A HISTÓRICA VIAGEM DE HAJJ (PEREGRINAÇÃO À MAKKAH)

Descrição resumida

Neste artigo o Sheik falou açerca das virtudes e benefiçios da peregrinação a Makkah,fez menção de alguns ditos proféticos que substançiam estes méritos.

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Descrição detalhada

    A HISTÓRICA VIAGEM DE HAJJ (PEREGRINAÇÃO À MAKKAH)

    < PORTUGUÊS>

    Author' name

    Aminuddin Muhammad

    —™

    Reviser's name:

    Muhammad Fakir

    A HISTÓRICA VIAGEM DE HAJJ (PEREGRINAÇÃO À MAKKAH)

    Crónica Semanal

    A HISTÓRICA VIAGEM DE HAJJ (PEREGRINAÇÃO À MAKKAH)

    Em todos os actos de adoração Deus prometeu misericórdia e grande recompensa. Por exemplo, na prática do Salát (orações rituais, diárias) no Zakát (taxa anual obrigatória), no Jejum, etc., foi prometido o Paraíso e as suas delícias.

    Contudo, o Hajj (Peregrinação à casa de Deus em Makkah) ocupa uma posição distinta. É como se fosse o última instância no capítulo da sujeição à Deus. É como se, quando se completa o Hajj, a pessoa recebesse o último diploma ou medalha de satisfação da Corte Real Divina

    Por isso, Deus diz: “A recompensa do “Hajj Mabrur” só pode ser o Paraíso” isto é, o “Hajj Mabrur” é um acto de adoração tão elevado que não tem outra recompensa que não seja o Paraíso.

    O “Hajj Mabrur” é o Hajj que é observado apenas para agradar a Deus, um Hajj em que não se cometeu nenhum pecado, não se fez alarde, e durante a viagem não se desobedeceu a Deus em nada.

    De facto, isso é algo difícil, e sendo possível cumprir essa condição apenas com a ajuda de Deus.

    A forma aparente do Hajj é muito admirável, e há nela uma formidável atracção. Passo a passo atravessam-se graus de amor.

    A meta é juntar-se ao grande oceano, pois no coração de muitos há a ansiedade em se chegar lá, à terra do nosso querido Profeta Muhammad (S).

    A viagem é deveras longa, e o pretendente deve procurar a provisão lícita e pura, e um companheiro piedoso. Despede-se dos familiares e amigos com os olhos marejados de lágrimas, liquidam-se as contas e as dívidas que se têm, pede-se perdão caso se tenha ofendido ou lesado alguém, e tenta-se chegar àquele local sagrado sem estar a dever nada a ninguém.

    Portanto, tenta-se lá chegar após ter-se resolvido todos os problemas com a criatura, para depois, chegado lá, resolver o restante com o seu Criador.

    Quando chega o momento de partida, toma-se banho e usa-se duas peças novas de tecido branco, como se estivesse, com sua própria iniciativa e opção, a iniciar a viagem para o Outro Mundo.

    Com o banho, a pessoa liberta-se da impureza física do corpo. Em seguida, ao usar os dois pedaços de pano branco e observar dois ciclos de Salát (oração), liberta-se da impureza íntima. Depois de a pessoa estar já purificada externa e internamente, convicta de que foi convidada, dirige-se à Corte Real Divina onde se apresenta para atender ao convite, dizendo: “Labbaika! Allah-humma labbaika; Labbaika laa Sharika laka labbaika. Innal- ham’da; wa ne’emata; laka wal-mulk; laa sharika laka” (Eis-me aqui presente! Ó meu Deus, eis-me aqui presente. Tu não tens nenhum sócio. Todo o louvor, a graça, e o Reino, pertencem a Ti. Tu não tens nenhum sócio).

    É com estas bonitas palavras que a pessoa começa a caminhar em direcção à Casa Sagrada de Deus. Este constitui o início deste acto de amor e adoração à Deus. No momento estamos despojados de todo o tipo de adornos portanto, deixamos de lado todas as exigências de conforto e luxo, sem roupa (que não sejam as duas peças de pano), sem chapéu, nem sapatos, cada um vai viajando como um apaixonado e louco.

    Logo que chega ao centro da manifestação de misericórdia divina (Ká’bah), começa a circundá-la repetidas vezes (sete), beija a pedra negra e chora. É-lhe apresentada como primeira prenda de hospedagem, a água milagrosa de Zam-Zam, para tranquilizar e refrescar o seu coração, e saciar a sua sede.

    Depois de terminar, o peregrino vai correr entre as colinas de Safá e Marwá. De seguida vai para o vale de Mina, para no dia seguinte se dirigir a Arafah onde se congregam milhões de peregrinos, e cuja cena nos recorda o plano da Ressurreição.

    É sem dúvidas uma congregação sem paralelo, com gente de todas as cores, e de línguas diferentes, irmanados no temor a Deus. Todos eles são hóspedes na Corte Real do Senhor dos Mundos. Aí cada um demonstra a sua humildade e procura o perdão, a graça e a satisfação de Deus. Qualquer prece (Duá) que a pessoa aí dirige ao seu Senhor, seja para si, seja para seus familiares e amigos é atendida.

    Depois do Zénite (Zawál) só se ouve no Arafah vozes de choro por todos os lados. Essa cena mantém-se até ao amanhecer, uns chorando, outros pronunciando o “Talbiyah” (Labbaika, Allah-humma labbaika…..) ou recitando o tah’lil (Laa ilaha illa’Allah… – Não existe outra divindade senão Allah), e outros a recitar o terceiro kalimah, levantando a voz com o slogan da unicidade de Deus.

    Essa relação entre o adorador e o Adorado não é vista em nenhuma parte do Mundo.

    Depois, quando o Sol se põe, todos partem para Muzdalifah onde vão pernoitar ao ar livre e onde farão as duas orações, a de Maghrib e Ishá. Aí continua a demonstração de sujeição, prostrando-se ou ajoelhando-se, ou mesmo permanecendo de pé em adoração, chorando humildemente, cada um no seu canto, em comunhão e, a dirigir as preces ao Senhor dos Mundos, com Talbiyah, Takbir, Tassbih e Tah’lil.

    No dia seguinte, depois da oração da aurora (Fajr) o peregrino volta a Mina onde vai cumprir com o ritual de apedrejamento do inimigo declarado da Humanidade – o Satanás amaldiçoado – seguindo-se depois a tradição do Patriarca dos Profetas – Abraão – que consiste no sacrifício em nome de Deus, de um animal quadrúpede, isto como símbolo de submissão à Deus, e também para indicar que para agradar ao Senhor, está disposto a sacrificar tudo, incluindo a sua vida e a sua riqueza. Finalmente, vai novamente fazer o “Tawáf” (cicundar a Ká’bah).

    Enfim, nesta viagem de amor, o peregrino apresenta um grande exemplo de sacrifício e submissão, e alcança a misericórdia e a satisfação, tornando-se merecedor do Paraíso ao regressar à sua terra, livre e perdoado de todos os pecados.

    Este é o resumo da viagem especial do Hajj, que todo o crente muçulmano anseia e cumpre pelo menos uma vez na sua vida. É uma viagem completamente diferente de todas as outras viagens.

    Felizardos são os que atendendo ao chamamento do Profeta Abraão, vão para lá pronunciando o “Talbiyah”.

    O número de peregrinos está a aumentar de forma constante, pois sem dúvidas que é a maior congregação religiosa a nível mundial. Mesmo de Moçambique o número de peregrinos sobe anualmente.

    Se todos cumprissem o ritual do Hajj como mandam as regras, certamente que muitas coisas no Mundo iriam mudar. Desejo a todos os peregrinos um Hajj abençoado e aceite, e um regresso são para as suas terras.

    [Shk. Aminuddin Muhammad, aos 1 de Outubro de 2015]

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