e nãos nos desvie após ele! Perdoe-nos e a eles!).                                                                              

– Recomenda-se consolar os familiares do falecido antes e depois do enterro, até três dias com respectivas noites, excepto se for ausente.                                                                               

– Recomenda-se para aquele que é assolado com uma desgraça a dizer: “Inna lillahi wa innaa ilaihi raajiuuna. Allahumma ajurnii fii muśiibatii wakhluf lii khairan min’haa”. (Nós pertencemos a Allah, e a Ele retornaremos, ó Allah recompensa-me por minha aflição, e troca-a para mim por algo melhor).

– Permite-se chorar sobre o falecido e proíbe-se rasgar a roupa ou se esbofetear e elevar a voz ou algo parecido.

 3- O ZAKAT (CARIDADE OBRIGATÓRIA)

- Regras do zaka

- Zakatul Fitr

O terceiro pilar dentre os pilares do Islam

O zakat

 Propósito da permissão do zakat: Um dos propósitos da permissão do zakat é o seguinte:

1. Purificação do espírito dos humanos da avareza, mesquinhez, da maldade e a ganância.                                             2. Conforto para os pobres, preencher as necessidades dos pobres, miseráveis e desfavorecidos.

3. Estabelecer o bem de uma maneira geral, sobre o qual se mantém a vida da nação e sua felicidade.

Limitar o acumulo da riqueza diante dos ricos e nas mãos dos comerciantes profissionais para que esta riqueza não se mantenha num grupo restrito ou existir um país entre ricos.

 Definição de zakat:

É uma quantia que se deve tirar para seus merecedores nos bens que atingiram um certo nissab (quantidade mínima sobre qual começa a se calcular o zakat) com condições específicas.

É uma purificação do servo e dignificação do seu espírito; a respeito disto Deus, O Altíssimo diz: << Toma de suas riquezas uma caridade, com que os purifiques e os dignifiques.>> (Taubah:103).

 O lugar do zakat no Islam:

É um dos cinco pilares do Islam, que aparece junto com a oração (salat) em muitas passagens no Alcorão.

 Classificação do Zakat:

O zakat é uma obrigação de Allah sobre todo muçulmano, que atingiu o nissab dos bens e com suas condições. Allah obrigou no Seu Livro e o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – tomou e ordenou a se levar o zakat daqueles que tem obrigatoriedade de paga-lo, seja adulto ou criança, homem ou mulher, saudável ou tolo ou maluco; o Altíssimo diz: << Toma de suas riquezas uma caridade, com que os purifiques e os dignifiques.>> (Taubah:103). E o seu dito: << Ó fiéis, contribuí com o que de melhor tiverdes adquirido, assim como, com o que vos temos feito brotar da terra.>> (Al-Bacara:267). << E cumpri a oração e concedei o zakat.>> (Al- Muzammil:20) E o mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele - disse: “O Islam foi erguido sobre cinco pilares: prestar testemunho que não existe divindade senão Allah e que Muhammad é mensageiro de Allah, o cumprimento das orações, o pagamento do zakat, a peregrinação a Casa Sagrada e o jejum de Ramadan.” (Bukhari e Muslim).

 Os bens no qual há obrigação de zakat:

Os bens, nos quais, há obrigatoriedade de se pagar o zakat são quatro:

Bens que tenham valor (ouro, prata, títulos), o gado que pasta livremente, a produção da terra e bens comercializados.

 bens que tenham valores, que são: o ouro, a prata e os títulos:

Há obrigação de zakat quando atinge 25 mithqal, que equivale a ¼. E há obrigação de zakat de prata quando atinge 200 dirham, que equivale a ¼.

Os títulos actuais acções ajustam-se com base no valor, se um dos fundos atingir o nissab, há obrigação de zakat e sua estimativa é de  ¼ caso ter concluído o haul (conclusão de 1 ano na posse do bem).

 Zakat do gado que pasta livremente:

Há obrigação de zakat sobre os camelos, bovinos e ovinos, caso estes pastem livremente um ano ou na maior parte do ano no deserto ou em locais baldios permitidos; quando atingirem o nissab e ter concluído o haul, tira-se o zakat se forem para a produção de leite e reprodução; como vem o seguinte:  

a-       Acções de ovelhas:

De 40 a 120 tira-se um shah (cabrito que tem seis meses completos). De 121 a 200 tira-se duas shah (cabritos). 201 tira-se três shah. Em seguida a cada 100 tira-se uma ovelha.

b-      Acções das vacas:

De 30 a 39 tira-se um tabii ou tabiiah (vaca que tem um ano completo). De 40 a 59 tira-se um mussinnah (vaca que tem dois anos). Se chegar 60, tira-se dois tabii. Em seguida a cada 30, tira-se tabii e a cada 40 tira-se mussinnah.

c-       Acções de camelos:

De 5 a 9, tira-se ovelha. De 10 a 14, tira-se duas ovelhas. De 15 a 19, tira-se três ovelhas. De 20 a 24, tira-se quatro ovelhas. De 25 a 35 tira-se um bint makhadh (camela de um ano). De 36 a 45, tira-se um bint labun (camela de dois anos). De 46 a 60, tira-se um huqqa (camela de três anos). De 61 a 75, tira-se jizh’a (camela de quatro anos). De 76 a 90, tira-se duas bint labun. De 91 a 120, tira-se dois huqqa. De 121, tira-se três bint labun.

Em seguida a cada 40 camelos, tira-se bint labun,e a cada 50, tira-se huqqa.

– Se o gado que pasta livremente (camelos, bovinos e ovinos) for reservado para o comércio e produção e ter completado o haul, deve ajustar-se e pagar-se zakat do seu valor na quantia de ¼.

Se não forem para o comércio, não há obrigação de zakat.

– Não se leva para a caridade, excepto a fêmea, e não é permitido o macho excepto no zakat de gado bovino, ibn labun (camelo de 2 anos), ou huqqa, ou jizh’a no lugar de bint makhadh ou se todo nissab for de machos.

 3- Zakat da produção da terra:

Há obrigação de zakat para todos grãos e todos frutos que podem ser medidos e armazenados, como as tâmaras e passas, e considera-se que atingiu o nissab na quantia de 300 saah (medidas da mão) que equivale a 624 quilogramas.

– Junta-se frutos colhidos no mesmo ano uns aos outros para completar o nissab se forem da mesma espécie, como o tipo de tâmaras.

 A obrigação no zakat de grãos e frutos:

1. Aquilo que foi produzido sem trabalho de irrigação, como as chuvas paga-se 10% de zakat.

2. A produção que foi irrigada com gasto ou esforço das águas do poço paga-se 5% de zakat.

3. Aquilo que às vezes foi irrigado com gasto/esforço e às vezes sem gasto/esforço, paga-se 7,5% de zakat.

– Há obrigação do zakat quando o grão está pronto e o fruto está maduro.

– Não há cobrança de zakat dos legumes e vegetais, excepto quando forem comercializados, paga-se 2,5% quando tiver completado o haul e atingir o nissab. – Aquilo que se retira do mar como pérolas, corais e peixe, não há cobrança de zakat neles, mas quando são preparados para a comercialização, paga-se zakat de seu valor na quantia 2,5% se atingir o nissab e ter completado o haul.

“Al-Rikaazi” são bens enterrados no subsolo. A obrigação de seu zakat é de 1/5, seja pouco ou muito. Tira-se em benefício dos muçulmanos a mesma quantidade que se tira no espólio e o restante é para aquele que encontrou-os.

 4- Zakat sobre bens destinados ao comércio:

Bens destinados ao comércio são aqueles que foram preparados para a venda e compra para adquirir lucro, entre imóveis, animais, alimentos, bebidas, máquinas e algo parecido.

Os bens destinados ao comércio quando atingem o nissab e completam o haul há obrigação de zakat e converte-se para o mais favorável (nisab da prata) para os pobres, tirando-se 2,5% do valor completo, e permite-se tirar zakat de 2,5% dos próprios bens de comércio.

– Se tiver a intenção de utilizar os bens destinados ao comércio e não o comércio, não há cobrança de zakat sobre eles.

– O haul dos resultados da pecuária e o lucro do comércio é o haul da sua essência se for o nissab.

 As condições para a obrigatoriedade de zakat:

 Há obrigatoriedade de zakat para todo:

1-      Livre (que goza de liberdade ou seja não é escravo).

2-      Muçulmano.

3-      Atingir o nissab.

4-      Propriedade completa e estável.

5-      Ter concluído o haul (ano completo na posse do bem), salvo a produção da terra ou o al-rikaazi (bens achados no subsolo).

 Pagamento de zakat

 Período de pagamento de zakat:

O zakat deve ser pago imediatamente, como as promessas e penitências; pois a ordem é absolutamente imediata; entre ela: << E concedem o zakat.>> (Al-Bacara:277).                                          

E pode atrasar de pagar para um tempo necessário e para um familiar ou vizinho.

 Classificação pela sua proibição:

Aquele que contesta a obrigatoriedade do zakat, tendo conhecimento e propositadamente, se torna desobediente, mesmo pagando; por ter desmentido a Allah, a seu mensageiro e a unanimidade da nação. Caso voltar-se arrependido é aceite seu pedido de perdão, caso não, é combatido. E aquele que nega o seu pagamento por avareza e negligência toma-se dele e é punido consoante a sentença do Juiz por ter cometido acto ilícito.

De salientar que o tutor paga o zakat para a criança e o maluco.

 O que é recomendável durante o seu pagamento:

  1. Recomenda-se mostrar o pagamento de zakat para banir as acusações.
  2. Que ele próprio separe o zakat para certificar que chegou aos seus merecedores.
  3. Ao pagar deve dizer: “Allahummah ijal’há maghnaman wala tajal’há maghraman.” (Ó Allah! Torne-o sucesso e não o torne uma perda!).
  4. Recomenda-se que o recebedor diga: “Ajiraka Allah fiima aataita. Baaraka laka fiima abqaita wa jaalahu lakatahuura.” (Que Allah recompense pelo que você deu. Abençoe para si daquilo que restou e torne para si puro).
  5. Recomenda-se pagar para os familiares mais próximos sendo pobres que suas condições não cobrem tudo.

 Merecedores do zakat:

Os merecedores permitidos a se pagar o zakat para eles são oito, que são os mencionados no dito do Altíssimo: << As esmolas são tão-somente para os pobres, para os necessitados, para os funcionário empregados em sua administração, para aqueles cujos corações têm de ser conquistados, para a redenção dos escravos, para os endividados, para a causa de Allah e para o viajante; isso é um preceito emanado de Allah, porque é Sapiente, Prudentíssimo.>>

E são os seguintes:

1.         Os pobres: são aqueles que não encontram o suficiente para eles.

2.         Os necessitados: são aqueles que encontram mais que o suficiente ou a metade.

3.         Empregados na sua administração: são os que mantém e protegem (o zakat) caso não tenham salário.

4.         Aqueles cujos corações têm de ser conquistados: são os líderes de um certo povo, os quais, há esperança de se converterem ao Islam, ou parar com a maldade, ou ao ser dado o zakat espera-se fortificar a fé deles ou conversão de seu correspondente.

5.         Os escravos: são aqueles alforriados que se libertaram de seus senhores.

6.         Os endividados, que são de dois tipos: Os endividados que querem resolver algum problema familiar e o endividado por si mesmo, aquele que contrai a dívida e não tem como pagar.

7.         Pela causa de Allah: são os combatentes voluntários que lutam no caminho de Allah e fazem a divulgação pela causa de Allah, e aquilo que pode os auxiliar para manter o seu trabalho.

8.         O viajante (filho do caminho): viajante que interrompeu sua viagem por esgotar ou perder aquilo que possuía e não tem o suficiente para chegar a seu país.

 Zakatul Fitr

 Seu propósito:

Dentre os propósitos do zakatul fitr: é de este purificar o espírito do jejuador daquilo que pode ter relacionado dentre os vestígios de pecado e obscenidade, assim como, sustenta os pobres e necessitados, impedindo assim que estes mendiguem no dia de Eid.

 Sua quantidade e o tipo de alimentos que se tira para o zakatul fitr:

A quantidade do zakatul fitr é um “saah”, e o saah são quatro mãos cheias, e o saah equivale a aproximadamente três quilos. Geralmente tira-se o alimento que é básico na região, seja trigo, tâmaras, arroz, uvas secas ou queijo.

 Período de sua obrigação e o horário que deve se doar:

Há obrigatoriedade de doar o zakatul fitr na entrada da noite do dia de Eid. Os períodos de sua doação: Permite-se a sua doação por um ou dois dias antes do Eid, como fez o ibn Umar. E o melhor horário de seu cumprimento é a partir da aparição da aurora no dia de Eid até pouco antes da oração de Eid, assim como, ordenou o mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – que se doe o zakatul fitr antes das pessoas saírem para a oração.

 Quem é obrigado a pagar o zakatul fitr:

É obrigatório para todo muçulmano livre ou escravo, homem ou mulher, criança ou adulto. Doar aquilo que sobra de alimento de seu dia e noite, e recomenda-se pagar pelo feto que está no ventre da mãe.

 Dispêndio do zakatul fitr:

O dispêndio do zakatul fitr é como o restante das caridades, porém os pobres e necessitados tem mais prioridade em receber do que o resto de grupos; conforme o dito do profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – “Doem para eles para que não saiam pedindo nesse dia.”

 4- O JEJUM

- Sua classificação e suas regras

O quarto pilar dentre os pilares do Islam

O jejum de Ramadan

Definição do jejum e a data de sua obrigação:

 Definição do jejum:

O jejum no sentido linguístico: significa abstinência. E no sentido restrito da shariah: abstinência de comer, beber, de manter relações íntimas e os restantes dos aspectos que invalidam o jejum a partir do raiar da aurora até ao pôr-do-sol, com a intenção de devoção.

 Data em que se revelou a obrigação do jejum:

Allah – o Exaltado e o Majestoso - obrigou o jejum para a nação do Muhammad – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – assim como fez com as nações anteriores; conforme o seu dito: << Ó fiéis, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito à vossos antepassados, para que sejam tementes.>> (Al-Bacara:183). Isso foi no sagrado mês de Shában no segundo ano da migração.

 Benefícios do jejum:

O jejum traz benefícios para a alma, sociais e para a saúde, que são:

Entre os benefícios do jejum para a alma, ele faz acostumar a se ter paciência e a fortifica, ensina-a a ter autocontrolo e ajuda-a e faz existir no espírito de manter o temor e sua educa-a.

– E dentre os benefícios do jejum na sociedade é dele fortificar a nação através da ordem e união, o amor pela justiça e igualdade, e constitui nos crentes uma paixão e compaixão e cria a bondade, assim como, protege a sociedade dos males e da corrupção.

– Dentre os benefícios do jejum para a saúde, ele purifica os intestinos e o estômago, limpa os resíduos e sedimentos do corpo, diminui a impulsão da gordura e o peso da barriga.

 Confirmação do mês de Ramadan:

Confirma-se a chegada do mês de Ramadan através de uma das situações:

A primeira é completar o mês anterior que é o Shában, quando este mês completar 30 dias, então o dia 31 é o primeiro dia de Ramadan.

A segunda é o aparecimento da lua nova, quando a lua de Ramadan aparecer na noite de 30 de Shában, então, o Ramadan já chegou e há obrigatoriedade de se jejuar; conforme o dito do Altíssimo: << Quem de vós presenciar esse mês deverá jejuar.>> (Al-Bacara:185). E o dito do mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – “Quando visualizarem a lua nova, então jejuem, e quando aparecer novamente (mês seguinte) então interrompam o jejum, caso tiverem dúvidas de seu aparecimento, completem a contagem 30 dias.” (Bukhari, Muslim, Nassai e Ahmad). Quando os moradores de uma região visualizarem a lua devem jejuar, pois, onde a lua nasce é diferente de uma região para outra. Por exemplo: Onde a lua nasce na Ásia, é diferente da Europa e onde a lua nasce na África, é diferente da América; por isso para cada povo de um território ou província tem uma regra específica para eles, mas se todos muçulmanos nestes territórios da terra jejuarem por uma única visualização da lua, isso será dentre os bens do Islam e demonstração de unidade, união e fraternidade.

E se confirmar a visualização da lua de Ramadan basta uma testemunha ou dois justos, pois o mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – permitiu que um homem confirma-se a visualização da lua de Ramadan. (Narrado Muslim). E quanto a visualização do mês de Shawwal para a interrupção do jejum, só se confirma com duas testemunhas íntegras, pois o mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – não permitiu a confirmação de uma testemunha na visualização da lua do mês de Shawwal. (Narrado por Muslim).

 Obrigatoriedade do jejum de Ramadan:

Jejuar o mês de Ramadan é uma obrigação segundo o Alcorão, a sunnah e por unanimidade da nação, e é um dos pilares do Islam; o Altíssimo diz: << O mês de Ramadan foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e evidência de orientação e Discernimento. Por conseguinte, quem de vós presenciar esse mês, que nele jejue.>> (Al-Bacara:185).

E o dito do mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -: “O Islam foi erguido sobre cinco pilares: prestar testemunho que não existe divindade digna de ser adorada senão Allah e que Muhammad é mensageiro de Allah, o cumprimento das orações, o pagamento do zakat, a peregrinação a Casa Sagrada e o jejum de Ramadan.” (Bukhari e Muslim).

 Pilares do jejum:

  1. A Intenção: que é determinar o coração a jejuar cumprindo a ordem de Allah – o Exaltado, o Majestoso - e uma aproximação a Ele; conforme o dito do mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -: “As obras são determinadas pelas intenções”. (Bukhari e Muslim).
  2. A abstinência: que é abster-se de comer, beber e as relações sexuais (durante o dia).
  3. O período: o referido é ao longo do dia, que é desde o raiar da aurora até o pôr-do-sol.

 Condições para a obrigatoriedade do jejum:

Para a obrigatoriedade do jejum há quatro condições:

1.       O Islam.

2.       Atingir a puberdade.

3.       Ter juízo.

4.       Ser capaz de jejuar.                                                                          

  E uma condição para a validade do jejum da mulher é de estar purificada da menstruação ou sangramento pós-parto. 

 Condições para a validade do jejum:

  1. O Islam.
  2. A intenção a partir da noite.
  3. Ter juízo.
  4. A lucidez.
  5. Terminar o período menstrual.
  6. Terminar o sangramento pós-parto.

Sunnates do jejum (sunane saum) são:

1-      Antecipar quebra do jejum logo que certifica o pôr-do-sol.

2-      Quebrar o jejum com tâmaras frescas ou tâmaras secas e água, no entanto, o melhor entre estes três, o primeiro e último, o mais simples é a água. Recomenda-se que quebre o jejum comendo as tâmaras em um número ímpar: três, cinco ou sete.

3-      A súplica durante a quebra do jejum; o mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – durante a quebra do jejum dizia: “Allahumma laka sum’na wa alaa rizquika aftarna, fataqabbal minnaa innaka anta samiiu al-aliim.” (Ó Allah! Para Ti jejuamos e sobre Teu sustento quebramos o jejum. Aceite de nós, na verdade Tu és o Omnisciente, o Sábio). Abu Daud.

4-      O sahur: que é a alimentação e a bebida que se come nas últimas horas da noite com a intenção de jejuar.

5-      Atrasar o sahur para última parte da noite.

 Aspectos detestáveis no jejum:

Detesta-se para o jejuador alguns aspectos que levam a corromper o jejum, mesmo que na realidade não o corrompem; e os tais aspectos são:

  1. Exagerar ao aspirar e inspirar a água durante a ablução.
  2. O beijo, pois pode provocar um prazer correndo o risco de corromper o jejum através da libertação de “madhi” (fluído que sai nas preliminares) ou levar a relações sexuais que obrigará a penitência.
  3. Fixar o olhar na esposa com prazer.
  4. Reflectir em assuntos de relações sexuais.
  5. Acariciar a mulher com a mão ou com o corpo.

 Razões aceitáveis para interromper o jejum:

1-      Deve interromper o jejum a mulher no período menstrual e pós-parto.

2-      Aquele que deseja salvar alguém da morte por afogamento ou algo parecido.

3-      O viajante, cujo tem a permissão de abreviar as orações, então, recomenda-se interromper o jejum.

4-      O doente que teme-se o agravamento.

5-      Residente que viaja durante o dia, o melhor é não interromper o jejum, para sair da divergência.

6-      Mulher grávida ou que está amamentando, que temem pela saúde delas ou dos bebes; se eles interrompessem o jejum temendo somente para seus bebes, o tutor delas deverá alimentar o necessitado por cada dia, e contudo elas devem fazer reposição desse jejum.

 Aspectos que anulam o jejum:

  1. A apostasia.
  2. A morte.
  3. Intencionar quebrar o jejum.
  4. A hesitação dentro do jejum (se queira quebra-lo ou completar).
  5. Vomitar deliberadamente.
  6. Medicação nas veias através de injecções com substâncias nutritivas.
  7. Saída do sangue menstrual ou sangramento pós-parto.
  8. Engolir o catarro quando chega na boca.
  9. O hijamah (tratamento que consiste em extrair sangue em qualquer parte do corpo): Aquele que faz e aquele que é feito esse tipo tratamento.
  10. Libertar espermatozóides por olhar repetidamente na mulher.
  11. Saída de espermatozóides ou madhi através de beijos ou carícias ou masturbação ou acariciar fora da parte intima.
  12. Tudo que chegar no estômago, na garganta, no cérebro, dentre líquidos e outros.

 Exortações:

 Aquele que mantiver relações sexuais durante o dia tem a obrigação de repor esse dia e a penitência, se for propositado. Se for por esquecimento, seu jejum é válido não precisará reposição e nem a penitência.

Se a mulher for forçada a manter relações sexuais ao longo do dia no mês de Ramadan ou se ela for ignorante ou esquecer, o seu jejum é válido. Se for forçada terá apenas a obrigação de repor o jejum; e caso ela consentir deliberadamente terá que repor e cumprir a penitência (após o fim do Ramadan).

A penitência é: libertar um escravo, se não tiver condições deve jejuar dois meses consecutivos, se não conseguir deve alimentar sessenta necessitados, se não tiver condições para tal, descarta-se sobre ele (essa acção).

Se o homem mantiver relações íntimas com a sua esposa, e não haver a penetração no órgão genital feminino, ele deverá fazer a reposição do jejum desse dia e se arrepender diante de Allah, o Altíssimo.

Recomenda-se repor o jejum de Ramadan imediatamente de forma contínua, se deixar até depois do Ramadan seguinte sem nenhuma razão, para além da reposição deve alimentar necessitados por cada dia.

Aquele que morrer devendo o jejum de promessa ou peregrinação (hajj) de promessa; deve ser reposto pelo seu tutor.

 O recomendável, o detestável e o proibido dentre o jejum:

 O recomendável dentre o jejum:

Recomenda-se jejuar os seguintes dias:

- Dia de Arafat, para quem não é peregrino, que é no dia 09 de Dhul Hijjah.

- Jejum nos dias 09 e 10 ou 10 e 11 do mês de Muharram.

- Seis dias de Shawwal.

- Primeira metade do mês de Shában.

- Primeiros dez dias do mês de Dhul Hijjah.

- Mês de Muharram.

- Os dias brancos: sãos os dias 13, 14 e 15 de cada mês islâmico.

- Segunda-feira e quinta-feira.

- Jejuar dias alternados.

- O jejum para os solteiros que não têm condições para casar-se.

 Dentre o jejum detestável:

- Jejum no dia de Arafat para o peregrino que está presente no local.

- Jejuar especificamente o dia de sexta-feira.

- Jejuar último dia de Shában.

O sentido de ser detestável o jejum nesses dias é um no sentido de desencorajamento e não de proibição.

E o jejum seguinte detesta-se por proibição:

  1. Al-Wissaal é jejuar dois dias ou mais consecutivamente sem quebrar o jejum.
  2. Jejuar no dia duvidoso.
  3. Jejuar o ano inteiro sem interrompe-lo.
  4. Jejum da mulher sem permissão do marido enquanto está presente; refere-se ao jejum facultativo.

 O jejum proibido:

É o jejum nos seguintes dias:

  1. Jejum no dia de Eid, seja al-fitr ou ad’há.
  2. Dias de tashriiq (11, 12 e 13 de Dhul Hijjah) para o não mutamatti’um (aquele que intencionou hajj tamattu’um), que não encontrou fidiah.
  3. No período menstrual ou pós-parto.
  4. Jejum do doente que teme sua própria morte.

 5 - O ITIKAF E SUAS REGRAS   Seus tipos e condições   O itikaf (Retiro na mesquita)

 Sua definição:

- O itikaf no sentido linguístico: significa permanência e persistência no local e confinamento.

- E no sentido restrito da shariah: é a permanência na mesquita para adoração com intenção específica e de forma específica.

 Propósito de sua permissão:

  1. No itikaf o coração se livra dos assuntos mundanos por ocupar-se e dedicar-se na adoração a Allah e sua lembrança.
  2. Entregar a alma ao Senhor – o Exaltado, o Majestoso – para atestar seu assunto a Allah e permanecer na porta de sua graça e misericórdia.

 Divisões do itikaf:

O itikaf divide-se em vários tipos que são:  

  1. O obrigatório: que é o prometido; quando a pessoa diz por exemplo: Se eu vencer em um certo acto permanecerei no itikaf três dias. Ou se eu conseguir esta acção permanecerei no itikaf...e assim.
  2. Sunnah al-muakkadah: o melhor deste acontece nos últimos dez dias de Ramadan.

 Pilares do itikaf:

1-      A pessoa que faz o itikaf: pois o itikaf é uma acção e é preciso que haja o praticante.

2-      A permanência na mesquita: conforme o dito de Aly – Que Allah esteja satisfeito com ele – “Não há itikaf, excepto na mesquita que se reza em congregação.” Porque quando a pessoa está na mesquita onde se pratica orações congregacionais estará bem preparado para cumprir as orações da melhor maneira e ainda mais em congregação.

3-      Lugar de itikaf: é o espaço que a pessoa se encontra dentro da mesquita para realizar o itikaf.

 Condições gerais para validade do itikaf:

  1. Que a pessoa que realiza o itikaf seja muçulmano, não é válido do incrédulo.
  2. Que a pessoa seja lúcida, não é válido maluco ou criança.
  3. Que aconteça numa mesquita que se reza em congregação, isso para os homens.
  4. Que a pessoa esteja purificada do janabah (impureza Por manter relações sexuais), da menstruação e o sangramento pós-parto.

 Os seguintes aspectos invalidam o itikaf:

1-      As relações sexuais, mesmo que não haja ejaculação; conforme o dito do Altíssimo: << E não vos junteis a elas, enquanto estiverdes em retiro nas mesquitas.>> (Al-Bacara:187).

2-      Preliminares.

3-      O desmaio e a loucura, seja por intoxicação, ou outros.

4-      A renúncia do Islam.

5-      Sair da mesquita sem nenhuma razão.

 As razões plausíveis para retirar-se da mesquita (durante o itikaf):

- As razões que permitem a pessoa sair do seu itikaf (retiro) divide-se em três tipos:

  1. Razões da shariah:
  2. Como a saída para a oração de sexta-feira ou oração de Eid, caso a mesquita que se realiza o itikaf não se reza a oração de sexta-feira ou de Eid. A prova disso é que o itikaf considera-se uma aproximação a Allah, Glorificado seja, abandonando as obscenidades, e deixar as orações de sexta-feira e de Eid é pecado e contradiz com a adoração de itikaf.
  3. Razões naturais:

Como urinar e as necessidades fisiológicas, ou janabah (impureza) por sonho molhado, caso não haja possibilidades de tomar banho na mesquita. Mas isso com a condição de permanecer fora da mesquita de acordo o atendimento da sua necessidade.

  1. Razões ocasionais:

Como se teme-se perder seus bens ou teme que seu material se estrague. Ou teme pela sua própria morte ou prejuízo caso permaneça no itikaf.

 A PEREGRINAÇÃO (HAJJ)

- Regras da Peregrinação

- O Um’rah e suas regras

O quinto pilar dentre os pilares do Islam

A peregrinação (Hajj)

 Significado de Peregrinação

 O nível da Peregrinação no Islam.   

A peregrinação é o quinto pilar dentre os cinco pilares do Islam, tornou obrigatório no nono ano da migração (hijri). A respeito da peregrinação, Deus O Altíssimo diz: << E por Allah, impende aos homens a peregrinação a Casa, a quem até ela pode chegar.>> (Al-Im’ran:97). E o mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – disse: “O Islam foi erguido sobre cinco pilares: prestar testemunho que não existe divindade senão Allah e que Muhammad é mensageiro de Allah, o cumprimento das orações, o pagamento do zakat, a peregrinação a Casa Sagrada e o jejum de Ramadan.” (Bukhari e Muslim).

 Classificação da Peregrinação:

A Peregrinação é uma obrigação de Allah sobre seus servos, ao menos uma vez na vida; conforme o dito do profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – “A peregrinação é uma vez, e aquele que realizar mais vezes é facultativo.” (Abu Daud e Ahmad).

E Hajj (Peregrinação) significa: intencionar ir a Meca para uma acção específica e no período específico. 

 Um’rah:

Significado de Um’rah: A um’rah no sentido linguístico significa visita. E no sentido restrito da shariah: são práticas específicas observadas em seus locais específicos.

Sua classificação: É obrigatório realizar uma vez na vida.

 Propósito da permissão da Peregrinação e Um’rah:

Entre os propósitos da peregrinação e um’rah, é a purificação do espírito de vestígios de pecado para que seja bem-vinda para a dignidade de Allah, o Altíssimo, na vida do Além; conforme o dito do profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – “Aquele que realizar a peregrinação nesta Casa e abster-se da obscenidade e da depravação, voltará (da peregrinação) como o dia em que nasceu.” (Bukhari e Muslim).

 Condições para a obrigatoriedade da Peregrinação e Um’rah:

Para a obrigatoriedade da peregrinação deve-se reunir as seguintes condições:

  1. Islam (ser muçulmano).
  2. Ter juízo.
  3. Atingir a puberdade.
  4. Ser capaz (financeira e fisicamente), que é existência de alimento e transporte suficientes.
  5. Liberdade completa.
  6. Acrescenta-se a sexta condição para a mulher, que é de ser acompanhada por mahram; se realizar a peregrinação sem mahram, comete pecado, mas, a sua peregrinação é válida.

- Se a criança realizar a peregrinação é válida como facultativa, e quando atingir a maturidade tem o dever de realizar novamente a peregrinação obrigatória do Islam.

– A pessoa que morre sem realizar a peregrinação, tendo condições, deve-se extrair da sua herança, bens para alguém realizar a peregrinação em seu nome.

– Ninguém pode realizar a peregrinação do outrem, sem antes realizar para si mesmo; e é válido realizar a peregrinação ou um’rah facultativos para alguém capaz ou incapaz.

 Tipos de rituais:

1.       Um’rah mufridah.

2.       Hajj mufrid.

3.       Hajj e Um’rah maqrunan.

4.       Um’rah mutamattian biha ilaa al-hajj. 

- Quanto a um’rah al-mufridah são todos dias do ano. E a melhor um’rah é a que se realiza junto com a peregrinação ou no mês de Ramadan.

– Quanto ao hajj mufrid é intencionar somente para a peregrinação, sem ligação com a um’rah antecipada realizada juntos.

– Quanto ao qiran é intencionar o ihram para a peregrinação e um’rah juntos, introduzindo as acções, uma nas outras, basta realizar uma vez o tawaf (sete voltas ao redor do kaaba) e realizar uma vez o saii (sete percorridas entre as colinas de safá e marwah) para a peregrinação e a um’rah.

– E o tamattu’un é o melhor dos rituais: que é intencionar o ihram para o Um’rah nos meses de Hajj, realiza o tawaf (circundar a aaaba), o saii (percorrer entre as colinas de Safaa e Marwah) em seguida sai do estado de ihram (tahallul); e no dia 08 de Dhul Hijjah intenciona o ihram para Hajj no seu período e no mesmo ano, cumprindo as acções da peregrinação dentre o tawaf, saii e a parada (no Arafat) e outras. E aquele que intenciona o hajj tamattu’un ou qiran tem obrigação de realizar o haddi (sacrificar animal para oferecer aos necessitados).

 Pilares da peregrinação e a um’rah:

- A peregrinação tem quatro pilares que são: o ihram, o tawaf, o saii e a parada no Arafat. Caso faltar um desses pilares invalida a peregrinação.

– A um’rah tem três pilares que são: o ihram, o tawaf e o saii, não se complementa, excepto com estes. Os detalhes desses pilares são da seguinte maneira:

 1. Primeiro pilar: O ihram:

Que é a intenção para iniciar um dos dois rituais: a peregrinação ou a um’rah após ter vestido a roupa de ihram e se livrado a roupa com costuras.

 As obrigações do ihram são três:

1-      O ihram a partir do miqaat: que é o lugar que a shariah determinou para realizar a intenção (vestir o ihram), e não é permitido atravessar sem o ihram para aquele que deseja realizar a peregrinação ou a um’rah.

2-      Livrar-se da roupa costurada: o homem não pode vestir túnica, nem camisa, nem capuz, nem se cobre com imamah (espécie de lenço para homens) e não cobre a cabeça. Nem veste khuffu (espécie de meias de couro), excepto se não tiver chinelos/sandálias. A mulher não veste niqab (véu que deixa abertura nos olhos) e nem luvas.

3-      Talbiah são as frases: “Labbaika allahumma labbaika, labbaika la shariika laka labbaika, innal hamda wan ni’imata laka wal mulk la shariika laka.” (Aqui estou ó Allah, atendi ao Teu chamado; aqui estou, não tens sócio, ó Allah, aqui estou; certamente todo o louvor, toda a graça, a Ti pertencem, e também o reino; não tens sócio). O muhrim (pessoa que está vestido de ihram) profere essas palavras quando está no miqaat antes de atravessar, recomenda-se repeti-las e elevar a voz no caso dos homens. Deve renovar o talbiah em todas ocasiões de descer, subir (no carro), realizar as orações e ao terminar, quando se encontra com os companheiros. Interrompe-se o talbiah na um’rah quando começa o seu tawaf e interrompe-se na peregrinação no apedrejamento de jamuratul aqabah.

 Segundo pilar: O tawaf:

 Tawaf é o acto de circundar o kaaba sete voltas e tem sete condições:

  1. A intenção, durante o início.
  2. Purificação das impurezas.
  3. Cobrir a nudez (aurah), pois, o tawaf é como a oração.
  4. Que o tawaf seja na Casa (kaaba) dentro da mesquita, mesmo sendo afastado da Casa.
  5. Que a kaaba esteja ao lado esquerdo daquele que realiza o tawaf.
  6. Que o tawaf seja feito sete voltas.
  7. Que as voltas sejam contínuas, não pode interromper entre elas sem necessidade.

 Sunnates do tawaf:

  1. Raml, que é recomendável para os homens capazes e não para as mulheres, e sua realidade é da pessoa andar rápido com passos curtos.

E não é recomendável, excepto no tawaf al-qudum, nas primeiras três voltas.

  1. Al-Idhtiba’a: que consiste em deixar o ombro direito descoberto, e não é recomendável, excepto no tawaf al-qudum, e é recomendável aos homens e não as mulheres e acontece nas sete voltas em geral.
  2. Beijar a pedra preta, no início do tawaf e se for possível em todas as voltas, assim como, tocar o rukn al-yamani (canto que antecede o canto da pedra preta).
  3. A frase: “Bismillah wallahu akbar. Allahumma imaanan bika wa tassdiiqan bikitabika wa wafaa’un bi’ahdika wa itibaan lisunnati nabiyyika.” (Em nome de Allah. Allah é Maior. Ó Allah! A fé está em Ti e acreditamos em teu Livro, cumprimos a Tua promessa e seguimos a sunnah teu profeta). Diz essas frases no começo da primeira volta.
  4. A súplica durante o tawaf: ele não está especificado, a pessoa suplica daquilo que Allah facilitou para ele, mas recomenda-se que termine cada volta dizendo: “Rabbana aatina fi dunya hassanatan wa fil akhirati hassanatan waqina azhaabin naar”. (Ó Nosso Senhor! Conceda-nos o melhor nesta vida e o melhor na Derradeira Vida e proteja-nos do castigo do Inferno).
  5. Rezar dois rakates após o fim do tawaf, atrás do maqam Ibrahim (santuário de Abrão), recita as suratas “al-kafirun” (capítulo 109) e al-ikhláss (capítulo 112) depois da surata al-fatiha.
  6. Beber a água de zam-zam e estar na sua posse depois de terminar os dois rakates.
  7. Retornar para tocar na pedra preta antes de se dirigir no saii (colinas de safá e marwa).

 Terceiro pilar: saaiu (vai-vem entre as duas colinas)

O saaiu é o ato de correr entre as duas colinas de Safa e Marwa com intenção de cumprir uma adoração e faz parte dos pilares do hajj e do umra.

 Condições do saaiu:

O saaiu tem algumas condições que são exigidas nele, que são:

1.       A intenção por constar do Profeta, que a paz e bênção de Deus estejam com ele, que disse: “Por certo, as acções são compensadas segundo as intenções”;

2.       Que seja feita de forma ordenada entre ele o tawaff, isto é começando-se pelo tawaff e terminar com o saaiu;

3.       Que não haja uma interrupção longa entre os seus vaivéns, salvo se for uma interrupção breve, pois este não prejudica e em especial se for por uma razão plausível;

4.       Completar o número de sete voltas, o que depreende-se disso que se diminui uma volta ou metade dela, o saaiu não é válido, pois ela só concretiza-se ao serem completadas as suas  voltas

5.       Ser observado depois de um tawaff feito devidamente, mesmo que seja tawaff obrigatório ou facultativo.

 Sunnanes do saaiu:

 O saaiu para além das condições tem os sunnanes / práticas facultativas, que são:

1.       Alhabab que significa a marcha apressada entre as duas sinalizações verdes, na zona do antigo vale, por onde corria a mãe de Ismael, Hajar, que a paz de Deus esteja com eles. De salientar que esta prática é recomendável aos homens que conseguem-no e não é para os fracos dentre crianças e idosos, assim como, as mulheres;

2.       A paragem nas colinas de Safa e Marwa a fim de fazer a prece;

3.       As preces feitas em cada uma das colinas de safa e Marwa, de toda vez que se completa a volta;

4.       O dito “Allah Akbar” “ Deus é o maior” três vezes ao subir nas colinas de safa e Marwa em cada volta, e o dito “ La ilaha Ila Lhau wahdau la sharika lahu, lahul mulk walahul hamdu wa huwa ala kuli shain quadir. La ilaha ila Allah, wahdahu sadaqa wahdahu wa nasuara abdahu wa hazama al-ahzaba wahdau” (não há divindade digna de ser adorada excepto Allah, o Único que não tem parceiro, dEle é a soberania, Ele merece elogios e Ele é poderoso sobre todas as coisas. Não há divindade digna de ser adorada excepto Allah, O Único, cumpriu com a Sua promessa, socorreu Seu servo e aniquilou os partidos Sozinho).

5.       Que não haja uma longa interrupção entre o saaiu e o tawaff, por onde se interrompa entre eles sem que haja uma razão aceite pela sharia.

 Quarto Pilar: A permanência em Arafat:

Conceito:

É o acto de permanência na zona denominada Arafat, mesmo que seja por um período de tempo, não muito longo, ou mais, com a intenção de estar-se desde o nono dia do mês de Dhul Hijjah até o décimo dia.

De salientar que a pessoa que perde a oportunidade de permanecer na zona de Arafat, terá perdido o seu hajj e que deve mudar a intenção para um umrah e que deverá fazer a reposição do hajj no ano vindouro e que deve sacrificar um animal se não tiver feito a condição (o dito “ se me privar algo do hajj, então meu local de livrar-se do hajj será onde me privarás”). Entretanto aquele que é impedido de terminar o seu hajj pela não permanência em Arafat terá que sacrificar um animal e livrar-se do ritual de hajj.

Não obstante aquele que adoecer durante o hajj ou esgotar a sua provisão, se tiver condicionado (o dito “ se me privar algo do hajj, então meu local de livrar-se do hajj será onde me privarás”), poderá livrar-se do ritual de hajj e não recai sobre ele a obrigatoriedade de imolar um animal e dá-lo em sacrifício, e caso não tiver condicionado, poderá livrar-se do ritual de hajj e dar um animal como oferenda, daquilo que puder.

 Obrigações do hajj:

1.       Fazer a intenção do ritual nos limites (territoriais);

2.       A permanência em Arafat até ao pôr-do-sol para quem permaneceu nela de dia;

3.       Pernoitar na zona de muzdalifah até a meia-noite, isto é a noite do décimo dia (de sacrifico de animais);

4.       Pernoitar na zona de Mina nas noites de Tashriq;

5.       O apedrejamento de forma ordenada;

6.       O rapar do cabelo ou diminuição dele e

7.       O Tawaff de despedida.

 Obrigações do Umrah:

O Umrah tem duas obrigações que são:

1.       Fazer a intenção do ritual em uma zona fora do santuário no caso dos residentes de Meca, e faze-la nos limites territoriais para que reside fora de Meca e

2.       Rapar o cabelo ou diminui-lo.

 Nota:

De salientar que a pessoa que deixa um pilar do ritual, consequentemente seu ritual torna-se inválido, em casos de deixar uma obrigação do ritual, poderá ser feita a sua correcção, sacrificando um animal e se for a deixar de cumprir um sunnat, então não recai sobre ele obrigação nenhuma.

Aspectos proibidos durante o ihram (ritual de hajj e/ou umrah):

Os aspectos proibidos durante o ihram são aqueles que o peregrino do ritual de hajj e/ou umrah ao cometer um deles, recai sobre a ele a obrigação de sacrificar um animal por essa infracção, ou deverá cumprir com o jejum ou alimentar aos pobres, e são vários aspectos proibidos a pessoa que esteja de ihram, que são os seguintes:

1.       Rapar o cabelo de qualquer parte de seu corpo;

2.       Cortar as unhas;

3.       Tapar a cabeça e o tapar da face no caso da mulher, salvo se estiver a passar por frente dela um grupo de homens;

4.       O uso de roupa costurada no caso do homem, e a referida roupa costurada é aquela que foi feita a tamanho de um membro do corpo humano, como as peças de calças, túnicas, etc;

5.       O uso do perfume;

6.       Matar um animal terrestre comestível;

7.       Celebrar o contrato de enlace matrimonial;

8.       O acto sexual, e se for a acontecer antes do primeiro tahalul (livrar-se do traje de ihram), o ritual dos cônjuges torna-se inválido, e que recai sobre eles a obrigação de sacrificar um camelo e que devem continuar com o ritual até ao fim, mas com a condição de fazer a sua reposição no ano seguinte, e em caso de incorrer-se no acto sexual depois do primeiro tahalul, então esta infracção não invalida o ritual, mas sim deve se sacrificar uma ovelha;

9.       O acto do homem acariciar o corpo da mulher além da parte privada, se ele ejacular por isso, deverá sacrificar um camelo e se não, poderá dar uma ovelha como sacrifício, e o ritual do hajj não se torna inválido nas duas circunstâncias.

De salientar que para as mulheres são aplicadas as mesmas regras supracitadas, excepto no uso da roupa costurada, pois elas podem vestir aquilo que lhes apraz, evitando exibir seus ornamentos, podem cobrir suas cabeças e podem deixar seus rostos destapados, excepto se for em frente de homens que sejam estranhos para elas.

Entretanto o primeiro tahalal no ritual de hajj concretiza-se com o cumprimento de um dos três aspectos:

Ø  O tawaff;

Ø  O apedrejamento e

Ø  O acto de rapar o cabelo ou diminuição do mesmo

   A mulher que se encontra a fazer o ritual de hajj tamatu, caso apareça-lhe a menstruação antes de observar o tawaff e recear perder o hajj, poderá alterar a intenção para cumprir o ritual de quiran, e é sobejamente sabido que a mulher que esteja no seu ciclo menstrual e/ou no período de saída do sangue pós-parto, está permitida de observar todas actividades dentro do ritual do hajj excepto o tawaff pela Casa.

Ao imolar os rebanhos, degolar as galinhas, etc, a pessoa que esteja no ritual de hajj e/ou umra não está vedada de fazer estas práticas, como também pode matar os animais selvagens ferozes como o leão, o lobo, o Tigre, a Cheta, a Cobra, o Rato etc, e está permitida de fazer a caça dos animais marinhos, assim como, consumir aquilo que se caça do oceano.

De frisar que a pessoa que se encontra no ritual de hajj/ umrah e mesmo a pessoa que não se encontra no ritual está proibida de observar cortar árvore da zona do santuário (haram) ou arrancar seus arbustos, excepto a àrvore de al-izhir, como também é proibida de caçar os animais do haram e caso fizer terá que cumprir o sacrifício de um animal, e quanto ao santuário de Medina também está vedada fazer-se as caças de animais dentro dela, assim como, cortar suas árvores e quem fizer algo do género não tem a obrigação de fazer o sacrifício.

Entretanto quem tiver uma desculpa e tiver a necessidade de praticar um dos aspectos proibidos no hajj que não seja o acto sexual, como rapar o cabelo, uso de roupa costurada etc, então ele pode faze-lo e tem como correcção os seguintes aspectos:

1.       Observar o jejum de três dias;

2.       Alimentar seis pobres, onde cada pobre deverá receber um mudd (medida de duas mãos equivalente a 600gramas) de farinh de trigo ou de arroz, ou um produto semelhante;

3.       Imolar uma ovelha e dá-lo em sacrifício

Quem incorrer em um dos aspectos proibidos durante o ritual do hajj/ umrah por ignorância ou esquecimento ou por imposição, não recai sobre ele culpa nenhuma, tão-pouco a expiação (fidiyah), pois Deus a respeito das falhas dos crentes na sua súplica (ó Senhor nosso, não nos condenes, se nos esquecermos ou nos equivocarmos) [286:2]. E portanto a pessoa que incorra em situação do género deverá se livrar de imediato do aspecto proibido.

Quem caçar um animal terrestre e mata-lo enquanto estiver no estado de ihram (ritual de hajj/ umra), caso tiver algo homónimo ao animal caçado dentre os rebanhos, então tem a escolha de fazer a penitencia, dando um deles como sacrifício, que imola-o e alimenta aos pobres de Meca ou poderá fazer estimativa do animal em dinheiro, para que possa comprar com ele comida e alimentar os pobres, os quais receberam cada um deles um mudd (medida de pesagem, de duas mãos cheias, equivalente a 600g), ou deverá jejuar para cada mudd um dia, e se o animal terrestre que tenha sido caçado não tiver seu homónimo, então o infractor tem a opção de comprar comida com o valor estimado no animal e distribui-la entre as pessoas carenciadas ou jejuar para cada mudd um dia.

A expiação da pessoa que tenha acariciado sua esposa sem que haja ejaculação durante o ritual de hajj/ umra é de escolher jejuar ou alimentar os pobres ou imolar uma ovelha;

A expiação da pessoa que tenha incorrido no acto sexual durante o ritual de hajj antes do primeiro tahallul é de sacrificar um camelo, e caso não o tenha, então deverá jejuar três dias durante o hajj e sete dias voltado a sua região, e se for depois do primeiro tahallul, sua expiação é a mesma de outras infracções, portanto, terá que escolher jejuar ou alimentar os pobres ou imolar uma ovelha;

Entretanto quanto a àquela pessoa que esteja a observar o ritual do tipo tamatu e do tipo quiran, deverá trazer uma oferenda se não for residente de Meca, que é uma ovelha ou sete camelos ou sete vacas, e quem não tiver a oferenda, deverá observar o jejum de três dias, enquanto estiver no ritual do hajj e completar com sete dias quando chegar a seu povoado (região).

A pessoa que for impedida de completar o ritual de hajj em casos de não tiver uma oferenda recai sobre ela a obrigatoriedade de jejuar dez dias e seguidamente livrar-se do ritual de hajj(tahalul).

A pessoa que incorrer num dos aspectos proibidos do mesmo tipo e não tiver feito a expiação, basta-lhe fazer uma única expiação, diferente da caça feita ao animal terrestre, pois nisso deverá se pagar a expiação para cada caça feita, e quem repetir algum aspecto proibido durante o ritual de tipos diferentes, como a questão de rapar o cabelo e depois cortar as unhas, sua expiação será feita para cada tipo de infracção.

 Os Limites

É importar notar que existem dois tipos de limites:

  1. Temporais: que são os meses de hajj, Shawall, zul Qahda e Zul hijjah.
  2. Territoriais: que são os limites por onde o peregrino faz a intenção de observar o ritual de hajj e/ou umrah, e estes são cinco limites (territoriais), que são os seguintes:

                                I.            Zul khulaifa: que é o limite dos residentes de Medina e para todo aquele que passa pela zona de Medina, e este dista 435kms de Meca, e é o limite territorial mais distante de Meca;

                              II.            Aljuhfa: que é o limite dos habitantes de Sham e do Egipto e as regiões que estiverem paralelas a elas ou quem passar por elas. Portanto é uma pequena localidade próximo de Rabigh e que dista de Meca 180kms, por onde os peregrinos fazem a intenção de começar o ritual de hajj/ umrah;

                           III.            Yalamlam: que é o limite dos habitantes de Yemen e todas aqueles residentes de regiões que estão em paralelo a Iémen ou os que passam por ele. De salientar que o limite Yalamlam dista de Meca 92kms;

                           IV.            Qarnul –manazil: este é o limite dos residentes das regiões de Najd e Tuaif e quem se fizer passar por este limite e que actualmente é mais conhecido por “Assailul Kabir” e dista de Meca 75kms, e o vale de Muharam é o culminante do limite Qarnul-manazil;

                             V.            Zatu Irqui: que é o limite dos residentes de Iraq, Irão, regiões médias e nortenhas de Najd, e é limite para quem esteja paralelamente a ele ou passa por ele, e dista de Meca 100kms aproximadamente.

Estes limites são para os residentes dessas zonas e para quem passar por eles, que não sejam seus residentes, dentre as pessoas que tencionam observar o ritual de hajj/ umrah;

Quem estiver a residir dentro dos limites, então seu limite considera-se por onde ele inicia o ritual (sua residência), até mesmo os residentes de Meca fazem a intenção do ritual dentro de Meca;

Quem dos habitantes de Meca quiser observar o ritual de hajj poderá fazer a intenção de iniciar o ritual dentro de Meca, e no caso do ritual de Umrah deverá retira-se fora do santuário, de todos os lados e fazer a intenção do ritual;

Entretanto no caso de a pessoa seguir um caminho/estrada que não tenha um limite, então seu limite é o limite mais próximo que ele se encontra em paralelo a ele, por onde poderá fazer a intenção quando estiver paralelamente a ele, mesmo que esteja a bordo de avião ou de navio ou via terrestre (de carro/ transporte colectivo);

O peregrino que deseja fazer o ritual de hajj e/ou umrah está vedado de ultrapassar os limites territoriais antes de fazer a intenção do ritual (acompanhado do traje do ritual) e quem transgredir o limite sem ter feito o ihram (intenção e livrar-se de roupa costurada), impende-lhe voltar para a zona do limite territorial, para que faça o ihram, e se não voltar terá como expiação imolar um animal e dá-lo em sacrifício e seu hajj e/ou umra é válido. Não obstante quem fizer o ihram (intenção de iniciar o ritual) antes dos limites territoriais, seu ihram é aceite, mas é detestável a tal prática.

 Al-uzhiyat e o Al-aquiqat

Al-uzhiyat: é aquilo que é degolado dentre os rebanhos (camela, vaca, ovelha /cabrito) no dia de sacrifício (Dia de Idul Azha) e nos dias de tashriq, com a intenção de celebrar o ritual de uzhiyat, e que esta prática considera-se recomendável na sharia.

Tempo em que se imola o animal de Uzhiyat:

No entanto imola-se o animal de Uzhiyat depois da observância da oração do Ide, desde o Dia de Sacrifício até o findar dos dias de Tashriq.

É recomendável dividir a carne do animal de Uzhiyat em três partes, 1/3 da carne é destinada para o consumo de quem observa esta adoração, 1/3 para oferecer seus amigos e 1/3 para dar de caridade.

De frisar que a prática de Uzhiyat tem grandes virtudes, por haver nela uma facilidade e beneficiar a pessoas carenciadas, preenchendo suas necessidades.

Entretanto não é aceite para o ritual de Uzhiyat senão o camelo que tenha atingido seus cinco anos de idade, e no caso da vaca deve ser de dois anos e a ovelha de seis meses e o bode que tenha completado um ano de idade.

Não obstante que uma ovelha é válida em sacrifício de uma única pessoa e um camelo para sete, uma vaca em nome de sete pessoas associadas, como também a pessoa pode sacrificar uma ovelha ou camelo ou vaca em seu nome e de sua família, e importante lembrar que estes animais de uzhiyat deverão estar isentos de defeitos e/ou deficiência.

Al-aquiqat: é o animal que se imola pela natalidade de uma criança, e esta prática é recomendável (sunnat), que se degola por um rapaz dois cabritos/ovelhas e no caso da rapariga um (a) cabrito/ovelha, que são imolados no sétimo dia do nascimento da criança, que é o dia em que é atribuído o nome à criança, rapa-se seu cabelo e dá-se em caridade uma quantidade prata equivalente ao peso de seu cabelo e caso não celebrar-se esta cerimónia no sétimo dia, então que se faça no décimo quarto dia, caso não que seja no vigésimo primeiro dia e depois desse dia poder-se-á realizar a qualquer tempo e a prática de Aquiqat revela a gratidão para com Allah pela graça de um recém-nascido.

 8-Al –Jihad:

Conceito:

É fazer o esforço e usar meios a fim de combater o descrente.

 Razão de sua instituição:

De princípio o Jihad tem o seu status no islam, chegando a ser considerado este do seu auge e a melhor adoração facultativa e que Allah instituiu para que se concretizarem os seguintes propósitos:

Ø  Para que a palavra de Allah esteja no topo e que toda adoração reserve-se para Allah;

Ø  Para a felicidade da espécie humana, que é de tira-la das trevas da perdição para a luz;

Ø  Para que haja a justiça na face da terra, ao se optar pela verdade e fazer desaparecer a falsidade, impedir a injustiça e a corrupção e

Ø  Para que se difunda a mensagem da religião, para que os muçulmanos sejam protegidos e impedir o mal dos inimigos (descrentes)

 Sentença sobre o Al-jihad:

O Al-jihad considera-se de um Fardh Kifayat, isto é uma obrigação qual se um número suficiente de pessoas cumprem-na não há culpa nenhuma aos demais, mas torna-se obrigatório à todos aqueles que gozam de capacidade física e financeira nas seguintes circunstâncias:

  1. Quando a pessoa estiver nas fileiras da batalha;
  2. Quando houver invasão dos inimigos a sua região e
  3. Quando o líder convida a todos para a batalha

 Condições para a obrigatoriedade do Al-jihad:

As condições para que o Al-jihad torne-se obrigatório para a pessoa são as seguintes:

ü  O islam;

ü  O juízo;

ü  Atingir a puberdade;

ü  Ser do sexo masculino;

ü  Isento de deficiência como a cegueira, doenças e coxeio e

ü  Ter a capacidade financeira.

Tipos de Al-jihad:

O Al-jihad tem sua classificação, chegando a ter quatro tipos de Al-jihad:

1.       Al –jihad Nafsi: é o Al-jihad que consiste em combater a sua alma, persuadindo a prática das boas obras, como a aprendizagem da religião, pratica-la, convidar as pessoas para a mesma e ser paciente em tudo que a religião exige, proíbe e ser paciente naquilo que sofre por ela;

2.       Al-jihad contra o Satanás: é o al-jihad que a pessoa faz em combater aquilo que depara do Satanás, dentre seus sussurros e o convite de seguir as paixões.

3.       Al –jihad contra os descrentes e hipócritas: este Al-jihad pode ser feito com o coração (intimo), com a língua, bens e pelas mãos e

4.       Al-jihad contra os injustos, inovadores na religião e tantas maldades: a melhor maneira de fazer o al-jihad com este tipo de gente é com as mãos, caso tenha possibilidade e se não, então com o coração (detestando no seu íntimo).

 Virtudes do Mártir diante de Allah:

 Importante notar que o mártir tem certos privilégios diante de Allah, que são os seguintes:

Ø  Ser perdoado seus pecados antes de o seu sangue tocar o chão;

Ø  Ele verá o seu local no paraíso antes de entra-lo;

Ø  É afastado do castigo da sepultura;

Ø  Não será atingido pelo grande terror do Último Dia;

Ø  Será atribuído medalha de fé;

Ø  Será dado as mulheres do paraíso como esposas e

Ø  Será aceite sua intercessão a favor de setenta parentes.

 Etiquetas na batalha:

Uma das etiquetas do islam durante a batalha é a não traição, a não matança de mulheres e crianças, caso não se envolvam no combate, abster-se da auto-admiração excessiva, não almejar o encontro do inimigo (para o combate), fazer prece para que haja vitória  e ajuda da parte de Allah  e dentre essa preces o dito : “Allahuma munzilal kitab wa mujriya sahab, wa hazimal Ahzab, ihzmihum wansurna Alaihim” “ Ó Senhor nosso, Quem fez descer o Livro, Quem une as nuvens, Quem destruiu os partidos, destrua a eles e ajuda-nos”.

 Entretanto é proibido fugir do campo de batalha, excepto em duas situações:

1.       Reposicionar-se dentro da batalha;

2.       Recorrer aos seus comparsas

Reféns da batalha:

As mulheres e crianças são tomadas como escravas;

Os homens combatentes, o Imam tem a opção de liberta-los ou exigir que eles paguem para a sua liberdade ou poderá mata-los.

De salientar que o líder de uma batalha deve preocupar-se com o seu exército durante a sua saída para a batalha e impedir que seus homens tenham o medo e que não optem pelo abandono do campo de batalha, e que o líder não peça apoio aos descrentes excepto se for por uma necessidade premente, e deve preparar a provisão, caminhar com o exército de forma mais calma possível, procurar para eles o melhor locar para acampamento, impedi-los de semearem a corrupção e maldade na face da terra, persuadi-los para a batalha com discursos encorajadores, falar-lhes sobre as virtudes de quem perde a vida no campo de batalha, de quem tem paciência os momentos adversos numa batalha, dividir o exército dando a cada um sua tarefa, alguns nomeando como guias, outros com as tarefas de velar durante a noite e ainda outros servirem de espiões contra os inimigos e distribuir os espólios a quem acha que merece dentre o seu exército e fazer a consulta a respeito do jihad aos homens dotados de conhecimento da religião e ideias geniais.

 Deveres do exército para com seu líder:

O exército tem como obrigação a obediência ao seu líder, ter paciência para com ele e não é permitido que o exército combata senão com a permissão de seu líder, excepto se um inimigo surpreendê-los e recear-se que este (inimigo) semeie sua maldade e opressão, e em caso do inimigo pedir uma trégua ou chegarem os meses sagrados, então o exército deverá aceitar a trégua.

Segunda secção

Transacções

Ø  O comércio, sua sentença e suas condições

Ø  Os juros, a razão da destruição da economia de várias nações e sentença sobre os juros

Ø  O aluguer, suas sentenças e suas condições

Ø  O waqf, suas sentenças e suas condições

Ø  O testamento, sua sentença e suas condições

 O comércio

 Seu conceito:

O Baiyu: no sentido linguístico é a troca de bens ou seja a entrega de um valor e a recepção de um bem (comprado).

No entanto quanto ao seu sentido restrito da sharia significa um acordo de troca de bens, que o seu consequente é do bem/ serviço passa a ser propriedade de cada uma das partes bilaterais para sempre, que se celebra com outro intuito além de adoração”

Sentença do comércio: o comércio é permitido na sharia, e a sua permissão consta no Livro (Alcorão), na Sunnat, a unanimidade dos sábios muçulmanos e segundo a lógica.

 A lógica da permissão do comércio:

É sobejamente sabido que o dinheiro, produtos e mercadorias estão dispersos ou seja distribuídos no seio da população, e que sempre existe a necessidade do ser humano de lograr aquilo que está nas mãos de outrem, e que este outro não dispensa seu bem sem tiver algo em troca disso, que por essa razão permitiu-se o comércio para que preencha essa necessidade do ser humano e que este possa concretizar seus planos, e assim Deus consentiu o comércio para que possam se concretizar esses interesses.

Pilares do comércio:

 Os pilares do comércio são os seguintes:

1.       O termo: que é o dito “aceitas vender-me este bem/serviço (al-ijab), e a resposta: claro aceito vender para si este bem /serviço (Alqabul);

2.       As duas partes bilaterais: que são o vendedor e o comprador

3.       Os bens usados no acordo: que são o valor que se usa na compra e o produto que se vende.

O termo no comércio:

É o dito aceitas vender-me este bem/serviço (al-ijab), e a resposta: claro aceito vender para si este bem /serviço (Alqabul) ” ou todo termo que revela a satisfação, como o dito do vendedor “vendo-te ou dou-te ou tornou tua propriedade em troca disto” e a resposta do comprador: “comprei, ou aceitei, etc. E o comércio concretiza-se com um termo prático (além das expressões) mesmo que seja de uma das partes bilaterais, assim como, das duas partes.

 Celebração do contrato de compra e venda feita via telefónica

A conversa via telefonema considera-se o local (físico) do contrato, e que este local considera-se esgotado seu tempo com a o término da conversa via telefonema, pois o hábito é o arbítrio de classificar quais são os locais físicos e quando se considerado esgotado o tempo do contrato nesse local.

 Importante notar que as Condições para a validade do comércio são as seguintes:

1.       A mútua-satisfação entre as duas partes bilaterais;

2.       Que tenha o direito de celebrar contratos, que é de cada uma das partes gozar o direito de ser livre, ajuizado e incumbido (mukalaf, isto é que não seja maluco, criança);

3.       Que o produto seja benéfico, o que depreende-se disso que não é permissível vender um produto/ serviço que não tenha benefício, pois aquilo que não tem benefício considera-se de haram, como as bebidas alcoólicas, o porco, tão-pouco é permitido a venda daquilo que só tem benefício em casos duma necessidade premente (zuarurat) como o animal morto;

4.        O produto deve ser propriedade do vendedor ou que seja agente incumbido a comercializa-lo no momento em que se celebra o contrato de compra e venda;

5.       O produto deve ser conhecido, pelas suas qualidades e a vista;

6.       O preço que se paga pelo produto/ serviço deverá ser conhecido e

7.       Que haja a capacidade de fazer a entrega do produto/serviço comercializado, o que percebe-se que não é permitido vender o animal fugitivo e o pássaro no ar, e algo do género.

 Condições dentro do contrato de compra e venda (comércio):

 No comércio há dois tipos de condições:

ü  Válidos e dão continuidade o contrato, e são exemplos deste o adiamento do pagamento ou uma parte dele ou hipotecar algo ou trazer um fiador, e são válidos porque constituem interesses para o bem do contrato. Outro exemplo elucidativo é a exigência de certas qualidades no produto/serviço que esteja a venda, e a respeito destas condições, o Mensageiro de Deus que a paz e bênção de Deus estejam com ele, disse: “Os muçulmanos deverão cumprir com as condições (exigidas no contrato) relato de Ahmad e Abu Daud.

De salientar que é permissível também o vendedor colocar como condição no contrato de compra e venda beneficiar-se do bem/serviço daquilo que vendeu para um certo tempo, como residir uma casa por um período de um mês.

ü  Inválidos e que anulam o contrato, e são exemplos deste tipo de condições,  uma das duas partes exigir ao outrem um outro contrato, como exigir que seja dado crédito para além do contrato de compra e venda, ou celebrem contrato de câmbios de moedas para além do contrato de aluguer.

Entretanto há algumas condições que não anulam o contrato, mas sim essa condição é inválida, por exemplo, se condicionar pagar o produto caso consiga revende-lo, e se não devolverá ao vendedor, ou exigir como condição no produto comprado não revender  ou oferece-lo a ninguém, estas condições são inválidas por contrariarem o propósito do contrato de compra e venda, salvo se houver um interesse específico, então nesse caso essa condição é válida.

 Tipos de comércio proibidos no islam:

O islam consente todo o comércio que traz benefícios e nele há bênção e proíbe alguns tipos de comércios, pela razão de alguns desses tipos tiverem incerteza/risco e a falta de transparência ou por prejudicarem os outros vendedores no mercado ou por magoarem as pessoas, o que pode provocar o rancor, ódio e controvérsias, e dentre esses tipos de comércios, estão os seguintes:

 Baiyu Almulamasat:

É o tipo de comércio que normalmente o vendedor informa ao comprar o seguinte: “qualquer roupa que toca-lo, então vendo-te a um certo preço” e este tipo de comércio é proibido devido a falta de transparência e incerteza/risco presentes nele.

 Baiyu Almunabazat:

Entretanto neste tipo de comércio o vendedor informa ao comprador:

“qualquer tecido/roupa que lançares para mim, venderei para ti a certo preço” e este tipo de comércio é inválido e proibido por não haver transparência  e ter incerteza;

 Baiyu al-hassat:

É o tipo de comércio em que o vendedor informa ao comprador: “lance esta pedra, para qual tecido cair, eu venderei para ti a um certo preço”. De salientar que este comércio também é proibido pela falta de transparência e por conter incerteza/risco;

 Baiyu Annajashi:

É o tipo de comércio onde um companheiro do vendedor aumenta o preço, enquanto não deseja comprar o produto (numa venda de leilão), mas sim tem o propósito de persuadir a alguém a compra-lo a um preço alto, e este tipo de comércio é proibido, pois nele há máfia e o comprador é enganado.

 Baiatan fi baiha (dois contratos de compra e venda num único contrato)

É o tipo de comércio onde o vendedor informa ao comprador: “vendo para ti isto com a condição de vender-me aquilo ou comprar de mim aquilo” ou por vezes o vendedor diz ao comprador: “vendo-te este produto a dez pronto pagamento ou vinte pagamento diferido” e dispersam-se do local onde celebrou-se o contrato, antes de definir um único preço, e este tipo de comércio não é válido, pela razão do comércio estar suspenso por uma condição no primeiro exemplo, e pela falta de fixação do preço no segundo exemplo.

 Baiyu Alhazir lilbadi (comércio de um citadino a favor do beduíno):

É o tipo de comércio onde intervém um comissionista a fim de vender o produto do beduíno a um preço mais elevado (relativamente ao preço do dia), e as pessoas deparam o problema de subida dos preços.

 Baiyu Rajul Ala bai Akhihi (o comércio feito acima do comércio de outrem)

É o tipo de comércio onde uma pessoa informa a quem deseja comprar um produto dum vendedor ao preço de dez, e diz que tenho o mesmo e posso vende-lo a nove.

 Comercialização de um produto antes de detê-lo

 Baiyu Al-inat:

É o tipo de venda onde o vendedor vende o seu produto com um pagamento diferido a dez, e seguidamente compra o mesmo produto a nove pronto pagamento. Entretanto este comércio é proibido por parecer os juros proibidos e o produto usa-se como um meio de máfia, mas o que realmente se parece é o empréstimo de dinheiro para pagar a mais.

 O comércio feito depois do segundo azan de sexta-feira é proibido para quem é obrigatório para ele a oração de sexta-feira.

 2-A riba – sua sentença e seus tipos

 Meios que o islam optou por eles para que a sociedade livre-se da Riba

Conceito da Riba:

Riba no sentido etimológico entende-se como um aumento.

No entanto seu sentido restrito do sharia é entendido como o acréscimo em bens específicos, ou segundo o conceito de alguns sábios “é um contrato de um câmbio específico no qual se desconhecem as medidas de bens/produtos idênticos segundo o padrão do sharia, no momento em que se celebra o contrato ou é um câmbio de bens com a entrega diferida de ambos bens, ou um deles”.

 A lógica da proibição da Riba:

O islam proíbe a Riba pelos seguintes aspectos:

  1. A falta de correspondência entre o esforço e o fruto (lucro), pois o credor que exige a riba (juros) não envida esforço nenhum por aquilo que ele ganha de juros, tão-pouco faz algum trabalho para merecer essa contrapartida, nem mesmo assume o prejuizo (pelo dinheiro que dá emprestado);
  2. O colapso que possa se verificar na economia de um país devido ao atraso do credor por não optar pelo trabalho e investimento em áreas como agricultura, indústria e muito mais, preferindo optar pela preguiça e repouso, porque tem a esperança de receber uma contrapartida. Não obstante também foi proibido pela questão da riba aumentar o fardo de responsabilidade e dívidas resultantes da riba (Juros);
  3. A falta de moral num mundo onde há exigência da riba, pois não se verifica a colaboração entre as pessoas, o que resulta disso a desintegração da união da sociedade e nasce o espírito de egoísmo em vez de uma sociedade na qual há sacrifício, amor ao próximo e o altruísmo;
  4. Divisão da sociedade em duas camadas distintas, a camada dos ricos que gerem suas propriedades e uma outra camada de pobres carenciados que esperasse de seu esforço a fim de se cobrar a riba (juros) sem uma justa causa.

 Tipos de Riba:

 Segundo a opinião de alguns sábios há dois tipos de Riba que são:

1.       Riba Nassi-a: e o sentido do Nassi-a é a demora ou diferimento. Entretanto entende-se a Riba Nassi-a como aquela Riba em que há acréscimo num dos bens devido a demora de entrega do outro bem.

2.       Riba Alfazl: o Al-fazl entende-se como acréscimo. E a Riba Alfazl é o tipo de Riba em que há acréscimo de um dos bens idênticos que são do mesmo tipo, como o ouro por um ouro a mais, a farinha de milho por uma quantidade de farinha de milho a mais, e outros bens que nele ocorre a riba (tâmaras, cevada, sal, prata e tudo o que é medido e constitui alimentação básica para uma comunidade e pode-se conservar para seu consumo posteriormente), e este tipo de Riba é denominado de Riba escondida ou Riba no contrato de compra e venda (comércio).

Ø  Alguns sábios da escola shafita acrescentam um terceiro tipo de Riba que é a Riba de entrega, por haver a demora de entrega dos bens cambiados ou um deles;

Ø  De salientar que outros sábios foram muito além e acrescentaram o quarto tipo que é a Riba nos empréstimos, que é a riba que se condiciona algum benefício pelo dinheiro dado emprestado.

Entretanto olhando-se atentamente, depreende-se que a divisão da Riba em Riba de entrega e a Riba nos empréstimos não sai fora da definição/ classificação e/ou divisão da Riba em dois tipos.

 Portanto, hoje em dia alguns economistas contemporâneos classificam a Riba em dois tipos:

1.       Consumidor: que é o tipo de Riba / contrapartida exigida pelo dinheiro que se dá emprestado com fins de compra de bens de consumo como a comida, bebida, medicamentos, etc;

2.       Produtivo: que é o tipo de Riba/ contrapartida exigida pelo dinheiro que dá emprestado com fins de investimentos em projectos de produção, como abertura de uma fábrica ou horta ou fins comerciais.

 De frisar que alguns sábios dividem também a Riba em dois tipos a saber:

1.       Duplicado: que é a Riba que se exige um acréscimo de uma percentagem alta e

2.       Normal: é a Riba que se exige um acréscimo/ contrapartida de uma percentagem/taxa normal.

No entanto, proibição da Riba no islam engloba todo o tipo de Riba, seja ela a Riba fazl ou Nassi-a ou com taxas altas de cobrança ou normais ou mesmo que sejam consumidor ou produtivo, todas estas classificações estão expostas ao dito do Clemente (Deus proíbe a Riba e consente o comércio) [2:275]

 Meios que o islam tomou para que a sociedade livre-se da Riba:

O islam preparou um ambiente ameno e meios eficazes para que uma sociedade possa se livrar da Riba existente e espalhada no seio dela e impedir que se alastre posteriormente, e dentre esses meios que o islam optou por eles, eis os seguintes:

1.       O islam permitiu as sociedades comanditas, que é o tipo de sociedade comercial em que o capital pertence a uma pessoa (comanditária) e tem um sócio que apenas faz o trabalho (comanditado) e que o lucro é divido entre eles segundo aquilo que é estipulado no contrato, e que a perda/prejuízo recai ao comanditário, pela razão do comanditado também assumir as perdas a partir de seu esforço e trabalho que não deu frutos;

2.       O islam permitiu a operação de Salam, que é uma operação na qual há venda de um produto que se faz a entrega posteriormente, como em casos de uma pessoa tiver a necessidade do dinheiro e pedir que os compradores paguem pelo produto que fará a sua entrega posteriormente no tempo de sua colheita (da horta), depois de concretizar-se a presença de certas condições conhecidas nos livros de jurisprudência islâmica.

3.       O islam permitiu a venda do tipo pagamento a crédito: que é o tipo de operação em que há aumento/ acréscimo no preço do bem/ serviço devido ao pagamento diferido, e isso foi permitido para que as pessoas possam encontrar a facilidade e livrar-se da Riba.

4.       O islam incentivou a abertura de fundações que dão financiamento /crédito sem a cobrança da Riba, seja qual for o tipo de crédito, individual ou colectivo ou para o estado, isso tudo para que se concretize uma segurança social e haja mútua ajuda dentro de uma sociedade;

5.       O islam instituiu a entrega do zakat ao endividado necessitado, ao pobre carenciado, ao viajante que acabou a sua provisão ou ficaram escassos seus meios. Foi instituído este zakat para que possam ser asseguradas pessoas do género e que possam ser tiradas de uma camada (pobres) para outra.

Entretanto estes são os meios pelos quais o islam optou por eles e abriu a cessão para cada pessoa de uma certa comunidade a fim de puder beneficiar-se deles, e com intuito de concretizarem-se alguns dos seus interesses e que possa reservar por isso a sua honra, alcançar seus intentos e fazer o melhor no seu trabalho e produção.

 Sentença sobre os juros do banco (Riba):

A contrapartida ou acréscimo que o banco e instituições de depósitos dão pelos depósitos ou que eles cobram é considerado de Riba, mesmo que estas instituições denominem-na de bónus, não há sombra de dúvida nenhuma que são considerados de Riba, cujo é proibido no Livro, na sunnat e pela unanimidade dos sábios muçulmanos.

Importante notar que há unanimidade da proibição do acréscimo exigido/ condicionado pelo dinheiro que se dá emprestado, apesar de que algumas pessoas denominam de empréstimo de dinheiro e a realidade é outra, como disse o Eminente ex-mufti da Arábia Saudita, Sheikh Ibrahim, a respeito do mesmo: “de certo, a realidade daquilo que se denomina de empréstimo não é considerado de empréstimo, pois o propósito de um empréstimo é uma ajuda ao próximo, enquanto o que as instituições credoras fazem é venda de dinheiro por dinheiro com o pagamento de um acréscimo posteriormente condicionado e conhecido”.

Depreende-se disto que o valor que o banco toma dos empréstimos/depósitos ou cobra pelos depósitos são considerados de Riba.

 3-O aluguer

 Seu conceito:

É um contrato que se celebra a fim de fazer uso de um bem permissível e que seja conhecido.

 Sua sentença:

Este tipo de contrato é permitido no sharia e considera-se de um contrato contínuo para as duas partes bilaterais, isto é não se pode cancelar se não com uma mútua satisfação.

 Essência de sua permissão:

O aluguer é um contrato de trocas de benefícios entre as pessoas, pois alguns precisam de trabalho e outros de casas para residir, ainda outros precisam de meios de transportes como viaturas, animais, máquinas para fazer uso delas nas suas actividades e tirar proveito delas e para que isso se possa concretizar foi permitido o contrato de aluguer a fim de facilitar a vida das pessoas puderem preencher as suas necessidades.

 Tipos de aluguer:

  1. O aluguer de um bem designado, como por exemplo: dou-te em aluguer esta casa ou esta viatura;
  2. O aluguer de serviço, como por exemplo, alugar uma pessoa, a fim de prestar o serviço de construção de um murro ou semear pela terra, etc.

 Condições do contrato de aluguer:

Este tipo de contrato tem algumas condições exigidas para que seja válido e  que são os seguintes:

  1. Que este contrato seja celebrado por um indivíduo que não tenha a interdição jurídica;
  2. Conhecer-se o bem que esteja em aluguer, como a residência ou serviço que será prestado pela pessoa ou o ensino de uma certa arte / área de conhecimento;
  3. Conhecer-se o preço/valor que se cobra pelo aluguer e
  4. Que seja o bem/serviço em aluguer permitido, como uma casa para residir, o que depreende-se disso que não é permitido o aluguer (prestação de serviço) para um fim ilícito como o adultério/fornicação por onde uma mulher presta o serviço de aluguer de seu pudor, esse tipo de aluguer é  considerado proibido, assim como, é proibido o aluguer para fins de cantar (músicas), o aluguer de residência para se tornar uma igreja ou aluguer de um indivíduo para prestar serviço de venda de bebida alcoólica, etc.

 Questão:

Se um indivíduo subir uma viatura ou avião ou navio ou der a sua roupa ao alfaiate a fim de ajusta-la ou fazer o aluguer de um homem que carregue a sua bagagem, e não tiverem celebrado nenhum contrato, esta prática é válida com o pagamento de uma quantia que pelos costumes de uma certa região dá-se em pagamento, pois o costume regente numa certa região é que substitui o termo de contrato (escrito).

 Condições no bem/serviço de aluguer:

É condição no bem/ serviço que é destinado ao aluguer  que seja conhecido pelas suas qualidades ou à vista, e que seja celebrado o contrato para a sua utilidade  e não uma parte dela, que haja capacidade de entrega do bem/serviço que esteja em aluguer, que tenha uma certa utilidade e que seja propriedade do arrendador ou seja ele um agente responsável pelo aluguer do tal bem/serviço.

 Questões concernentes ao contrato de aluguer:

ü  É permitido aluguer de um bem que seja waqf e em caso do arrendador perder a vida e passar o bem para os seus herdeiros, o contrato ainda prevalece e que ainda seus herdeiros ainda recebem a renda;

ü  Tudo o que foi proibido a sua venda é proibido o seu aluguer, excepto o waqf, a pessoa livre e a mãe do escravo, pois estes são permitidos seu aluguer;

ü  Dá-se a extinção de um contrato com o desaparecimento/ destruição do bem alocado e término de sua utilidade;

ü  É permissível haver cobrança pelo aluguer de prestação de serviço de ensinar a religião ou edificação de mesquitas e algo idêntico, e quanto ao aluguer de uma pessoa para observar o ritual de hajj em substituição de outrem  com a promessa de pagamento da renda é permitido em caso de necessidade;

ü  O imam, o Muazin e o professor estão permitidos receber da tesouraria (baitul-mal) pelo trabalho que prestam , desde que recebam sem que tenham condicionado o pagamento;

ü  O arrendatário não assume as responsabilidade pelo dano do bem de aluguer que esteja em sua posse, salvo se for pelo seu desleixo ou transgredir os limites no uso do mesmo e

ü  Torna-se obrigatório o pagamento da renda a partir do momento em que celebra-se o contrato e que é obrigatório a entrega da renda no momento em que se faz a devolução do bem/ serviço arrendado, e se houver uma mútua satisfação de adiar o pagamento ou paga-lo em prestações, tudo isso é permissível. Entretanto a pessoa/ trabalhador que tenha sido alugado merece receber seu pagamento logo que termina o seu trabalho.

 4-Al-waqf

 Seu conceito:

O waqf no sentido linguístico entende-se como uma reserva.

Entretanto no sentido restrito do sharia entende-se como a acto de reservar uma parcela de terra(residência)  e permitir que se tire utilidade dela, sem que se venda ou herde-se.

 Essência da permissão do waqf:

A permissão do waqf consta na sunnat do Mensageiro, que a paz e bênção de Deus estejam com ele, e na unanimidade dos sábios muçulmanos.

Entretanto a sua prova na sunnat é o hadith que consta nos livros de Bukhari e Muslim, que Omar, que Deus esteja satisfeito com ele, quando conquistaram a terra de Khaibar dissera: ó Mensageiro de Deus eu consegui tanta riqueza da zona de Khaibar, cuja nunca  tive antes, então o que me ordenas? O Mensageiro respondeu: “se quiseres reserva a sua origem(parcela de terra) e tire em sadaqat daquilo que se tira dela no tempo da colheita, mas que saiba que a sua origem não se pode vender, oferecer e tão-pouco herdar-se”.

Portanto, Omar deu em caridade, reservando como waqf tudo o que era colhido daquelas terras e era canalizado para os pobres carenciados, os familiares, os escravos, para os que são para o caminho de Deus (guerras), ao viajante e o hóspede. Importa frisar que não há culpa nenhuma ao tutor, que vela pelo waqf alimentar-se do waqf de forma condigna ou alimentar um próximo, desde que não seja de forma esbanjadora.

O waqf é uma das práticas características dos muçulmanos, pois Jabir, que Deus esteja satisfeito com ele, comenta a respeito disso que na outrora todos os companheiros do Mensageiro que tinham o poderio económico  faziam o waqf.

Depreende-se do dito de Jabir, que Deus esteja satisfeito com ele, que  a situação actual em que as pessoas se encontram, difere a da era dos Sahabas (companheiros do Mensageiro), pois nos dias que correm as pessoas só se importam com o testamento e nem se preocupam com o waqf.

 A lógica da instituição do waqf:

  1. O waqf foi permitido com intuito de persuadir aquelas pessoas abastadas/ ricas a prática de boas acções e gestos humanitários, reservando uma parte de sua riqueza imóvel, que dura por muito tempo, permitindo fazer-se uso dela ou seja tirando-se a utilidade dela, pelo receio desses bens virem a ser tomados por alguns de seus herdeiros que não cuidarão bem deles, depois de estes (proprietários) tiverem falecido, por onde se extinguirão todas as boas práticas desses ricos e seus herdeiros  passarão por dificuldades. E para que se possam evitar todas estas possibilidades, e que haja mais gestos filantrópicos, o sharia instituiu o waqf na vida, para que seja o próprio proprietário dos bens quem reserva uma parte de sua riqueza como waqf e canaliza-o para o fim que ele próprio deseja, para que as pessoas  possam se beneficiar das rendas dessas terras/residências/ pomares depois de ele  perecer / falecer, como beneficiavam-se de suas caridades enquanto vivo;
  2. O waqf é a razão fulcral da existência de tantas mesquitas, escolas e outros projectos afins que foram criados ou concretizados a partir do waqf e que sua manutenção depende do mesmo. De salientar que muitas mesquitas durante a história do islam foram erguidas a partir do waqf, alias até mesmo  as necessidades duma mesquita, com tapetes, manter-se o local limpo e subsídio do pessoal que faz os trabalhos para a mesquita sempre dependeu e continua a depender do waqf.

 Termos que definem o Waqf:

Para o waqf existem termos francos como por exemplo expressões como: reservei para waqf, reservei e destinei sua renda para os pobres.

Entretanto existem termos /expressões metafóricas ou figuradas como por exemplo: impeço a venda desta parcela de terra, e reservo eternamente esta residência.

No entanto as expressões/ termos metafóricas indicam que seu falante quis mencionar o waqf se houver um dos três aspectos seguintes:

1.       A intenção, isto é se a pessoa usar termos metafóricos e tiver a intenção de fazer o waqf, considera-se o bem como um wafq;

2.       Quando as expressões /termos metafóricos estiverem associados a um dos termos francos, como por exemplo expressões do tipo: deixei como caridade isto reservado como waqf ou deixei tal bem como uma caridade eterna e proibida a sua venda;

3.       O proprietário do bem atribuir certas qualidades ao bem, como por exemplo: não se pode vender, muito menos oferecer-se. de salientar que da mesma maneira que o waqf concretiza-se ao proferir um dos termos/expressões, sejam eles francos ou metafóricos, também concretiza-se com uma acção, como o acto da pessoa que toma sua parcela de terra e edifica nela uma mesquita e dá permissão as pessoas de observarem nela o sualat.

 Tipos de Waqf:

O waqf divide-se em vários tipos, e quanto  a quem é destinado divide-se em dois tipos, que são:

1.       Waqf Khairy: que é o tipo de waqf cujo seu proprietário reserva por um período de tempo para uma fundação que trata de ajudas humanitárias, e depois do tal período estipulado é reservado para um certo indivíduo ou vários, como acontece em alguns casos onde o waqf é destinado para um certo hospital e/ou escola, e depois de um certo tempo é reservado para seus filhos;

2.       Waqf familiar ou da descendência (Ahliy / zuriyi):

É o tipo de waqf que o seu proprietário reserva-o por um certo tempo para si ou alguém ou várias pessoas, e completado o período reserva-se para uma certa fundação para fins filantrópicos, como exemplo: a pessoa que reserva seu waqf para si mesmo, depois para seus filhos e finalmente para uma fundação.

 O que se destina para o waqf:

Destina-se  para o waqf todo bem que tenha valor (bem que não tenha o seu idêntico), como imóveis ou seja  parcelas de terra, residências, segundo a unanimidade dos sábios e pode-se reservar  como waqf livros, roupa, animais e armas segundo a opinião de alguns sábios, que suportam-se com o hadith do Mensageiro: “Quanto a Khalid vocês prejudicaram-no, pois ele deu como waqf seu escudo (que os combatentes usam-no durante a guerra) e seu animal  para o caminho de Deus”. Como também há unanimidade que pode se destinar como waqf, tais como, os tapetes e candeeiros para as mesquitas.

Não obstante também pode se fazer o waqf de colares/ jóias para dá-los como emprestado ou uso, por ser um bem que é possível tirar a sua utilidade e continuar  ainda existente, como acontece com a parcela de terra.

 Condições exigidas no indivíduo que pretende fazer o waqf:

Para que um bem torne-se waqf tem certas condições exigidas no proprietário, que são as seguintes:

1.       O proprietário deverá ter a capacidade de fazer a doação ou seja dá-lo em waqf, o que depreende-se disso que não é aceite o waqf daquele que tenha levado bem de outrem a força, muito menos dum comprador, cujo não tem o poder do bem, por razão de não se ter completado a  operação;

2.       O proprietário que deseja fazer o waqf deverá gozar de juízo, o que entende-se disso que não é aceite o waqf do louco, muito menos daquele que tenha problemas mentais, etc;

3.       Que seja um púbere, o que depreende-se disso que não é aceite o waqf feito por um miúdo, mesmo que tenha discernimento;

4.       Que seja feito por uma pessoa que gere devidamente os seus bens, o que presume-se disso que não é aceite o waqf de quem tenha interdição jurídica por razões mentais  ou insolvência ou desleixo.

 Condições no bem que é destinado para o waqf:

Para que um certo bem seja aceite como waqf, há certas condições a obedecer, que são as seguintes:

  1. Que seja um bem que possa se avaliar (não tem o mesmo no mercado, em medidas e características idênticas);
  2.  Que seja um bem conhecido e definido;
  3. O bem deverá ser propriedade de quem dá em waqf no momento em que oferece-o como waqf;
  4. O bem deverá ser designado e não indeterminado, o que depreende-se disso que não se pode fazer o waqf de um bem indeterminado;
  5. Que o bem não constitua uma parte de sociedade;
  6. Que seja possível tirar-se utilidade do bem, segundo o costume da região e
  7. Que haja benefício permitido pelo sharia no bem destinado ao waqf.

 Como se pode tirar proveito do waqf:

Tira-se proveito do waqf fazendo uso dela como as residências para a vivenda, ou montar os  animais, consumo do leite, ovos e tirar proveito dos pêlos dos animais e da lã.

 Diferença entre Waqf e o testamento:

  1. O waqf consiste em reservar a origem e permitir que se tire utilidade do bem, diferentemente do testamento que consiste em transferir o direito de propriedades para outrem, depois da morte por meio de doação, sejam os bens imóveis e/ou móveis ou serviços;
  2. O waqf é um contrato contínuo e que não se pode cancelar depois de celebra-lo, segundo a opinião da maioria dos sábios, por apoiarem-se no dito profético a Omar: “Se quiser reserva a sua origem e dê caridade aos pobres daquilo que colhe dela”, enquanto o testamento é um contrato contínuo, mas pode-se cancelar pelo dono enquanto vivo antes de sua morte, que pode cancelar em tudo que colocou no testamento ou uma parte dele;
  3. O waqf tira o direito de propriedade de todos e reserva a utilidade do bem para quem foi lhe destinado o waqf, enquanto o testamento dá o direito de propriedade a quem é feito o testamento a seu favor, seja de um bem ou serviço;
  4. O direito de propriedade sobre o bem dado waqf dá-se/ verifica-se enquanto quem dá em waqf encontra-se vivo, assim como, depois de sua morte, diferentemente do testamento que o direito de propriedade do bem que se regista no testamento não se verifica, senão depois da morte de quem faz o testamento;
  5. Não há limite definido no bem dado como waqf, diferentemente do testamento que não pode exceder 1/3 da riqueza, salvo com a permissão dos herdeiros e
  6. O waqf pode-se destinar a um herdeiro diferentemente do que acontece com o testamento que não se pode destinar a um herdeiro, salvo com a permissão de outros herdeiros.

 5- O testamento

 Definição da palavra testamento:

O testamento é a declaração de alguém sobre como pode-se agir (sobre algo) após a sua morte, inclui o cumprimento dos encargos, doação de dinheiro, fazer casar as filhas, quem pode lavar quando morrer, quem pode realizar a oração fúnebre e a distribuição de 1/3 de sua riqueza e outros.

 A essência da permissão do testamento:

A essência nisso é o Alcorão, a sunnah e por unanimidade; Deus O Altíssimo diz: << É vos prescrito quando a morte se apresentar a um de vós, se deixar bens, fazer o testamento.>>(Al-Bacara:180).

E o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – disse: “não é concebível que um muçulmano que tenha algo para deixa-lo em testamento, durma duas noites sem que o seu testamento esteja pronto.” (Bukhari e Muslim).

 O que complementa o testamento:

  1. A frase.
  2. O registo.
  3. Um gesto claro.

Primeiro: A frase: Não há divergência entre os teólogos muçulmanos sobre a validade do testamento através da frase explícita. Por exemplo: Fiz o testamento para o fulano com X; ou não explicita que se entende como testamento pela comparação, como: tornei-o para ele após a minha morte X; ou testemunhem que eu fiz testamento para fulano por X.

Segundo: O registo quando provem de um incapaz de falar como o mudo ou a pessoa com a língua presa, quando estende a prisão de sua língua ou torna-se desesperado da sua capacidade de falar.

Terceiro: Um gesto claro, complementa-se o testamento do mudo ou a pessoa com língua presa por um gesto claro com a condição que esta com a língua presa não consiga a sua pronúncia.

 Classificação do testamento:

O testamento é permitido e recomendado; Deus O Majestoso, O Altíssimo diz: << Ó fiéis, quando a morte se aproximar de algum de vós e este se dispuserem a fazer um testamento, que apele para o testemunho de dois homens justos.>>

 Tipos de testamento:

  1. Testamento obrigatório:

É obrigatória para aquela pessoa que tem dívida e tem direitos de outrem bens assegurados de outras pessoas, neste caso esta pessoa  deve deixar tudo explícito com registo claro e sem ambiguidade, que define as dívidas que tem a favor de terceiros  e se eram imediatas ou diferidos, e aquilo que ele tem dentre os bens de outrem e pactos, isso para que o herdeiro esteja claro e saber agir com aquilo que recebeu de seu progenitor.

2- Testamento recomendável:

Considera-se de recomendável e incentivado  aquele testamento que se dá 1/3 dos bens para um não herdeiro. este é recomendável e despende-se para acções de bondade e caminhos do bem, e pode-se fazer para um familiar próximo ou uma pessoa estranha, ou para um determinado fim como a edificação e/ou apoio a mesquita X ou para certa utilidade em geral como a edificação e/ou apoios as mesquitas, escolas, bibliotecas, abrigos, hospitais e similares.

 Quantia do testamento:

Não é permitido que o testamento ultrapasse 1/3 da riqueza; conforme o dito do profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – para Saad quando perguntou: “Faço testamento de todos meus bens? O profeta respondeu: “Não.” Saad disse: A metade? O profeta disse: “Não.” Ele disse: 1/3? O profeta respondeu: “Sim. E 1/3 é muito.” (Bukhari e Muslim).

E não é permitido o testamento para o herdeiro ou o estranho mais que 1/3, excepto com permissão dos herdeiros.

 O que é considerável para a validade do testamento:

1-      Que seja pelo bem, ou seja por justiça.

2-      Que seja daquilo que Allah ordenou através do seu profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele.

3-      Que aquele que faz o testamento tenha intenção sincera pela causa de Allah e que seu propósito seja a prática da bondade e boas acções.

 As condições daquele que faz o testamento:

  1. Que seja apto para doar.
  2. Que tenha posse (do bem).
  3.  Que esteja satisfeito e por escolha própria.

 As condições do indicado no testamento:

1-      Que seja para um propósito de bondade ou permitido.

2-      Que o indicado esteja presente no momento do testamento e/ou presente por consideração e por isso é válido o testamento para o ausente.

3-      Que a pessoa seja conhecida.

4-      Que seja apto de posse e maturidade.

5-      Que não tenha matado alguém.

6-      Que ele não seja herdeiro.

 A condição do bem dado para o testamento:

  1. Que sejam bens que podem ser herdados.
  2. Que os bens tenham seu equivalente, segundo os hábitos reconhecidas pela shariah.
  3. Que sejam prontos para serem adquiridos mesmo que não estejam presente no momento do testamento.
  4. Que esteja na posse daquele que faz o testamento durante o testamento.
  5. Que o bem oferecido no testamento não seja pecado ou ilícito na shariah.

 Firmeza no testamento:

Por unanimidade recomenda-se o registo do testamento começando por “basmalah” (Bismillah rahmani rahim), elogios e louvores a Allah e algo similar, dirigir a bênção e a paz sobre o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – em seguida anunciar duas testemunhas por escrito ou por palavras depois de basmalah, louvores a Allah e as bênçãos sobre o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele.

 Tipos de administradores do testamento:

São três tipos de administradores do testamento:

  1. Administrador governante.
  2. Administrador juiz.
  3. Administrador escolhido entre os muçulmanos.

  As anulações do testamento:

1-      Voltar atrás sobre o testamento explicitamente ou evidências.

2-      Relacionar o testamento com uma condição que não se concretizou.

3-      Não existência de herança que está no lugar do testamento.

4-      Fim da elegibilidade do testador.

5-      Apostasia do testador, na opinião de alguns sábios.

6-      Devolução do testamento a partir daquele que foi indicado.

7-      Morte do indicado no testamento, antes do testador.

8-      Se o indicado no testamento matar o testador.

9-      Destruição dos bens específicos ou surgimento de sua realidade.

10-  Invalida-se o testamento se for destinado a um herdeiro e não permitirem os restantes herdeiros

 Terceira parte    SITUAÇÃO FAMILIAR

O casamento, suas regras e condições

Terceira parte: As situações familiares

O CASAMENTO

 Propósito da permissão do casamento:

- O casamento é dentre as tradições do Islam em que o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – incentivou dizendo: “Ó grupo de jovens! Quem dentre vós puder casar que se case, pois isso ajudá-lo-á a baixar os seus olhares e preservar a sua vergonha. E quem não puder que jejue, pois o jejum é um meio para reduzir a intensidade do desejo sexual dando-lhe um grau de imunidade.” (Narrado por jama’ah).

 - Entre os propósitos do casamento:

1- O casamento é um ambiente agradável que leva união da família, a transmissão do amor mútuo, a estabilidade emocional e sua manutenção contra relações ilícitas.

2- O casamento é melhor caminho de gerar filhos, aumentar a procriação e a manutenção da linhagem.

3- O casamento é o melhor meio de saciar o libido e atender o desejo livrando-se das doenças.

4- E no casamento há satisfação da paternidade e maternidade que cresce com a presença das crianças.

4-      No casamento há sossego, tranquilidade, modéstia e castidade para o marido e esposa...etc.

 Definição de casamento no sentido linguístico e na shariah:

 O casamento no sentido linguístico:

É relação sexual e união de duas coisas e pode ser denominado contrato. Quando dizes: Casou sua esposa, significa que manteve relações sexuais.

 E casamento no sentido restrito da shariah:

Acordo onde é considerada a palavra “fazer casar”, na frase e o contrato é um benefício para desfrutar ou união ou parceria.

 Classificação do casamento:

É recomendável para aquele que sente prazer e não receia incorrer no acto do adultério/ fornicação. É Obrigatório para quem receie incorrer no acto do adultério/ fornicação. Permitido para aquele que não tem o prazer, como o impotente e o idoso e é proibido nas terras dos descrentes (dar harb) caso não haja necessidade para tal.

 Preceito do casamento (palavras usadas no acto do casamento):

O casamento complementa-se por todas palavras que lhe evidenciam e por qualquer idioma; ele diz: “Casei ou contrai matrimónio” ou diz: “Aceitei este casamento ou casei-a, ou estou satisfeito; recomenda-se que seja no idioma árabe e quem não sabe, dá resposta ou aceita no seu idioma.

 Pilares do casamento:

 Tem dois pilares:

  1. Al-ijab (proposta): é a palavra proveniente do tutor (wali) ou aquele que o representa, dentre os que entendem o idioma árabe. Deve usar as palavras “faço-te casar” pois é uma palavra citada no Alcorão; o Altíssimo diz: << Casai as que vos aprazam das mulheres.>> (An-Nissá:3).
  2. Al-qabúl (aceitação): é a palavra proveniente do marido ou a quem o representa.

Com a palavra: “aceito” ou “estou satisfeito com este casamento” ou apenas: “aceito”. Primeiro é a proposta e depois a aceitação.

 As condições para a validade do casamento são quatro, que são:

1-      Especificação dos noivos.

2-      Consentimento dos noivos, não é permitido a imposição de um ao outro, e pede-se permissão em caso da mulher virgem ou solteira; e a permissão no caso da virgem é o silêncio dela, e para a solteira é a resposta dela; essas exigências não valem para o maluco e o tolo.

3-      O wali (tutor), a condição é de ser homem, livre, que atingiu a maturidade, com juízo, coerente e justo, e que haja concordância da religião. O pai da mulher tem mais direito de faze-la casar, depois o indicado no testamento de casamento, em seguida seu avô paterno, depois seu filho, em seguida seu irmão dos pais, depois o irmão paterno ee depois os sobrinhos, em seguida seu tio legitimo(de dois pais), depois o tio paterno e seus primos, em seguida a linhagem mais próxima e depois o líder.

4-      Testemunhas, o casamento não é válido excepto com duas testemunhas, homens, justos e responsáveis.

5-      Que o casal esteja livre das proibições.

 O que é recomendável e é proibido no casamento:

- Recomenda-se casar uma única mulher para aquele que teme injustiçar (caso sejam duas iu mais); e que esta mulher seja religiosa, estranha(que não é sua irmã, filha, mãe), virgem, fértil, linda.

– Recomenda-se para aquele que quer pedir em casamento na mulher, olhar partes do corpo que não sejam aurah (nudez), e aquilo que convida-lhe para o seu casamento sem se isolarem, para que tudo seja claro na sua decisão, assim como a mulher pode olhar no seu pretendente.

– Se não for possível para o homem olhar nela, então envia uma mulher confiável que possa aprecia-la e depois descreve para o pretendente.

– É proibido que um homem proponha casamento sobre o pedido de outro irmão, até ter uma razão ou autorizar.

– Permite-se a declaração e exposição no pedido de casamento a mulher que esteja no periodo de espera (iddah), cuja  foi divorciada (divorcio irrevogável) sem que seja três vezes.

– Proíbe-se a declaração e exposição no pedido de casamento, para a mulher divorciada (divorcio revogável) enquanto está no período de espera (iddah).

- Recomenda-se casar na sexta-feira à tarde; pois tem o período de aceitação das súplicas e recomenda-se que seja na mesquita se for possível.

 QUARTA PARTE    REGRAS ESPECIFICAS PARA A MULHER MUÇULMANA

 Quarta parte: Regras específicas para mulher muçulmana

Prefácio:

Já que a mensagem da shariah é dirigida para pessoas responsáveis, essas dividem-se em três secções:

1-      Secção específica para o homem.

2-      Secção específica para a mulher.

3-      Secção conjunta entre os dois.

Nestas questões gostaria de fazer lembrar as mais importantes regras de fiqh referentes a mulher e a maioria das regras conjuntas entre o homem e a mulher que citei antes nas três secções anteriores. Aqui estão estas questões para ti:

 Questões específicas para a mulher

 Primeira questão:

Regra de mass’hu (passar a mão húmida durante a ablução) sobre a peruca: usar a peruca é permitido por necessidade.

Quando a mulher necessitar de usar a peruca, ela não fará mass’hu sobre ela durante a ablução para a oração; porque não constitui khimar (véu islâmico) e nem tem significado de khimar; pois é preciso passar a mão húmida sobre a cabeça ou sobre o cabelo que Allah criou.

 Segunda questão:

Pintar as unhas: algumas mulheres deliberadamente pintam suas unhas com esmalte, que impede que a água alcance a pele, e isso não é permitido, porém, a condição é de usar enquanto está purificada, mas deve remove-lo em outra ocasião durante a ablução.

 Terceira questão:

A menstruação: é o sangue que sai da vagina da mulher, numa situação saudável, sem ser motivo do parto ou defloração. Muitos teólogos muçulmanos observam que seu período é quando a menina atinge os nove anos, caso veja o sangue antes de atingir essa idade, não é considerado sangue menstrual, e sim, sangue causada por alguma doença ou um mal, e a menstruação pode-se estender até na idade avançada e geralmente interrompe-se ao atingir a idade de 50 anos.

Seus tipos são seis: preto, avermelhado, amarelado, castanho, verde e acinzentada.

O menor período de menstruação é dia e noite, o intermediário são cinco dias e o período máximo é de quinze dias e o mais na maioria das vezes é de seis ou sete dias.

E o menor período de purificação, o intervalo entre duas menstruações é geralmente de treze dias e pode ser menos ou mais que isso.

E a menstruação impede a prática da oração, o jejum, a permanência na mesquita, a leitura do Alcorão no próprio livro, a realização do tawaf e manter relações sexuais, assim como, é sinal de maturidade.

 Quarta questão:

Sangramento pós-parto (nifáss): é o sangue que sai da vagina após um parto ou mais filhos, mesmo sendo feto que é aparente a sua criação.

E o período do sangramento pós-parto: geralmente é de quarenta dias e não tem número exacto do período mínimo. Quando a mulher nasce gémeos considera-se o período de sangramento depois do primeiro filho a nascer e não o segundo.

O sangramento pós-parto impede as mesmas coisas que a menstruação impede, como o jejum, a oração e etc.

 Quinta questão:

Hemorragia (isstihadha): é o sangue que escorre no útero sem ser período menstrual ou pós-parto; e todo sangue que sai acima do período menstrual e pós-parto, ou sai abaixo da idade mínima, ou escorre antes da menstruação – que são nove anos – é considerado hemorragia. E a regra da hemorragia é que ela é impureza comum, não impede a prática da oração e nem o jejum.

A mulher com hemorragia faz ablução para cada oração e permite-se que o marido mantenha relações sexuais com ela.

E o sangue que a grávida vê considera-se hemorragia.

 Sexta questão:

Proíbe-se que a mulher raspe o seu cabelo excepto por necessidade, e proíbe-se tirar as sobrancelhas, fazer tatuagem, cortar parte do cabelo e deixar a outra e também afiar os dentes; pois o profeta – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele – “amaldiçoou aquele que faz e aquele que é feito.”

Proíbe-se para a mulher o uso de perfume, excepto se for para seu marido ou entre mulheres. 

 Sétima questão:

Nudez (aurah) da mulher: todo corpo da mulher é aurah diante dos homens estranhos, então é obrigada a se cobrir diante deles, assim como, não é permitida a se isolar com homem estranho.

E não pode viajar excepto com seu mahram, é aquele que é impedido para sempre por uma razão permissível como o parentesco ou ligação através do casamento (mussahara) ou por amamentação (irmãos de leite).

Na oração a mulher cobre todo seu corpo excepto o seu rosto, suas mãos e seus pés, e deve cobrir essas partes se for na presença de homens estranhos; e recomenda-se cobrir as mãos e os pés sempre. A roupa na qual se cobre deve ser larga e espessa, não pode parecer roupa do homem, nem com imagens que despertam a atenção, não pode parecer roupa de mulheres descrentes e nem roupa pode ser roupa de reputação.

 Oitava questão: Adorno da mulher:

A mulher tem acessórios que são permitidos para ela e outros que são proibidos; permite-se para ela o uso de perfume, o ouro, a prata, vestir tecidos de seda e vestir a cor de açafrão.

E é proibido para ela o adorno referente a fama e vaidade, e chamar a atenção das pessoas para ela, o perfume que espalha seu aroma e exibir-se em frente de homens que não sejam mahram.

 Nona questão: Voz da mulher:

A voz da mulher não é aurah excepto quando ela tentar a elisão, afinar e atrair as pessoas com isso e ter exagerado. E quanto a sua música é proibida, e muitos se simpatizaram a ela e tornaram um meio de atracção e ganhar dinheiro. A música é proibida para os homens e para as mulheres também. Permite-se para a mulher quando está em cerimónias festivas e na festa, no meio exclusivamente de mulheres, com palavras louváveis e sem música.

 Décima questão:

É permitido a mulher lavar o seu filho pequeno e seu marido (depois de morrerem), assim como, é permitido participar da oração fúnebre como o homem, mas não é permitida seguir o cortejo fúnebre e seu enterro, nem é permitida a visitar o cemitério, proíbe-se choro em voz alta e lamentação, esbofetear as bochechas, rasgar a roupa e arrancar os cabelos, tudo isso são coisas do tempo da ignorância e são dentre os maiores pecados. Não é permitido a mulher permanecer de luto para o homem que não seja seu marido acima de três dias, e se for o marido ela deve ficar de luto por quatro meses e dez dias, e deve permanecer na casa do falecido marido, e abster-se adornos e uso de perfume, e no período de luto não há uma roupa específica.

 Décima primeira questão:

A mulher deve-se adornar daquilo que Allah permitiu para ela, dentre o ouro e a prata, daquilo que ocorre normalmente de acordo o hábito e costume, e deve-se abster de esbanjamento e vaidade nessas coisas. Daquilo que ela usa entre jóias de ouro e prata não se paga zakat se for uso diário ou nas cerimonias.

 Décima segunda pergunta:

Permite-se que a mulher dê caridade dos bens de seu marido sem sua permissão, daquilo que ocorre normalmente de acordo o costume, se ela saber de seu agrado com isso, permite-se que a mulher dê zakat dos bens dela para o marido se for um dos merecedores de receber o zakat; se o marido for avarento e não despende o seu dever para ela, então, a mulher leva o suficiente para ela e os filhos, dos bens dele sem a sua permissão.

 Décima terceira questão:

Permite-se para a grávida e a mulher que esta amamentar, interromper o jejum quando temerem sobre a saúde delas ou seus filhos ou apenas a saúde delas, e nessas situações devem repor esses dias sem necessidade de fidiah. E caso elas temerem somente sobre seus filhos, devem repor e cumprir o fidiah. Isso para a mulher grávida, e quanto a mulher que amamenta, se o filho aceita a mama de outra mulher e ter condições de paga-la ou tem dinheiro para alugar a mulher para amamentar o filho, pode fazer e não necessita de interromper o jejum. E a regra da mulher que amamenta é como uma mãe.

A mulher não pode realizar o jejum facultativo sem permissão do marido, caso ele esteja presente.

 Décima quarta questão:

O homem não pode proibir a esposa a realizar a peregrinação obrigatória, se ela pedir permissão, deve aceitar e colaborar com ela daquilo que é possível cumprir a obrigação de Allah; e se for peregrinação facultativa, ele pode proibir quando isso levar a prejuízo de seu interesse ou interesse dos seus filhos.

 Décima quinta questão:

Durante o ihram a mulher veste a sua roupa comum e deve se abster diante disso.

  1. Roupa que tocou o perfume.
  2. Luvas.
  3. Niqab.
  4. Roupa açafroada.

 Décima sexta questão:

As mulheres no período menstrual e pós-parto tomam banho, intencionam o ihram e cumprem todos rituais, mas elas não realizam o tawaf na Casa (kaaba) até se purificarem. Quando elas se purificarem realizam o tawaf.

Décima sétima questão:

Permite-se a pronúncia de talbiah na peregrinação onde os homens elevam as vozes enquanto as mulheres ocultam; a mulher não pode efectuar o raml (andar rápido com passos curtos) no tawaf e nem no saii, e não eleva sua voz suplicando, nem tumultua diante da pedra preta e nem outro lugar.

 Décima oitava questão:

Raspar o cabelo e cortar faz parte de rituais da peregrinação; a mulher corta-o e o homem deve raspá-lo, pois, não é permitido que a mulher raspe a cabeça.

A característica do corte dela deve ser no tamanho da unha e se não for nesse tamanho, junta seu cabelo e corta nesse tamanho.

 Décima nona questão:

Recomenda-se para as mulheres a antecipação do tawaf al-ifadhah no dia de sacrifício (yaumu nahr, 10 de Dhul Hijjah) se temerem o aparecimento do ciclo menstrual.

A Aisha – Que Allah esteja satisfeito com ela – ordenava as mulheres a anteciparem o tawaf al-ifadhah no dia 10 de Dhul Hijjah temendo o aparecimento da menstruação; e não há tawaf al-wadaa’i (tawaf de despedida) para a mulher menstruada, caso ela tenha realizado tawaf al-ifadhah e esteja menstruada no momento de saída de Meca.

 Vigésima questão:

Não é permitido que a mulher muçulmana se case com homem não muçulmano, seja ele idólatra – comunista ou ateu ou outro – ou dentre os adeptos do livro, isso porque o homem tem direito de autoridade sobre a esposa e ela deve obedece-lo, e este é o significado de guardião; não há direito de um descrente ou idolatra ter o papel de guardião ou poder sobre aquele que testemunha que não há divindade além de Allah e que Muhammad é mensageiro de Allah – Que a paz e bênçãos de Allah estejam sobre ele -.

 Vigésima primeira questão:

A custódia é a acção de cuidar o pequeno ou a pequena, ou o louco que não é lúcido.

E a mãe tem o direito de custódia dom pequeno e a pequena e obriga-se a isso quando ela rejeitar, em seguida o avô, bem como suas mães, depois as irmãs paternas, depois a materna em seguida a paterna, em seguida seus tios paternos, depois suas tias maternas, depois tias da mãe, depois tias do pai, em seguida tias paternas, depois as filhas dos irmãos, depois filhas de seus tios e tias paternos, depois filhas dos tios do pai e filhas das tias do pai, depois para o resto de famílias mais próximas; quando o rapaz atingir sete anos o melhor é estar entre seus pais e fica com quem ele escolher; e quanto a criança do sexo feminino, seu  pai  tem mais direito (de sua guarda)  depois de ela completar sete anos de idade  até ao momento preste a casar.

 Vigésima segunda questão:

Os teólogos muçulmanos das quatro escolas (mad’hab) são unânimes sobre a obrigação da mulher cobrir seu corpo diante de homens estranhos, seja aquele que vê que o rosto e as mãos são aurah ou aquele que não vê que sejam; eles observam que nessa época há perdição de muitas pessoas e a delicadeza da religião deles e a falta de medo em olhar ilicitamente para a mulher.

Isto é o que facilitou a compilação deste breve guia, pedindo o Guardião, o Altíssimo, o Poderoso, que seja benéfico; e Allah atrás de todos objectivos é quem guia para o caminho certo.