Onde é que estão do direitos Humanos

 Crónica Semanal

Os muçulmanos, seja qual for o quadrante em que se encontrem, entristecem-se profundamente quando têm conhecimento de algum acto de violência contra Humanos, pois somos todos criaturas de Deus, iguais perante Ele, daí que não fiquemos indiferentes perante o sofrimento, a dor e o choro de quem quer que seja.

Temos o dever de promover e propagar a mensagem do Isslam, que é uma mensagem de Paz, dignidade, justiça e Direitos Humanos. E isto não é algo novo, pois o conceito de Direitos Humanos existe desde os primórdios da criação do Homem. Historicamente, o Homem sempre lutou por se libertar da opressão por parte do seu semelhante.

Por exemplo, quando o faraó Ramsés II do Egipto oprimia o povo de Israel, Deus enviou o profeta Moisés, com a missão de libertar este povo sofrido, da tirania em que vivia.

Há cerca de 2 séculos os camponeses franceses que viviam sob o despotismo das monarquias de então, sublevaram-se e proclamaram a República sob o slogan “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

Na América do Norte a guerra civil deu luz à Constituição dos E.ﷻ‬.A., tendo sido elaborada e declarada uma lista de direitos dos cidadãos.

Depois da II Guerra Mundial as Nações Unidas elaboraram em 1948 a Declaração Universal dos Direitos Humanos, na qual se proclamava o direito à vida, à liberdade, à segurança das pessoas, à liberdade de consciência, de religião, de associação, de expressão, de associação política, etc., e isso inclui o conceito segundo o qual toda a pessoa é inocente até que se prove o contrário. Proclamava igualmente o direito à emigração e ao regresso ao País quando se quisesse, e estabeleceu em termos gerais, quais os Direitos Humanos a salvaguardar em todos os países.

 Depois, já nos primórdios da segunda metade do Séc.

 XX teve início a epopeia libertadora das nações, predominantemente africanas, do jugo colonial.

A luta pelos Direitos Humanos continua, havendo organizações que desenvolvem um excelente trabalho na divulgação de casos de inobservância e abusos que se verificam por esse Mundo fora.

Desenvolvem campanhas contra a situação de atropelos que se registam em muitos países, mas infelizmente, um relance aos relatórios que vão sendo divulgados, deixam-nos deveras desapontados, pois a sua observância baseia-se quase sempre na conveniência.

Acham estar tudo bem desde que não fira os seus interesses económicos ou nacionais, independentemente de quem possa ficar prejudicado, de quem possa ficar privado dos mais básicos cuidados de saúde ou de justiça, ou mesmo de morrerem. Não há lugar a considerações morais ou éticas, desde que os atropelos sirvam os interesses dos governantes no poder.

Muitos dos governos actuais não hesitam em vender armamento a ditadores cruéis com alguma capacidade financeira, apesar de violarem os Direitos Humanos.

O caso mais recente é o da Síria, em que centenas de milhares de pessoas estão a morrer, outras sofrem, ou vivem como refugiadas noutros países, muitas delas morrendo afogadas na longa e penosa odisseia de alcançar a Europa, tudo isso devido ao facto de serem súbditos de um País governado por um tirano. E mesmo sendo déspota há países que lhe vendem armamento.

De facto, toda a história dos Direitos uHHumanos está ligada à história dos refugiados e grupos minoritários no Mundo.

No Isslam, a justiça não é só para ser aplicada

 ou ignorada, para  conveniência dos muçulmanos. Os muçulmanos não são o povo escolhido de Deus, com uma Lei para si, e outra para os outros. Eles têm primeiro que ganhar a satisfação de Deus, com esforço e sacrifício todos os dias. Nenhum profeta morreu para expiar os pecados dos muçulmanos, e cada um terá que carregar o seu próprio fardo.

O Isslam exige que os muçulmanos sejam justos, mesmo perante os seus inimigos. Consta no Al-Qur’án, Cap. 5, Vers. 8:

“Ó crentes! Sede testemunhas firmes perante Deus; E que o ódio contra um povo não vos induza a não serdes justos; Procedei com justiça, pois esta está mais próxima da piedade. E temei a Deus, pois Ele conhece o que fazeis”.

 O Isslam também ensina a igualdade absoluta perante a Lei.

 Consta que uma mulher pertencente a uma família nobre foi presa por roubo, tendo sido levada perante o Profeta Muhammad (S). Algumas pessoas tentaram interceder a seu favor para que não fosse castigada dado o seu elevado estatuto social. O Profeta (S) disse: As nações antes de vós foram destruídas por Deus em virtude de os seus líderes castigarem apenas as pessoas comuns, deixando impunes outras pessoas que prevaricavam. Eu juro, por Aquele em cujas mãos está a minha vida, que se a minha filha Fátima tivesse cometido esse crime, eu cortaria a sua mão”.

Há 1.400 anos, no seu histórico sermão durante a derradeira Peregrinação, o Profeta Muhammad (S) pronunciou a Declaração Internacional dos Direitos Humanos à luz do Isslam.

Mas antes disso, quando da sua migração para Madina, ele havia produzido um tratado em que os direitos das minorias eram salvaguardados.

O Profeta disse: “O muçulmano é aquele de cuja língua e mãos, outros muçulmanos estão seguros. E o verdadeiro crente (Mú’min) é aquele em quem a Humanidade encontra um santuário para a sua vida e prosperidade”.

 Direitos Humanos também implicam obrigações humanas, pois esta é a outra face da moeda.

Os muçulmanos têm a obrigação de fazer chegar a mensagem verdadeira do Isslam a todos neste Planeta. Não podemos olhar para os Direitos Humanos como um conceito nebuloso, que apenas é aplicado aos outros, pois na verdade eles devem começar connosco, individualmente. Eles devem estar ligados à vida da comunidade, das famílias, e como nós olhamos para nós próprios.

Podemos começar por tratar bem as pessoas que nos rodeiam, como os pais, os irmãos, os vizinhos, os colegas de trabalho e de escola, etc.

Todos nós temos a grande responsabilidade e desafio de dissipar as mentiras e as propagandas contra o Isslam, revelando a verdade ao Mundo actual.

Rogo à Deus que nos ajude a defender os Direitos Humanos, e com o mesmo vigor e determinação, defender os Direitos Humanos dos outros. Ámin!

Não devemos nunca ser daqueles que exigem justiça para si, mas que não estão preparados para proporcionar justiça aos outros.