O Islão é…

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Descrição detalhada

O Islão é…

Introdução

O objectivo deste livro consiste em apresentar os verdadeiros ensinamentos do Islão. Não apresentamos qualquer versão específica ou uma interpretação única do Islão. Apresentamos o Islão como este é, sem embelezamentos, e permitimos-lhe defender-se pelos seus próprios méritos. Existe um único Islão, assim como existe um único exemplo de como este deve ser vivido – e que é o do Profeta Muhammad (ﷺ‬)[1]. É nossa intenção proporcionar uma visão geral dos principais dogmas do Islão, conforme constam do Alcorão e explicados pelo Profeta (ﷺ‬). Pretendemos também responder a algumas das questões mais comummente colocadas relativas ao Islão.

Não obstante o facto de um quinto da população mundial ser Muçulmana, o Islão é, muitas vezes, mal compreendido e interpretado pelas sociedades Ocidentais contem-porâneas. Esperamos que este livro ajude a compreender o Islão, conforme este foi divinamente transmitido a Muhammad (ﷺ‬), e ajude a dissipar qualquer concepção errónea perpetuadora de preconceitos e ódios. Escrevemos este livro, na esperança de que pessoas de todas as fés se juntem a nós, de modo a fazermos deste mundo, um mundo de tolerância, bondade, compreensão e paz.


 O que é o Islão?

Literalmente, a palavra Árabe “Islão” significa “entrega” ou “submissão”. O Islão, enquanto fé, significa entrega total e sincera a Deus, de modo a que seja possível à pessoa viver em paz e tranquilidade. A paz (Salam em Árabe, Shalom em Hebraico) é alcançada por meio de uma forte obediência aos mandamentos revelados por Deus, visto Deus ser o Justo, a Paz [2].

O significado do nome “Islão”[3] é universal. O Islão não foi assim nomeado devido a uma pessoa ou a uma tribo, como sucedeu com o Judaísmo, que deve o nome à Tribo de Judá, o Cristianismo, que surgiu depois de Cristo, ou o Budismo, que procedeu a Buda. O nome Islão não foi escolhido pelos seres humanos; foi divinamente transmitido por Deus. Trata-se de uma fé global, que não pertence ao Oriente ou ao Ocidente. É um modo de vida completo, que implica a total submissão a Deus. Aquele ou aquela que, voluntariamente[4], submete a sua vontade a Deus, é chamado Muçulmano. Não foi Muhammad (ﷺ‬), mas sim Adão (u)[5], quem primeiro transmitiu o Islão à Humanidade. Posteriormente, cada um dos Profetas e Mensageiros que se lhe seguiu, exortou o povo a compreender de forma inequívoca os mandamentos de Deus. Para o conseguirem, usaram ensinamentos relevantes adequados à época em que viviam, até que Deus escolheu o último dos Profetas, Muhammad (ﷺ‬), que trouxe consigo o Último Testamento, conhecido pelo nome de “O Alcorão”.   

Em Arábico, o nome “Allah” significa “O Único Deus Verdadeiro”, o nome adequado Àquele que criou os Céus e a Terra. Judeus e Cristãos que falam Árabe referem-se igualmente a Deus pelo nome de Allah. Para um Muçulmano, Allah é o maior e mais abrangente nome de Deus, referindo-se Àquele que é adorado quando se presta culto, Aquele que criou tudo o que existe.


 O Monoteísmo

O conceito de monoteísmo (conhecido pelo nome de “tawhid” em Árabe) é o mais importante dos conceitos do Islão. O monoteísmo aponta para o primeiro dos Dez Mandamentos e, no Islão, tudo se constrói em torno da unicidade de Deus. O Islão exorta a Humanidade a afastar-se da adoração a qualquer obra da criação, convidando-a, sim, a adorar o Único Deus Verdadeiro. Caso o conceito de monoteísmo esteja comprometido, acto algum de adoração ou veneração possui qualquer tipo de valor ou significado.

Dada a sua importância, o conceito de monoteísmo (unicidade e singularidade divinas) deve ser compreendido na sua totalidade, e de forma adequada. De modo a facilitarmos o debate, o monoteísmo pode ser visto de acordo com as seguintes três perspectivas:

 a)     A Unicidade de Deus em Sua Soberania (Omnipotência);

 b)    A Devoção de toda a adoração ao Deus Único;

 c)     A  Unicidade e Singularidade de Deus nos Seus Nomes e Atributos.

De modo algum esta enumeração representa a única via de acesso à abordagem de que Deus é Único e apenas Um. Contudo, permite que o tema seja mais facilmente analisado e discutido (o monoteísmo é a chave para a compreensão do Islão, sendo recomendado que se reveja este conceito).

 A Unicidade de Deus na Sua Soberania

A Unicidade de Deus na Sua Soberania significa que Deus, o Criador Original dos Céus e da Terra, possui absoluto e perfeito domínio sobre todo o Universo. Unicamente Ele é o Criador de todas as coisas. A Ele somente se deve tudo aquilo que acontece. É Ele Aquele que proporciona todo o alimento e determina a vida e a morte. Ele é o Poderoso, o Omnipotente, perfeito em todas as coisas e sem defeito algum. Ninguém partilha com Ele o Seu domínio. Ser algum pode resistir à Sua Predestinação. Ele é Aquele que criou cada um de nós, que o fez a partir de uma única célula, tornando-nos naquilo que somos. Ele é Aquele que criou mais de cem biliões de galáxias, que criou cada electrão, neutrão e quark constituinte destes. A Ele se deve o facto de que, tudo aquilo que existe, assim como as leis da natureza, se mantenham em perfeita ordem.. Não cai uma folha sem que Ele assim o permita. Tudo o que existe é mantido num registo preciso.

Ele é, de longe, muito superior ao que podemos imaginar. Ele é de tal modo poderoso que, para criar algo, limita-se a dizer simplesmente: “Existe!”, e assim acontece. A Ele se deve a criação de todos os mundos conhecidos e desconhecidos, não obstante o facto d’Ele não ser parte de nenhum deles. Muitos dos credos existentes reconhecem que o Criador do Universo é um só, sem outro igual. O Islão engloba o conhecimento de que Deus não é parte da Sua criação, e que nada da Sua criação partilha do Seu poder.

No Islão, acreditar que alguma das criações de Deus partilha do Seu poder ou atributos é considerado politeísmo e falta de fé. Exemplo destas falsas crenças seria acreditar que cartomantes ou astrólogos podem predizer o futuro; Deus, o Todo Sapiente, diz que somente Ele possui o conhecimento do futuro. Apenas o Divino pode oferecer ajuda divina. Ser algum, com excepção de Deus, possui a capacidade de conceder ajuda ou orientação divina. Acreditar que feitiços ou talismãs para atrair a boa sorte possuem algum tipo de poder, é tido como uma forma de politeísmo. Tais conceitos são negados pelo Islão.

 A Devoção de toda a Adoração ao Deus Único

Somente a Deus, o Apreciativo, deve ser prestado culto. Isto foi anunciado por todos os Profetas e Mensageiros do Islão, os quais foram enviados por Deus ao longo dos tempos, e é esta a crença fundamental do Islão. Deus diz-nos que o objectivo da criação da Humanidade é o de O adorarmos. O objectivo do Islão é o de afastar as pessoas da adoração à criação, encaminhando-as em direcção ao Criador, a quem unicamente se deve prestar culto.

É aqui que o Islão difere das outras religiões. Não obstante o facto da grande maioria das religiões ensinar que existe um criador, o qual é responsável pela criação de tudo o que existe, raramente elas estão livres de alguma espécie de politeísmo (idolatria), isto no que respeita ao culto. Estas religiões, ou convidam os seus fiéis a adorar outros seres para além de Deus (embora, normalmente, coloquem estes outros deuses a um nível mais baixo do que Deus, que é O Criador), ou, então, exigem que os seus seguidores confiem em outros seres, como intermediários entre eles e Deus.

Todos os Profetas e Mensageiros de Deus, desde Adão (u) a Muhammad (ﷺ‬), instigaram as pessoas a adorar unicamente a Deus, sem Lhe conferirem associados e sem a necessidade de intermediários. Esta é mais pura, simples e natural das fés. O Islão rejeita a noção defendida pelos antropologistas culturais de que a religião inicial dos seres humanos era o politeísmo – a qual, gradualmente, foi desenvolvendo-se para o monoteísmo. Na verdade, os Muçulmanos acreditam justamente no contrário, ou seja, que as culturas humanas regrediram para a idolatria durante os intervalos de tempo existentes entre os vários Mensageiros de Deus. Mesmo enquanto os Mensageiros estavam entre os povos, foram várias as pessoas que resistiram ao seu chamado e praticaram a idolatria, não obstante os avisos recebidos. Subsequentes Mensageiros foram enviados por Deus, com a missão de as trazer de volta ao monoteísmo.

Deus criou os seres humanos com a inclinação natural e inata para O adorarem, e a Ele somente. Contudo, Satanás faz o possível e o impossível para afastar as pessoas do monoteísmo, seduzindo a Humanidade para a adoração de coisas criadas (idolatria). A grande maioria das pessoas tem tendência a centralizar a sua devoção em algo que pode visualizar, algo de imaginável, não obstante o facto de possuírem o conhecimento instintivo de que o Criador do Universo é, de longe, muito superior àquilo que conseguem imaginar. Ao longo da história humana, Deus enviou uma sucessão de Profetas e Mensageiros, para que estes chamassem os povos de volta ao culto prestado ao Deus Único e Verdadeiro. Devido à sedução exercida por Satanás, as pessoas desviam-se constantemente para a adoração de coisas criadas (idolatria e politeísmo).

Deus criou os seres humanos para O adorarem, a Ele somente. No Islão, o maior dos pecados possíveis de cometer, é o de adorar algo ou alguém que não Deus, mesmo que o adorador pretenda aproximar-se de Deus, oferecendo a sua devoção a outro ser. Deus, o Suficiente, não necessita de intercessores ou intermediários. Ele ouve todas preces e possui perfeito conhecimento de tudo o que acontece.

Ao mesmo tempo, Deus não necessita que Lhe prestemos culto, mas diz sentir-Se agradado se o fizermos. Ele é completamente independente de todas as coisas, enquanto que toda a criação é dependente d’Ele. Se todas as pessoas do Mundo se juntassem para, conjuntamente, adorarem somente a Deus, isso em nada beneficiaria a Deus, não acrescentaria um único átomo ao Seu majestoso domínio. Do mesmo modo, se toda a criação deixasse de adorar a Deus, isso em nada diminuiria o Seu domínio. Ao adorarmos a Deus, beneficiamos as nossas próprias almas e cumprimos o nobre objectivo para o qual fomos criados. Deus não possui necessidades algumas; Ele é o Eterno, o Absoluto.

O acto de prestar culto não se resume unicamente às práticas ou cerimónias religiosas tradicionais. O conceito de prestar culto é abrangente. Mudar uma fralda, honrar e cuidar de pai e mãe, apanhar um pedaço de vidro partido do passeio – tudo isto podem ser formas de adoração, caso sejam feitas com o intuito de agradarmos a Deus. Se alguma espécie de conquista, seja riqueza, trabalho, poder ou reconhecimento, tornar-se mais importante do que agradar a Deus, também isso acaba por ser uma forma de politeísmo. 

 A Unicidade e Singularidade de Deus nos Seus Nomes e Atributos

A unicidade e singularidade de Deus nos Seus nomes e atributos indica que Deus não partilha os seus atributos com seres criados, e nem que estes os partilham com Ele. Deus é único em todas as formas. De modo algum Ele pode ser limitado, visto Ele ser o Criador de todas as coisas. Deus, o Grandioso, diz o seguinte:

«Deus! Não há outra divindade Além d’Ele, o Vivo, o Absoluto. D'Ele não se apossam nem o repouso nem o sono. Pertence-Lhe tudo o que existe nos céus e na terra. Quem poderá interceder perante Ele sem a Sua permissão? Ele conhece o que está em frente deles (seres vivos) e o que está por trás deles. E ninguém pode aperceber-se dos Seus conhecimentos, salvo daquilo que Ele quiser. O Seu Trono abrange os céus e a terra, cuja preservação não Lhe causa qualquer fadiga, pois Ele ó o Altíssimo, o Glorioso.» [Alcorão, 2 : 255]

No Islão, é proibido atribuir a Deus características da Sua criação. Os únicos atributos que Lhe podem ser imputados, são aqueles que Ele Mesmo revelou no Alcorão, ou os utilizados pelo Profeta (ﷺ‬) para O descreverem. Muitos dos nomes e atributos de Deus parecem possuir equivalentes a nível humano, mas isto é apenas um reflexo da língua humana. Os atributos de Deus, tal como o próprio Deus, são diferentes de tudo aquilo que a nossa experiência pode abranger. Por exemplo, Deus possui conhecimento divino. O Homem possui conhecimento. Contudo, o conhecimento de Deus em nada se assemelha ao conhecimento dos seres humanos. O conhecimento de Deus é ilimitado (Omnisciente, o Todo Sapiente). Não é um conhecimento aprendido ou adquirido. O conhecimento de Deus envolve todas as coisas, sem aumentar ou diminuir. Por outro lado, o conhecimento humano é adquirido e limitado, encontra-se em constante mutação, aumentando ou diminuindo, e sujeito ao esquecimento e a erros.

Deus, o Irresistível, possui vontade divina. Os seres humanos também possuem vontade. A vontade de Deus acaba sempre por acontecer. Tal como o Seu divino conhecimento, a Sua vontade abrange todas as coisas que Deus pretende que venham acontecer na criação – passadas, presentes e futuras. A vontade humana, por outro lado, não passa de uma intenção, de um desejo, que apenas pode suceder se Deus assim o desejar.

Os atributos humanos não podem ser atribuídos a Deus. Todos os atributos humanos são limitados. Deus não possui sexo, fraqueza ou defeito. Deus está para além do atributo sexual atribuído ao ser humano e à criação. Limitamo-nos a usar o pronome “Ele”, porque não existe um pronome sexual neutro nos idiomas Português/Semita, obe-decendo-se às convenções da língua Portuguesa. Quando no Alcorão utilizamos o “Nós” real em referência a Deus, fazemo-lo por respeito, o que de modo algum implica pluralidade. Imputar a Deus atributos de coisas criadas, é uma forma de politeísmo. Do mesmo modo o é, atribuir a coisas criadas atributos que pertencem unicamente a Deus. Por exemplo, pessoa alguma que acredite que ninguém mais, com excepção de Deus, é o Todo Sapiente e o Todo Poderoso, comete o pecado do politeísmo.

«Abençoado seja o nome do teu Senhor, o Majestoso, o Honorável.» [Alcorão, 55 : 78]


 Os Seis Artigos de Fé

Existem determinados princípios em que a pessoa deve acreditar, sem qualquer sombra de dúvida, de modo a que possa ser considerada Muçulmana. Tais artigos de fé são os seguintes:

 a)     Acreditar em Deus;

 b)    Acreditar nos Seus Anjos;

 c)     Acreditar nos Seus Livros;

 d)    Acreditar nos Seus Profetas e Mensageiros;

 e)     Acreditar no Dia do Juízo Final;

 f)      Acreditar na Predestinação.

 Acreditar em Deus

O Islão enfatiza o facto de que Deus é o Único, sem igual, o Envolvente de tudo o que existe, sendo único de todas as maneiras. Somente Deus, o mais Benevolente dos Benevolentes, tem o direito de ser adorado.


 Acreditar nos Seus Anjos

Os Anjos são criações de Deus. Deus, O Criador, criou-os a partir da luz. Os Anjos são poderosos, agindo sempre em conformidade com o que é ordenado por Deus.

Deus revelou-nos os nomes e os deveres de alguns dos Anjos. Os Muçulmanos devem acreditar na existência de Anjos. Gabriel e Miguel encontram-se entre os Anjos mencionados no Alcorão. Por exemplo, é da responsabilidade de Gabriel (u) transmitir a revelação de Deus aos Profetas e Mensageiros.

 Acreditar nos Seus Livros

Os Muçulmanos acreditam em todas as Escrituras originais reveladas por Deus aos Seus Mensageiros. Um Muçulmano deve acreditar em toda a Escritura mencionada por Deus no Alcorão. Deus, O Concessor, revelou tais Escrituras, as quais eram, na sua forma original, as verdadeiras palavras de Deus. As Escrituras mencionadas por Deus no Alcorão são as seguintes:

a)       Os Pergaminhos originais, conforme revelados a Abraão;

b)      A Tora original, conforme revelada a Moisés;

c)       Os Salmos originais, conforme revelados a David;

d)      O Injil original (O Evangelho de Jesus), conforme revelado a Jesus[6];

e)       O Alcorão, conforme revelado a Muhammad (ﷺ‬) [o qual  encontra-se ainda na sua forma original].

Os Muçulmanos consideram que, as Escrituras reveladas antes do Alcorão, e que se encontram presentemente em circulação na forma de várias edições e versões, não constituem uma representação exacta das que foram reveladas na sua forma original. Segundo o Alcorão, as pessoas distorceram estas Escrituras em benefício próprio. Tais distorções aconteceram das mais variadas formas, como, por exemplo, por meio de acréscimos ou eliminações de textos, ou alterações a nível de significado ou língua. Estas alterações foram adoptadas ao longo dos tempos e, o que permanece actualmente, é uma mistura do texto divino original com interpretações e contaminações humanas. Não obstante o facto dos Muçulmanos acreditarem em todos os livros previamente revelados, aquele pelo qual avaliam diferentes assuntos e no qual procuram a orientação última, é o Alcorão, assim como nas verdadeiras tradições do Profeta Muhammad (ﷺ‬).

 Acreditar nos Seus Profetas e Mensageiros

Os Profetas e Mensageiros foram indivíduos que receberam revelações de Deus e as transmitiram aos povos. Foram enviados para conduzirem a Humanidade de volta ao monoteísmo, para servirem de exemplos vivos de como se submeter a Deus, e para orientarem os povos em direcção ao caminho da salvação. Nenhum dos Profetas ou Mensageiros partilhou, fosse de que forma fosse, da divindade de Deus. Eles eram, unicamente, seres humanos. É proibido aos Muçulmanos adorarem-nos ou usarem-nos como intermediários com Deus. Um Muçulmano não deve, em momento algum, invocá-los, fazer-lhes súplicas ou procurar a Misericórdia e o Perdão de Deus através deles. Por conseguinte, o termo “Muhammadismo” (ou à portuguesa “Maometismo”) é um insulto e não deverá nunca ser aplicado a um Muçulmano. Cada um dos Profetas e Mensageiros explicou que, todos estes actos, são formas de politeísmo; e, quem quer que se envolva em tais práticas, não pertence ao Islão.

Ao longo dos tempos, e a todos os lugares do Mundo, Deus, o Concessor do Bem, enviou Profetas junto dos povos. Um Muçulmano deve acreditar em todos os Profetas e Mensageiros enviados por Deus. Alguns deles foram referidos por Deus, no Alcorão. Entre os nomes mencionados, constam o de Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Muhammad (u)[7].

Todos os Profetas e Mensageiros de Deus transmitiram os ensinamentos do Islão. Ao longo da História, todos os povos monoteístas, que se submeteram à vontade de Deus e seguiram a revelação de Deus aos Profetas e Mensageiros da sua época, são considerados Muçulmanos. O direito à herança de Abraão é obtido, não só através da linhagem, sinão pela adesão à crença monoteísta  e submissão a Deus, conforme praticadas pelo Profeta Abraão. Quando Moisés (u) surgiu e anunciou a sua Profecia, todos aqueles que verdadeiramente o seguiram no monoteísmo, eram Muçulmanos. Do mesmo modo, quando Jesus (u) surgiu e anunciou a sua Profecia, acompanhada de milagres e sinais claros e evidentes, tornou-se obrigatório a todos aqueles que pretendiam ser consi-derados Muçulmanos aceitarem-no incondicionalmente. Para o Islão, todos aqueles que negaram a Jesus (u) tornaram-se descrentes, em virtude do acto de o rejeitarem[8]. Rejeitar ou antipatizar com algum dos Mensageiros de Deus, desclassifica a pessoa enquanto Muçulmana. É exigido aos Muçulmanos que amem e respeitem todos os Profetas e Mensageiros de Deus, os quais chamaram a Humanidade a adorar unicamente ao Criador, sem igualar outros a Ele. Todos os Profetas e Mensageiros submeteram-se por inteiro a Deus, o que é considerado Islão.

Todos os Profetas, desde Adão (u) a Muhammad (ﷺ‬), eram irmão de fé. Todos eles chamaram as pessoas para a mesma Verdade. Diferentes Mensageiros foram enviados com diferentes conjuntos de leis transmitidas por Deus, para conduzir e orientar os povos, mas, a essência dos seus ensinamentos era a mesma. Todos eles apelaram às pessoas que se afastassem de adorar coisas criadas, e que adorassem unicamente O Criador, O Supremo.

No Islão, é concedida a Muhammad (ﷺ‬) a distinção de ser o último Mensageiro de Deus e o último dos Profetas[9]. Isto deve-se ao facto de, em primeiro lugar, Deus dar por completas as Suas revelações à Humanidade e estas se encontrarem para sempre e perfeitamente preservadas no Alcorão; e, em segundo lugar, por o Seu último Profeta e Mensageiro (ﷺ‬) ter vivido uma vida exemplar durante os vinte e três anos da sua Profecia, estabelecendo uma clara orientação para todas as gerações consequentes. No Alcorão, Deus diz que, depois dele, não virá nenhum outro Profeta ou Mensageiro. É por este motivo que Muhammad (ﷺ‬) é conhecido como o último dos Profetas. Isto significa que, a Lei Divina revelada e contida nos ensinamentos do Profeta Muhammad (ﷺ‬), destina-se a toda a Humanidade até ao Dia da Ressurreição (Dia do Juízo Final). Para se ser um crente, é obrigatório acreditar em Muhammad (ﷺ‬) e nas leis que foram reveladas por seu intermédio, assim como em todos os Profetas e Mensageiros (a paz esteja com eles) que o antecederam. Há também que acreditar, obedecer e submeter-se a Deus, Todo-Poderoso. Embora os Muçulmanos acreditem em todos os Profetas e Mensageiros de Deus, eles seguem e imitam os ensinamentos e exemplos do último Mensageiro, Muhammad (ﷺ‬). Relativamente a Muhammad (ﷺ‬), Deus, o Glorioso, disse o seguinte: 

«E não te enviamos senão como misericórdia para a humanidade.» [Alcorão, 21 : 107]


 Acreditar no Dia do Juízo Final

Os Muçulmanos devem acreditar, sem qualquer tipo de dúvida, no Dia do Juízo Final e na ressurreição física, quando o corpo ressuscitar e a alma se lhe reunir, por intermédio do poder infinito de Deus. Assim como Deus, o Congregador da Humanidade, nos criou, Ele é, com toda a certeza, a Ressurreição que nos trará de volta dos mortos, para nos apresentarmos em perfeito juízo perante Ele. Após o Dia do Juízo Final, a morte deixará de existir, e a nossa existência será para sempre. O Dia do Juízo Final será aquele em que todos os indivíduos se apresentarão perante O Criador, e serão questionados relativamente aos seus actos. Nesse importante dia, veremos detalha-damente os resultados do mais pequeno bem que tenhamos feito, e do mais pequeno mal que tenhamos praticado. Nesse dia, a mentira e o engano não serão mais possíveis. A recompensa final será o Paraíso, assim como o castigo último será o Inferno. O Céu e o Inferno são lugares literais que, na realidade existem. Não são símbolos ou metáforas.

Deus, o Reconhecedor e Recompensador do Bem, descreve o Paraíso (Jardim Celeste) como um local maravilhoso de prazer, de magníficos jardins eternos, percorridos por rios. No Paraíso, o calor ou o frio, a doença, a fadiga e o mal não existem. Deus, o Concessor da Segurança, removerá a doença do coração e do corpo dos seus habitantes e, tudo aquilo que eles desejarem, lhes será concedido. Àqueles que entrarem no Paraíso, será dito o seguinte: “Herdaste este Paraíso como resultado da misericórdia de Deus e dos teus bons actos”. O maior dos prazeres do Além será a possibilidade concedida ao crente de contemplar o rosto de Deus, o Altíssimo. O facto de uma pessoa ser Muçulmana não lhe assegura o Paraíso, a menos que ela morra em estado de Islão – submissão ao Deus Único.

Deus, o Avaliador, descreve o Inferno como um local eternamente horrível, para além da nossa imaginação, onde o fogo é alimentado por Homens e pedras. Quando Anjos implacáveis colocarem as pessoas no Inferno, dir-lhes-ão:

«Isto é o que vós costumáveis negar.» [Alcorão, 83 : 17]

Acreditamos que Deus é Todo Compassivo e Todo Misericordioso; contudo, para aqueles que o merecem, Ele é também severo nos Seus castigos.

A infinita justiça de Deus é absoluta e perfeita. No Dia do Juízo Final, todos os actos serão revelados e todos serão justamente tratados. Não entraremos no Paraíso somente devido aos nossos actos, mas também por misericórdia de Deus.


 Acreditar na Predestinação

Deus, na Sua Eternidade, sabe tudo o que acontece na Sua criação. Da perspectiva de seres temporais como nós, isto significa que Deus, o Que Tudo Observa, sabe tudo o que aconteceu no passado, o que acontece no presente, e o que acontecerá no futuro. O conhecimento divino de Deus é perfeito. Deus é Todo Sapiente, e tudo o que Ele sabe acabará por suceder.

Deus, o Dominador, possui absoluta soberania sobre a Sua criação. Tudo aquilo que existe dentro da Sua criação, e tudo aquilo que acontece, é resultado directo do que Ele cria. Tudo aquilo que acontece na criação é devido ao Seu poder, à Sua vontade e ao Seu conhecimento.


 O Livre Arbítrio dos Seres Humanos

Um aspecto importante do Islão é o de que todos os seres humanos possuem livre arbítrio para escolherem entre o bem e o mal. Deus, o Concessor, honrou a Humanidade com esta grandiosa oferenda. Contudo, esta acarreta igualmente uma grande responsabilidade e, no Dia do Juízo Final, seremos responsabilizados pelo uso que dela fizemos.

O livre arbítrio humano não contradiz, seja de que modo for, o facto de que Deus, a Testemunha, sabe de tudo o que acontece na criação. Uma pessoa pode dizer: “Se Deus sabe que vou pecar amanhã, então, é inevitável que eu o faça, visto o conhecimento de Deus ser infalível e, o que Deus sabe, acabará por acontecer”. O conhecimento de Deus da decisão desta pessoa não significa que ela seja obrigada a tornar real o que pensou fazer.

Do mesmo modo, o livre arbítrio humano não contraria a absoluta soberania de Deus sobre tudo o que existe na criação. E nem contradiz o facto de que, na criação, nada acontece, senão o que Deus deseja. Uma pessoa pode dizer: “Assim sendo, eu não possuo livre arbítrio algum. O meu livre arbítrio não é, senão uma ilusão”. Pelo contrário, Deus criou em nós a capacidade de formularmos intenções. Deus quer que consigamos fazer as nossas próprias escolhas. Quando uma pessoa faz uma escolha, Deus, por intermédio da Sua divina vontade, cria as acções e as circunstâncias que permitem a concretização da intenção da pessoa. É da vontade de Deus que os seres humanos possuam livre arbítrio. Nem sempre Deus se sente agradado com as decisões tomadas pelos seres humanos, mas Ele quer que lhes seja possível tomar estas decisões por sua livre escolha. Um exemplo disto, é o facto de uma pessoa decidir praticar uma boa acção. Esta boa acção pode nunca ser levada a cabo, mas Deus pode recompensar a pessoa pela intenção que teve de a praticar. Caso a boa acção venha a suceder, foi porque Deus assim o permitiu, e Deus recompensará tanto a intenção, como a acção. Por outras palavras, Deus, o Julgador, pode recompensar-nos pelas boas acções que tenhamos pretendido concretizar, embora o não tenhamos feito; contudo, Ele não castigará as pessoas pelas suas más intenções, desde que não concretizadas.


 Não existe Compulsão alguma na Religião

Tendo em conta a ênfase colocada no livre arbítrio dos seres humanos, deduz-se que o Islão apenas pode ser aceite de livre vontade. O objectivo da vida humana é adorar a Deus de livre vontade. Consequentemente, os assuntos relacionados com a fé apenas têm valor, liberdade de escolha. Caso uma pessoa seja coagida a aceitar uma religião, essa aceitação é falsa e não possui valor algum. Deus, o Amável, diz o seguinte:

«Não há compulsão na religião. O caminho verdadeiro já está distinto do errado; aquele que rejeita o sedutor (demónio) e crê em Allah terá lançado mão de um sustentáculo firme, inquebrantável. E Allah ouve e sabe tudo.» [Alcorão, 2 : 256]


 Os Cinco Pilares do Islão

São cinco, os actos de adoração obrigatórios que todos os Muçulmanos devem respeitosamente cumprir. Não os realizar representa um grave pecado. A edificação do Islão assenta nestes cinco pilares. Caso uma pessoa negue a obrigatoriedade de um deles, então, não pode ser considerada Muçulmana.

As cinco obrigações dos Muçulmanos são as seguintes:

a)       A declaração de fé: “Testemunhar que não existe outra divindade excepto Deus, e que Muhammad é o Seu Mensageiro” (Shahaadah);

b)      Orar cinco vezes ao dia (Salah);

c)       Pagar as esmolas anuais (Zakah);

d)      Jejuar durante o mês do Ramadão (Sawm);

e)       Ir em Peregrinação a Meca (Hajj).

 A Declaração de Fé (Shahaadah)

É obrigatório a toda a pessoa que pretende aderir ao Islão, acreditar e dizer: “Tes- temunho que não existe outra divindade excepto Deus, e que Muhammad é o Seu Mensageiro”. Com esta simples, mas importante e poderosa declaração, a pessoa é considerada Muçulmana. Não existe iniciação alguma no seio do Islão.

Os conceitos contidos no testemunho de fé podem ser explicados pela análise de cada uma das três partes que o constituem. A primeira parte, “Outra divindade…”, é uma negação do politeísmo[10]. É uma negação da existência de qualquer divindade verdadeira, a não ser Deus, ou de qualquer entidade que partilhe de algum dos atributos de Deus. A segunda parte, “…excepto Deus”, é uma afirmação do monoteísmo. Deus é o único a Quem deve ser prestado culto.

“Muhammad é o Mensageiro de Deus” constitui a terceira parte da declaração de fé. Trata-se de uma afirmação da Profecia de Muhammad (ﷺ‬), como o último dos Profetas e Mensageiros de Deus[11]. Isto exige a aceitação incondicional do Alcorão e do que verdadeiramente foi dito por Muhammad (ﷺ‬), assim como as suas tradições.

Ao acreditar e ao proclamar o testemunho de fé, a pessoa rejeita todos os falsos objectos de adoração, afirmando que Deus é o único a Quem deve ser prestado culto. Deus não possui igual ou associado. Deus promete que, assim que a pessoa afirmar e dizer sinceramente: “Testemunho que não existe outra divindade, excepto Deus, e que Muhammad é o Seu Mensageiro”, todos os seus pecados anteriores serão perdoados. Do mesmo modo, também os seus bons actos antes praticados poderão ser recom-pensados por Deus, o Complacente.

 Orar Cinco Vezes ao Dia (Salah)

É exigido ao Muçulmano que realize cinco orações diárias obrigatórias. Um Mu-çulmano vira-se para Makkah (Meca), enquanto realiza estas orações, direccionando-se para a primeira Casa construída para adorar ao Deus Único. A esta Casa é dado o nome de Ka’aba, uma estrutura vazia em forma de cubo, localizada no país que é agora a Arábia Saudita. A Casa foi erguida por Abraão (a.s) e pelo seu filho, Ismael (u), para adorar o Deus Único e Verdadeiro.

Há que ter em conta que o Islão não possui quaisquer símbolos ou relíquias sagradas. Nós não adoramos a Ka’aba; adoramos simplesmente a Deus quando nos direc-cionamos para a Ka’aba. Direccionarem-se para a Ka’aba une os fiéis nas suas orações ao Deus Único. Considera-se que, adorar a Ka’aba ou qualquer outra coisa criada, é prestar culto a um ídolo. De modo mais claro, os materiais utilizados para a construção desta Casa não são mais sagrados do que quaisquer outros, utilizados para a construção de um outro edifício qualquer.

Estas orações ocorrem durante o dia e durante a noite, e são uma constante lembrança do dever humano e da sua submissão a Deus. As orações representam um elo directo entre o fiel e Deus. Constituem uma oportunidade para que este regresse a Deus, enquanto Lhe presta culto, para agradecer, pedir perdão e suplicar pela Sua orientação e misericórdia.

Um Muçulmano pode, voluntariamente, orar mais vezes. As orações, no sentido geral de súplicas, podem, praticamente, ser oferecidas em qualquer momento e lugar.

 Pagar as Esmolas Anuais (Zakah)

É dever religioso de todo o Muçulmano, suficientemente próspero para acumular e reter lucros, dar parte dos seus ganhos anuais aos mais necessitados. Estas esmolas têm o nome de Zakah em Árabe, o que, literalmente, significa “purificação”. Todas as coisas pertencem a Deus, o Misericordioso, e a riqueza é tida como certa pelos seres huma-nos. O pagamento destas esmolas é uma forma que as pessoas financeiramente estáveis têm, de purificarem os lucros honestos que Deus lhes concedeu. Além disso, constitui um meio de, directamente, distribuir a riqueza pela sociedade, ajudando os pobres e necessitados. A Zakah (esmolas) purificam também a alma daquele que dá, diminui a ganância e fortalece a compaixão e a generosidade entre a Humanidade. O valor médio destas esmolas é de dois e meio por cento das poupanças acumuladas durante um ano. Estas esmolas são deduzidas das poupanças, não dos rendimentos e salários.

 Jejuar durante o Ramadão (Sawm)

Um Muçulmano púbere, fisicamente apto a fazê-lo, deve jejuar durante o mês lunar do Ramadão. Trata-se de um mês significativo, visto ser o mês em que ocorreu a primeira revelação do Alcorão a Muhammad (ﷺ‬). Dado um ano no calendário lunar ter onze dias a menos do que no calendário solar, gradualmente, o mês do Ramadão ocorre em todas as estações do ano. Do mesmo modo que a doação de esmolas é uma forma de purificar a riqueza, jejuar é uma forma de auto-purificação. O jejum tem início ao amanhecer e termina ao pôr-do-sol, da hora local. Durante as horas diurnas, a pessoa que jejua deve abster-se de comer, beber e manter relações sexuais com o cônjuge [12]. Estas actividades são permitidas desde o pôr-do-sol até ao amanhecer seguinte. O acto de jejuar ensina a pessoa a ter paciência e auto-controlo. Tal como orar, jejuar é uma forma de voltarmos a Deus, em sincera adoração. Os dois feriados Muçulmanos são, o ‘Eid Al-Fitre, celebrado no fim do Ramadão, e o ‘Eid Al-Adha, celebrado no fim da Hajj (Peregrinação a Meca). Jejuar lembra-nos as condições em que vivem os necessitados, levando-nos a apreciar as mais simples das benções, as quais frequen-temente temos como certas, como é o caso de beber um simples copo de água e comer à vontade.

 Ir em Peregrinação a Meca

Caso tenha possibilidade e meios para o fazer, todo o Muçulmano é obrigado a ir em peregrinação à Ka’aba, em Meca, uma vez na vida. Muçulmanos vindos de todas as partes do Mundo reúnem-se, com o objectivo de adorar e agradar a Deus. Anualmente, milhões de peregrinos visitam a Ka’aba e realizam a Hajj (Peregrinação a Meca).

O ritual da Hajj teve origem com o Profeta Abraão (u) e foi retomado por Muhammad (ﷺ‬). A peregrinação a Meca obriga os peregrinos a quebrarem as barreiras raciais, económicas e sociais que ainda possam existir nas suas sociedades. Constitui também um convite a cada peregrino a praticar a paciência, o auto-domínio e a piedade. Os peregrinos envergam vestes simples, que anulam as distinções de classe e cultura. Cada um destes actos obrigatórios de adoração mantém viva a lembrança de Deus, e lembra a todos os Muçulmanos que provimos de Deus, e a Deus regressamos.


 O Alcorão

O Alcorão é o registo final, infalível, directo e completo das palavras exactas de Deus, transmitidas pelo Anjo Gabriel[13] e firmemente implantadas no coração do último dos Seus Profetas e Mensageiros, Muhammad (ﷺ‬). Foram muitos os companheiros de Muhammad (ﷺ‬) que aprenderam e memorizaram o Alcorão, transmitindo-o de geração em geração, até chegar a nós, primeiro, por via oral e, depois, escrita.

Os livros que precederam o Alcorão, transmitidos pelos Profetas e Mensageiros (u) de Deus, foram também enviados por Este. Ao revelar o Alcorão, a mensagem de Deus foi restaurada e clarificada. O Alcorão é único em várias maneiras. Deus, o Guardião, preservou perfeitamente o Alcorão da corrupção, assegurando que esta o não atingisse até ao fim dos tempos. Este Livro é tido, não apenas pelos Muçulmanos, mas também pelos historiadores da religião, como o mais autêntico de entre os textos religiosos de todas as religiões[14]. Nenhum dos outros livros revelados chegou até nós na sua forma ou língua originais. A alguns deles, como é o caso dos pergaminhos revelados à Abraão (u), nem sequer tivemos acesso. Ao longo dos tempos, partes das outras Escrituras foram reescritas e, outras, eliminadas, distorcendo a mensagem original.

Deus não permitiu que esta contaminação atingisse o Alcorão, visto este tratar-se do Seu Último Livro, destinado a toda a Humanidade, até ao Dia do Juízo Final. Nenhum outro Profeta ou Mensageiro será enviado. Se Deus não tivesse protegido o Alcorão, este nunca teria chegado até nós na sua forma original. Por este motivo, Deus não confiou aos seres humanos a preservação do Alcorão[15].

Visto Deus ter continuado a enviar uma sucessão de Profetas e Mensageiros, a preservação divina das primeiras Escrituras não foi tão importante. A lei contida nessas Escrituras mais antigas não se encontrava ainda na sua forma final. Por ordem de Deus, Jesus (u) introduziu modificações nessa lei. Exemplo dessas modificações, é o facto de ter tornado legítimas algumas coisas antes consideradas proibidas, sem introduzir qualquer alteração no conceito fundamental de monoteísmo.

Uma outra qualidade única do Alcorão é o facto deste ser um milagre impressionante em si e por si mesmo. Milagre é um fenómeno que vai contra a ordem natural das coisas e manifesta claramente a intervenção de Deus, o Todo-Poderoso.

Todos os Profetas e Mensageiros foram portadores de milagres de Deus, os quais evidenciavam claramente a veracidade das suas Profecias. Abraão (u) sobreviveu sem mácula, ao facto de ter sido atirado a um fogo ardente. Moisés (a.s) ergueu o seu bastão, e as águas do mar dividiram-se, por misericórdia de Deus. Jesus (u), filho de Maria, tocava nos mortos e em doentes terminais, e trazia-os de volta à vida, completamente saudáveis, com a  permissão de Deus. Todos estes milagres revelavam a legitimidade e validade dos Profetas e Mensageiros, mas estes milagres apenas foram testemunhados pelas pessoas que então se encontravam presentes.

Embora a Profecia de Muhammad (ﷺ‬) fosse igualmente confirmada por vários acontecimentos milagrosos, de todos eles, o mais importante é, de longe, o Glorioso Alcorão. Deus intima todos aqueles que duvidam da autenticidade do Alcorão, a apresentarem um único capítulo similar aos deste Livro. (Há que realçar que o mais pequeno dos capítulos do Alcorão é composto por apenas três versículos). Isto nunca foi feito por nenhum ser humano, embora, ao longo da História, muitas tenham sido as pessoas que pretenderam desacreditar o Alcorão e erradicar o Islão. O desafio lançado por Deus permanece em aberto até ao Dia do Juízo Final. Um dos milagres do Alcorão é o facto deste ser o auge da literatura por excelência. Realmente, este encontra-se escrito na mais eloquente prosa Árabe alguma vez vista. O seu estilo não tem igual no idioma Árabe, trata-se de um estilo inimitável. O Alcorão destina-se a todos os povos, e encontra-se-nos disponível na língua Árabe original e actual, a qual é ainda extremamente falada em vários países do Mundo, por milhões de pessoas. Os textos originais de muitas outras religiões perderam-se ao longo dos tempos, e encontram-se, actualmente, escritos em idiomas que não são mais comummente falados.

Nem uma única palavra do Alcorão é da autoria de Muhammad (ﷺ‬). Todas as palavras que o compõem provêem de Deus. Na verdade, Muhammad (ﷺ‬) não sabia ler nem escrever. O Profeta (ﷺ‬) recitava o Alcorão exactamente como este lhe era revelado pelo Anjo Gabriel (u), enquanto que os seus Companheiros, obedecendo a instruções suas, o escreviam e memorizavam. O Alcorão é o discurso directo de Deus. Consequentemente, o Alcorão é o Único Livro de que dispomos actualmente da autoria unicamente de Deus. Não existem outras versões do Alcorão. Não obstante o facto de existirem muitas traduções do Alcorão, nem de perto estas são tão magníficas e lindas como o texto Árabe original. Apresenta-se, a seguir, um simples exemplo, composto pelo significado dado na tradução Portuguesa a um versículo do capítulo 112:

“Em nome de Deus, o Beneficente, o Misericordioso. Dizei: Ele é Deus, o Único e Verdadeiro; Deus, o Eterno, o Absoluto; Ele não foi gerado nem gerou; e não existe outro a Ele comparável.”


 O Profeta Muhammad (ﷺ‬) e a sua Suna (ár. Sunnah)

Muhammad (ﷺ‬) nasceu no ano 570 D.C., provindo da honrosa linhagem de dois dos maiores Profetas de Deus: Abraão (u) e o seu filho primogénito, Ismael (u). Muhammad (ﷺ‬) cresceu com o título de “o Confiável” e, aos quarenta anos, foi escolhido por Deus para ser o Seu último Profeta e Mensageiro.

A Suna refere-se ao que foi dito, praticado e aprovado pelo Profeta Muhammad (ﷺ‬). Os relatos e narrações referentes à Suna são conhecidos pelo nome de Hadice, tendo sido recolhidos em livros bem conhecidos. Tal como o Alcorão, Muhammad (ﷺ‬) recebeu a Suna por inspiração divina. Ao contrário do Alcorão, a Suna não é o discurso directo e literal de Deus.  Os ensinamentos vieram de Deus (revelação divina), mas as palavras foram as de Muhammad (ﷺ‬) [um exemplo para a Humanidade]. A Suna encontra-se igualmente meticulosamente preservada.

É obrigatório aos Muçulmanos seguirem a Suna do Profeta Muhammad (ﷺ‬). No Alcorão, Deus ordena aos crentes que obedeçam ao Seu Mensageiro (o Seu represen-tante). Deus diz o seguinte:


«Ó vós que credes! Obedecei a Deus, e obedecei ao Mensageiro ...» [Alcorão 4 : 59]

O objectivo da vida humana é servir e obedecer a Deus, o que é conseguido seguindo-se as práticas e os ensinamentos do Profeta (ﷺ‬). Deus diz:

«Na verdade, tendes no Mensageiro de Deus um excelente exemplo para aqueles que esperam contemplar Deus, deparar-se com o Dia do Juízo Final, e invocam Deus frequentemente.» [Alcorão 33 : 21]

O Profeta (ﷺ‬) revelou aos Muçulmanos como deveriam concretizar todos os aspectos da adoração a Deus. A sua morte sucedeu quando ele contava 63 anos de idade (no ano 632 D.C.), tendo sido sepultado na sua casa, na cidade de Medina (Yathrib). Foi sempre hábito seu saudar e afastar-se dos seus Companheiros com saudações e invocações de paz, o que é recomendado a todo o Muçulmano fazer. Em apenas um século, o Islão espalhou-se por três continentes, desde a China e por toda a Ásia, ao longo de África, chegando a Espanha, na Europa.


 Os Perigos das Inovações Introduzidas no Islão (Bid’ah)

Deus ordenou aos Muçulmanos que não se dividissem em seitas. Em termos de religião e culto, as inovações e divisões no seio do Islão são consideradas uma contaminação, um erro, uma transgressão. As primeiras transgressões abomináveis ao monoteísmo, como, por exemplo, adorar coisas criadas, tiveram como resultado a condenação de Deus. (Contudo, inovações em outras áreas, como é o caso da Ciência e da Tecnologia para o melhoramento da vida, são amplamente encorajadas). Deus, o Compassivo, disse-nos, por intermédio do Seu último Profeta, Muhammad (ﷺ‬), e quando este estava próximo do fim, que a religião do Islão estava completa. É imperioso que os Muçulmanos reconheçam que, qualquer alteração em matéria de culto, é estritamente proibida. Qualquer inovação introduzida pela Humanidade, a qual se encontra cons-tantemente sob a influência de Satanás, não poderá nunca acrescentar algo de positivo ao Alcorão, contribuindo apenas para a degradação da religião perfeita e completa, estabelecida por Deus. Todas as inovações em questões de religião levam ao desen-caminho, e todo o desencaminho conduz ao Inferno. As pessoas devem impedir toda e qualquer transgressão (adição ou eliminação), por mais pequena que seja, em questões de culto[16]. Caso sejam permitidas algumas alterações, estas transgressões serão aceites pelas futuras gerações, o que resultará numa outra religião fabricada pelo Homem, não sendo mais o Islão perfeitamente preservado por  Deus, o Verdadeiro. O acto de construir uma religião usando uma abordagem tipo “carrinho de compras”, onde se transporta apenas o que verdadeiramente está de acordo com os interesses humanos, acrescentando ou eliminando o que os possa contrariar, ou seguindo-se cegamente o líder de uma qualquer religião, tratam-se de estratégias inadmissíveis.

A alteração das leis de Deus é proibida pelo Islão. Deus condena os líderes religiosos que alteram os princípios divinos. Quem tentar introduzir inovações, colocando-se ao mesmo nível de Deus, comete politeísmo. Exemplo disto, seria tornar legítimo o assassinato de inocentes. As Leis de Deus são perfeitas e não necessitam de ser “modernizadas” por ninguém. Deus concede-nos liberdade para obedecer ou desobe-decer, escolhendo seguir a Sua fé ou os nossos próprios desejos. Contudo, proíbe-nos de modificar os Seus princípios religiosos.

(Interessa referir que a lua crescente não é representativa da religião Islâmica, visto o Profeta Muhammad (ﷺ‬) nunca a ter usado ou a ter mencionado. Trata-se de um símbolo pagão, uma inovação introduzida por gerações procedentes, na qualidade de símbolo político. Infelizmente, é comummente adoptado e confundido com um símbolo do Islão).


 A História de Adão e Eva

A história de Adão e Eva é referida no Alcorão. Não obstante o facto de, em muitos aspectos, ser similar à referida nas reminiscências das Antigas Escrituras, difere noutros deveras significativos.

Deus anunciou ao Anjos que havia colocado uma nova espécie sobre a Terra. A partir do barro, Deus criou Adão (u), dando-lhe alma. Ensinou-lhe o nome de todas as coisas, criando também a Eva, sua mulher, e dando-lhe igualmente alma. Deus permitiu-lhes que vivessem livremente no Paraíso, dizendo aos Anjos: “Curvai-vos perante Adão” (O que eles fizeram, não em acto de adoração, mas como forma de respeito). Satanás estava presente entre os Anjos, embora não fosse um deles. Ele era um Jinn[17], uma espécie de seres, criados por Deus antes de Adão (u), a partir de uma chama de fogo sem fumo, e que dispunham de livre arbítrio. Quando Deus ordenou aos Anjos e àqueles que se encontravam na sua companhia que se curvassem perante Adão (u), todos o fizeram, com excepção de Satanás, impedido pelo orgulho e pela arrogância. Satanás afirmava ser superior a Adão (u), visto ter sido criado a partir do fogo, enquanto que Adão (u) o fora a partir do barro. De facto, Satanás foi o primeiro racista da História.

Satanás caiu em desgraça perante Deus, o Avaliador, que o condenou pela sua desobediência. Contudo, Satanás, o amaldiçoado, pediu a Deus que lhe concedesse um adiamento até ao Dia do Juízo Final (Ressurreição), de modo a que lhe fosse possível fazer de Adão (u) e dos seus descendentes indignos. Satanás disse: “Na verdade, desencaminhá-los-ei e, certamente, despertarei os seus desejos vãos”. Deus concedeu-lhe a prorrogação solicitada, como tratando-se de um teste para a Humanidade. O que se passava é que Deus sabia aquilo que Satanás desconhecia. Importa ter em conta que, de forma alguma, jamais Satanás poderá “guerrear” com Deus, visto, como tudo o mais que existe, ele é Sua criação. Satanás existe apenas por vontade de Deus, encontrando-se completamente submetido ao Seu poder. Se Deus não quisesse que Satanás ou os seus ajudantes existissem, ser-lhes-ia impossível continuar a existir, nem que fosse por um só momento.

O Islão não concede que Satanás partilhe da divindade de Deus, não lhe atribuindo quaisquer qualidades divinas ou celestes. O Islão repele a ideia de que Satanás iniciou uma guerra com Deus, arrastando consigo um terço das hostes dos Céus. Satanás é um inimigo confesso da Humanidade, mas não passa de uma criatura, completamente dependente de Deus para a sua própria existência.

Não obstante o orgulho, a maldição e o facto de ter caído em desgraça perante Deus, Satanás serve um propósito. Deus pretende que os seres humanos possam escolher livremente entre o bem e o mal, tendo-lhes concedido uma capacidade inata para reconhecer o Criador e voltarem para Ele. É suposto o ser humano ser bom por natureza, nascendo puro, em perfeito estado de Islão (submissão). Satanás e as suas hostes comandam o mal, opondo-se ao bem, procurando desencaminhar a Humanidade para a perversão e para a idolatria, afastando-a do monoteísmo, da rectidão e do caminho de Deus. Deus, o Todo Sapiente, intima os Muçulmanos a seguirem o bem e proíbe o mal. Em virtude do exercício do livre arbítrio com que foram dotados, e resistindo às tentações de Satanás, os seres humanos podem alcançar um elevado estado de honra.

O que se segue é um resumo do caminho percorrido por Adão e Eva enquanto no Paraíso. Era-lhes concedida uma liberdade plena, e viviam felizes. Deus disse-lhes que comessem da fruta do Jardim, e que dela desfrutassem. Proibiu, contudo, que se aproximassem de uma árvore, avisando-os que, caso desobedecessem, estariam entre os culpados. Satanás procurou-os e desafiou-os, dizendo-lhes que Deus apenas os proibira de comer da árvore porque isso os tornaria imortais ou iguais aos Anjos. Assim sendo, foram ambos enganados por Satanás, e comeram da árvore.

Adão e Eva sentiram vergonha. Voltaram-se para Deus em sincero arrependimento, e Deus, o Perdoante, o Beneficente, o Misericordioso, perdoou-os. O Islão rejeita claramente o conceito de pecado original, ou a ideia de que todos os seres humanos nascem pecadores, em virtude dos actos de Adão. Nunca um ser humano poderá ser responsabilizado pelos actos de outro (porque Deus é o Justo). Todos os seres humanos são responsáveis pelos seus próprios actos e nascem Muçulmanos (submissos à Vontadede Deus), puros e livres do pecado. Importa referir que o Islão não culpabiliza Eva. Tanto Eva como Adão dispunham de livre arbítrio. Ambos comeram da árvore. O pecado e a desobediência de ambos tratou-se de uma iniciativa conjunta. O Islão rejeita a ideia de que a mulher é um ser malévolo e sedutor, amaldiçoado com a menstruação e as dores do parto, tudo devido ao pecado cometido por Eva.

Deus expulsou Adão e Eva do Paraíso, fazendo-os habitar sobre a Terra. Inicialmente, Deus dissera aos Anjos que colocara um novo ser na Terra. A Terra é onde Deus, desde a criação, no seu conhecimento infinito, pretendeu que permaneçamos.


 Jesus (u)

Jesus (u) foi um dos Profetas e Mensageiros de Deus, que apelou para a unicidade de Deus. Em momento algum, Jesus (u) reivindicou divindade para si mesmo, ou pediu para ser adorado.

O seu nascimento deu-se de uma virgem. Este foi um dos muitos milagres relacionados com Jesus (u) e permitidos por Deus. Jesus (u) nasceu sem pai. No Alcorão, Deus diz o seguinte:

«Na verdade, o caso de Jesus, perante Deus, é como o caso de Adão; Ele criou-o do pó, e depois disse-lhe: "Sê", e ele foi.» [Alcorão 3 : 59]

Deus criou Jesus (u), assim como criou tudo aquilo que existe na criação. Jesus (u), Adão (u) e Eva são únicos, no modo como foram criados: Jesus (u) nasceu sem pai; Adão e Eva foram criados sem pai e sem mãe. Relativamente a nós, todos nós tivemos pai e mãe. Acreditar que Jesus (u) é o filho de Deus, ou que Deus possui familiares, como é o caso de um pai, de uma mãe, de um filho ou filha, é o mesmo que atribuir o acto de procriação ao Criador[18]. Os Muçulmanos acreditam que isto é politeísmo, o que é absolutamente proibido no Islão. De modo idêntico, conceder atributos do Criador à Sua criação constitui um grande pecado, o que, no Islão, encontra-se claramente em oposição ao monoteísmo. Esta crença contradiz os ensinamentos de todos os Profetas e Mensageiros de Deus[19]. Deus está para além de qualquer atributo humano ou criado. Jesus (u) é o Messias, o Cristo, a palavra de Deus, o anunciado, enviado por Deus Misericordioso, enquanto Profeta e Mensageiro.

Deus diz-nos também que Jesus (u), filho de Maria, não está morto, que foi elevado à Sua presença. Os Muçulmanos acreditam que o regresso de Jesus (u) será um dos sinais do Último Dia. Quando Jesus (u) voltar, não virá na qualidade de Profeta e Mensageiro, portador de novas revelações. Pelo contrário, ele será o líder dos fiéis e destruirá o anticristo, que tanto engano e mal terá provocado sobre a Terra. Jesus (a.s) obedecerá à manifestação final da lei revelada a Muhammad (ﷺ‬).

 Pecado e Arrependimento

Pecar é desobedecer consciente e deliberadamente a Deus. O maior de todos os pecados é o politeísmo, embora a violação intencional dos mandamentos de Deus seja igual-mente um acto pecaminoso. Deus, o Preventor, proibiu várias coisas que são prejudiciais para o indivíduo ou para a sociedade. Exemplos de actos pecaminosos são o assassinato, as agressões, o roubo, a fraude, a usura (nota nº. 20), a fornicação, o adultério, a feitiçaria (nota nº. 17), o consumo de álcool, comer carne de porco e o uso de drogas ilícitas.

O Islão rejeita a doutrina do pecado original. Ser algum deverá ser responsabilizado pelos actos de outro, pois isto seria uma grande injustiça, e Deus, o Misericordioso, é o Justo. Cada um de nós é responsável perante Deus, Aquele que tudo vê, pelos nossos próprios actos. Contudo, caso uma pessoa incite outra a pecar, então, ambas são casti-gáveis. Uma, merece castigo por, na realidade, ter cometido o pecado; a outra, por a ter encorajado a fazê-lo.

Quando uma pessoa peca, merece o castigo de Deus. Felizmente, Deus é o Compassivo, Aquele que perdoa frequentemente. Deus age com conhecimento e justiça infinitos. Os Muçulmanos não acreditam que Jesus (u), filho de Maria, tenha morrido pelos pecados da Humanidade. Deus, o Compassivo, perdoa quem quer. O acto de acreditar que tenha sido necessário Jesus (u) sofrer e morrer para que os nossos pecados fossem perdoados, é negar o poder e justiça infinitos de Deus. A misericórdia de Deus é ilimitada.

Deus, o Respondente, promete-nos o perdão, caso nos voltemos para Ele, em sincero arrependimento. O arrependimento é um assunto sério, é a maneira pela qual a pessoa pode obter a salvação, por intercessão da misericórdia de Deus, motivo pelo qual não pode ser encarado de ânimo leve. O verdadeiro arrependimento obedece às seguintes condições:

  1. A pessoa deve reconhecer e aceitar que pecou, arrependendo-se verdadeiramente por o ter feito;
  2. A pessoa deve voltar-se humildemente para Deus, pedindo-Lhe perdão;
  3. A pessoa deve ter a sincera resolução de não voltar a cometer o mesmo pecado;
  4. Caso o pecado cometido tenha prejudicado alguém, a pessoa deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para o remediar.

Isto não significa que, caso a pessoa volte a cometer o mesmo pecado futuramente, o seu arrependimento prévio seja anulado. O que se torna necessário é o sério compro-misso de não voltar a pecar. Visto não sabermos o que o futuro nos reserva, a porta para o arrependimento está sempre aberta. Deus, Aquele que perdoa frequentemente, fica feliz, quando os filhos de Adão regressam a Si, em busca do Seu perdão infinito. O arrependimento é uma forma de prestar culto.

Ninguém, exceptuando Deus, pode perdoar os pecados. É proibido ao Muçulmano procurar o perdão divino através de outra pessoa, visto os Muçulmanos acreditarem que isso seria uma forma de politeísmo.


 A Estrutura Organizacional do Islão

O Islão enfatiza grandemente o relacionamento entre o indivíduo e Deus, sendo que este relacionamento se baseia nas orientações contidas no Alcorão e na Suna. Em contra-partida, este relacionamento irá definir o modo como um Muçulmano se relaciona com as restantes pessoas, o que originará justiça, organização e harmonia social.

O Alcorão diz o seguinte:

«Na verdade, o mais honrado, dentre vós, perante Deus, é aquele que é mais temente.» [Alcorão 49 : 13]

Os sábios, os piedosos, os conhecedores do Islão e os verdadeiros na prática religiosa são os líderes naturais do Islão.

O Islão não especifica o modo como alguém pode tornar-se erudito. Qualquer pessoa, com inteligência suficiente, estudo e determinação, pode procuraralmejar sê-lo. Contudo, nem todos disporão de tempo e recursos suficientes para o conseguirem. Todas as pessoas deverão esforçar-se para aprender o mais que puderem, embora reconheçam que Deus é Único, o Concessor do conhecimento e da compreensão.

O erudito desempenha um papel crucial na sociedade Muçulmana. Ele (ou ela) consagra anos da sua vida ao estudo do Islão. Não é permitido aos eruditos perdoar pecados, abençoar pessoas ou introduzir mudanças na lei de Deus. Eles comunicam a informação adquirida do estudo que fizeram do Islão e da Suna e, pela sua nobreza de carácter, inspiram os outros a serem melhores.

Determinadas pessoas utilizam a palavra “clérigo” para descreverem um erudito Muçulmano. Contudo, trata-se de um erro. No Islão, não existe um clero formal, pessoas ordenadas ou uma hierarquia. O relacionamento entre o indivíduo e Deus é directo. Ninguém, senão Deus, pode dizer o que é permitido e o que é pecaminoso. Ser humano algum pode abençoar outro. Cada pessoa responde directamente por si, perante o Seu Senhor e Criador.

Quando visitamos uma Mesquita, podemos ver alguém a conduzir as orações congre-gacionais. Sempre que os Muçulmanos oram em conjunto, escolhem alguém para liderar as orações, de modo a que lhes seja possível orar em uníssono e em harmonia. O melhor é que, a pessoa escolhida, seja a que possui maiores conhecimentos do Alcorão e do Islão. A esta pessoa é dado o nome de Imame, o que, literalmente, significa: “aquele que conduz”. Ao meio-dia das Sextas-Feiras, existe uma oração congregacional especial, à qual é requerida a participação de todos os Muçulmanos do sexo masculino, sendo que a participação feminina é voluntária. Esta oração semanal é precedida de um curto sermão. Aquele que pronunciar este sermão deverá ser o mais sapiente em termos de compreensão dos princípios Islâmicos.


 A Lei Islâmica

A Lei Islâmica deriva apenas do Alcorão e da Suna do Profeta Muhammad (ﷺ‬). Tal como o Alcorão, a Suna é uma revelação de inspiração em Deus. A Lei Islâmica abrange todos os aspectos da vida humana, desde como devemos adorar a Deus, a como nos devemos relacionar com os outros. Deus ordena aos crentes que façam deter-minadas coisas, enquanto proíbe outras. Somente Deus, o Omnisciente, o Justo, tem o direito de dizer o que é legítimo ou pecaminoso e proibido. Uma sociedade Islâmica pode fazer leis que vissem o melhoramento da qualidade de vida (ex., leis relacionadas com o tráfico), desde que essas leis não entrem em contradição com a Lei Islâmica. Deus, o Orientador e Dirigente, encoraja a prática de determinadas coisas, sem as ordenar, ao passo que desencoraja outras, sem as proibir. Todas estas injunções, consideradas em conjunto, formam a Lei Islâmica. Se tivermos em conta que existem questões que a Lei Islâmica considera simplesmente admissíveis, isto resulta em cinco regras básicas, possíveis de classificar todo o comportamento humano:

1.       Obrigatório;

2.       Encorajado

3.       Permitido

4.       Desencorajado

5.       Proibido

A Lei Islâmica é de origem divina. O motivo pelo qual obedecemos a estas leis, é porque Deus assim ordenou que o fizéssemos. Somos encorajados a entender a sabedoria subjacente à lei; contudo, espera-se que obedeçamos, mesmo que não compreendamos completamente o motivo porque o fazemos. O acto de compreender é mais uma oferenda acrescida. Por exemplo, comer carne de porco é proibido porque Deus assim o determinou. Deste modo, abstemo-nos de a comer por esse mesmo motivo, e não porque  sabemos cientificamente que este tipo de carne contém doenças únicas, e que é o último dos alimentos saudáveis. Mesmo que os cientistas conse-guissem criar geneticamente porcos livres de doenças, fazendo deles a comida mais nutritiva, continuaríamos proibidos de ingerir tal alimento. (Contudo, uma pessoa pode comer carne de porco, desde que seja para salvar a sua vida. Caso não existem outras opções, nada há de pecaminoso em tal acto).

As fontes da Lei Islâmica são o Alcorão e a Suna. Deus considera politeísmo permitir a um líder religioso alterar os Seus mandamentos, tornando legítimo o que Ele proibiu, e ilegítimo o que Ele permitiu[20]. Neste mundo, somente Deus determina o que é legítimo e o que é pecaminoso. No Além, unicamente Deus tem poder e sabedoria para recom-pensar os que praticam o bem, e castigar os que praticam o mal. 


 As Vestes Islâmicas

O Islão promove a modéstia e procura minimizar o vício e a imoralidade na sociedade. Uma das maneiras de o conseguir, é exigindo o uso de vestes simples, estabelecendo padrões de decência, tanto para homens, como para mulheres.

Na grande maioria dos países Ocidentais existem leis que definem o que é decente ou não. Normalmente, isto significa que é exigido ao homem que cubra os genitais e, à mulher, os genitais e os seios. Caso este requisito mínimo não seja cumprido, a acusação máxima que pode recair sobre uma pessoa é de conduta indecente. O motivo para a citada diferenciação nas vestes entre homens e mulheres, são as respectivas diferenças anatómicas existentes.

O código Islâmico, em relação às vestes mínimas para ambos os sexos, é mais conservador. Espera-se que, tanto homens, como mulheres, se vistam de forma simples, modesta e digna. Um homem deve usar sempre vestes largas, que não marquem o corpo, e o cubram do umbigo ao joelho. É esta a veste masculina mínima exigida, o que significa, por exemplo, que é interdito ao homem aparecer em público, envergando um simples calção de banho. Relativamente à mulher, espera-se que, quando sai de casa, ela cubra o cabelo e use roupas largas, que não lhe marquem o corpo, ocultando-lhe as formas do público; algumas, optam também por cobrir o rosto e as mãos. A circuns-pecção subjacente a este modo de vestir consiste em minimizar ao máximo, tanto para homens, como para mulheres, a atracção sexual e a degradação da sociedade. Obedecer a este modo de vestir, é obedecer a Deus. O Islão proíbe todo e qualquer apelo sexual e envolvimento físico fora do casamento. Em contrapartida, encoraja ambos os sexos a sentirem apelo sexual e atracção física, desde que em privacidade, e enquanto marido e mulher.

Alguns observadores Ocidentais consideram que, o facto da mulher cobrir a cabeça, é uma forma desta demonstrar a sua inferioridade, relativamente ao homem. Contudo, isto não podia estar mais longe da verdade. No Islão, uma mulher que se veste desta forma, está a exigir respeito e, através da sua modéstia, refuta a servidão sexual. Em sociedade, quando a mulher usa as vestes Islâmicas, a mensagem que ela transmite é a seguinte: “Respeitai-me por quem sou. Eu não sou um objecto sexual”.

O Islão ensina que, a falta de modéstia, tem consequências, não apenas sobre o indivíduo, mas também sobre a sociedade, que permite que homens e mulheres misturem-se livremente, se exponham e compitam ou seduzam-se através da atracção sexual. As consequências de tais atitudes são significativas, não podendo ser ignoradas. Fazer da mulher um objecto sexual para prazer do homem não é liberalização, mas sim uma forma de desumanização, recusada pelo Islão. A liberalização da mulher Muçul-mana assenta mais em esta ser reconhecida pelo seu carácter, do que pela exposição dos seus atributos físicos. Tendo em conta o ponto de vista Islâmico, a mulher “livre” Ocidental – muitas vezes atormentada pelo seu aspecto físico, figura ou juventude, tudo em proveito da satisfação de terceiros – encontra-se presa a uma espécie de escravidão.


 As Mulheres no Islão

Homens e mulheres são iguais perante Deus, e responsáveis pelos seus próprios actos. De modo idêntico, e uma vez no Além, ambos são recompensados pela sua fé e boas acções.

O casamento é fortemente encorajado, sendo, quer um acordo legal, quer um laço sagrado. O Islão considera todas as mulheres, casadas ou não, um indivíduo, com os seus próprios direitos. Ela tem o mesmo direito que o homem de possuir bens próprios, ganhar dinheiro e gastá-lo. Os seus bens não passam a pertencer ao marido, após o casamento ou o divórcio. A mulher tem o direito de escolher com quem quer casar, e após o casamento, não altera o seu último nome, em virtude do respeito que tem para com a sua linhagem. Caso o marido não trabalhe, a mulher pode pedir o divórcio.

Economicamente falando, todos os homens e mulheres constituem uma entidade legal independente. Ambos têm direito a possuir bens próprios, envolverem-se no mundo dos negócios e a herdarem. O direito à educação é uma realidade para ambos os sexos, assim como o direito ao emprego, desde que os princípios Islâmicos não sejam violados.

A busca do conhecimento é uma obrigação para todo o Muçulmano, seja homem ou mulher. O tipo de conhecimento mais enfatizado é o religioso. Em sociedade, é também exigida a formação de profissionais de ambos os sexos, para benefício do público. Por exemplo, a sociedade necessita de médicos, professores, advogados, técnicos de serviço social, e muitas outras profissões importantes. Caso se verifique um deficit de pessoal especializado, pode tornar-se obrigatório que homens e mulheres obtenham experiência nos campos carenciados, de modo a preencher as necessidades da comunidade Muçulmana. Nesta situação, as linhas orientadoras do Islão deverão ser mantidas.

As mulheres são encorajadas a procurar o conhecimento Islâmico, a dar prosseguimento à vida académica, desde que dentro dos princípios Islâmicos, e a esforçarem-se por satisfazer a sua curiosidade intelectual. Impedir que uma pessoa tenha acesso à educação vai contra os ensinamentos do Islão.

O homem é responsável por manter e proteger a família, satisfazendo as necessidades básicas, como é o caso de alimento, roupa e casa para a esposa, filhos e, se necessário, outros familiares do sexo feminino. As mulheres não têm tais responsabilidades, mesmo que casadas. O Profeta Muhammad (ﷺ‬) disse que, de entre os crentes, o mais perfeito na fé, é aquele que melhor trata a esposa.


 O Chauvinismo Masculino e o Mundo Muçulmano

São várias as pessoas que entendem o Islão como tratando-se de uma religião chauvinista, que minimiza a mulher. Como prova do que afirmam, citam a condição feminina em alguns países Muçulmanos[21]. O erro provém do facto de separarem a cultura de um determinado povo, dos verdadeiros ensinamentos da religião que esse mesmo povo pode professar. É espantoso que, em muitas culturas mundiais, a opressão da mulher seja ainda uma realidade. Em vários países do Terceiro Mundo, a vida da mulher é horrível. Elas são dominadas pelos homens, sendo-lhes negados muitos dos direitos humanos básicos. Isto não se aplica somente aos países Muçulmanos, e nem se aplica a todos os países Muçulmanos. O Islão condena esta opressão. Trata-se de uma injustiça trágica culpar as crenças religiosas de uma religião por tais práticas culturais, quando os ensinamentos dessa mesma religião não convidam a tais comportamentos. Os ensinamentos do Islão proíbem a opressão feminina e enfatizam de forma clara que, a homens e mulheres, é devido o mesmo respeito.

Infelizmente, certas pessoas associaram, erroneamente, as práticas opressivas contra o sexo feminino, verificadas ainda em determinadas partes do Mundo, ao Islão. Uma dessas práticas consiste na antiga prática pagã, da mutilação genital feminina, por vezes, erradamente chamada “circuncisão feminina”. Esta prática teve origem no Vale do Rio Nilo e áreas circundantes, onde ainda hoje é praticada. A sua prática é comum entre vários grupos étnicos, de uma grande diversidade de crenças, em várias partes de África, especialmente na África do Norte. Muitas mulheres Africanas são vítimas deste costume bárbaro, horrível e mutilador.

A mutilação genital feminina é uma abominação, totalmente proibida pelo Islão. É lamentável verificar que, apesar de proibida, determinados grupos étnicos mantêm ainda esta prática, mesmo depois de terem aderido ao Islão, levando a que certas pessoas a considerem uma prática Islâmica. Actualmente, à medida que estas pessoas obtêm um melhor conhecimento do que é o Islão, vão abandonando esta cruel prática pagã. No Quénia, por exemplo, os únicos a não praticarem a mutilação genital feminina, são os Muçulmanos.

A circuncisão masculina, contudo, é uma prática claramente Islâmica, tendo sido, de facto, ensinada pelos Profetas e Mensageiros de Deus, incluindo o Profeta Abraão (u). Há que evitar confundir a proibição da mutilação genital feminina, com o incitamento à circuncisão masculina.

Uma outra prática abominável é a “morte por motivos de honra”, quando um homem assassina uma mulher da sua família, por se sentir desonrado e humilhado pelo comportamento por ela assumido. Este procedimento, ainda que extremamente raro, é praticado por determinados grupos de pessoas do subcontinente Indiano, no Médio Oriente e em outros locais. Para o Islão, trata-se de um assassinato claro. Não é permitido, seja a quem for, matar outra pessoa, devido a uma qualquer noção de “honra”. Isto não é exclusivo aos Muçulmanos e aos países “Muçulmanos”, e viola a lei Islâmica. O racismo, a discriminação sexual, e todas as formas de fanatismo ou preconceito são também proibidas pelo Islão.

Infelizmente, o casamento obrigado é ainda praticado em muitas sociedades tradi-cionais. Trata-se de outra prática proibida pelo Islão. Na época do Profeta Muhammad (ﷺ‬), havia pais que obrigavam as filhas a casar. Quando as mulheres se queixaram ao Profeta (ﷺ‬) do sucedido, ele anulava-lhes o casamento ou, então, oferecia-lhes a hipótese de darem o casamento por terminado, mesmo que a consumação já tivesse ocorrido. Assim sendo, o Profeta (ﷺ‬) instaurou o precedente claro da lei Islâmica quanto à liberdade de escolha no casamento, pondo fim a esta prática opressiva. Lamentavelmente, os casamentos obrigados continuam a existir em muitas partes do Mundo, inclusive, em países “Muçulmanos”. Não obstante o facto desta ser uma prática ilegal em quase todos os países, a grande maioria das mulheres das sociedades tradicionais não estão a par dos seus direitos ou, então, receiam reivindicá-los.

Todas estas práticas são contrárias à lei Islâmica, sendo da responsabilidade de todos os Muçulmanos erradicá-las das suas sociedades. Sim, o Islão é tolerante para com a diversidade cultural e não acredita na erradicação dos estilos de vida de povos diferentes, nem obriga as pessoas a abandonarem a sua identidade cultural quando abraçam o Islão. Contudo, quando as práticas culturais de um povo transgridem a lei Islâmica, ou privam as pessoas de dádivas de Deus, como é o caso da liberdade de escolha e de direitos inalienáveis, então, trata-se de uma obrigação religiosa abandonar tais práticas.


 Ciência e Tecnologia

Um dos pontos de referência do Islão é a sua completa harmonia com a Ciência. Os Muçulmanos consideram impossível existir conflitos entre factos científicos e religião. A religião provém de Deus, o Primeiro e o Último, assim como o Universo que Ele, sozinho, criou. É impossível a um, contradizer o outro.

Um Muçulmano assume que, tudo o que existe na criação de Deus, é passível de explicação científica – desde a formação das estrelas e galáxias, à origem e diversidade das diferentes espécies. Em momento algum, um Muçulmano deve socorrer-se de milagres para explicar fenómenos naturais, visto os Muçulmanos acreditarem que os milagres são momentos em que Deus infringe as Suas próprias leis naturais, por um motivo especial, como, por exemplo, ajudar um dos Seus Profetas ou responder a uma prece. As explicações milagrosas não deverão nunca ser utilizadas para explicar algo do mundo natural, ou para ocultar a ignorância humana relativamente a uma questão científica.

Não se verificou nunca a existência de um facto científico ou teoria científica válida que contradiga os ensinamentos do Islão. Seja o que for que a Ciência descubra, isso apenas aumenta o nosso conhecimento da magnífica criação de Deus. É por este motivo que o Islão encoraja activamente os esforços científicos, e é essa a razão porque o Alcorão ordena-nos que estudemos os sinais de Deus na natureza. De facto, o Alcorão contém várias referências científicas extraordinárias que, com a ajuda dos actuais avanços tecnológicos, foram recentemente compreendidas no seu todo.

O Islão permite-nos também que desfrutemos dos frutos do engenho humano. Somos encorajados a esforçarmo-nos para melhorar o mundo. Os avanços tecnológicos são bem recebidos pelo Islão. A tecnologia pode ser usada para o bem, ou para o mal. Em si, a tecnologia é neutra. É da nossa responsabilidade utilizarmos o conhecimento com que Deus nos abençoou, para benefício de toda a Humanidade.

Nos primeiros dias do Islão, quando as pessoas aderiram às suas crenças e princípios, verificou-se um florescimento da ciência, da cultura, do comércio e da tecnologia. Os eruditos do mundo Islâmico envolveram-se em pesquisas, que levaram a avanços no campo das matemáticas, da química, da física, da medicina, da astronomia, da arquitectura, da arte, da literatura, da geografia e da história, entre outros. A título de exemplo, e para nomearmos algumas das invenções dos cientistas Muçulmanos, podemos referir a bússola, o astrolábio e o relógio de pêndulo. Vários sistemas críticos, como é o caso da álgebra, da numeração árabe (que é a que actualmente utilizamos), e o próprio conceito do zero (vital para os avanços matemáticos), foram introduzidos na Europa Medieval por intermédio dos eruditos Muçulmanos. Os ensinamentos Islâmicos foram responsáveis por este conhecimento científico que, eventualmente, inflamaram e propulsionaram o Renascimento Europeu. Somente depois das pessoas começarem a afastar-se das crenças e princípios Islâmicos originais, é que as descobertas e os avanços científicos do mundo Muçulmano entraram em decadência, caindo-se na obscuridade.


 Resumo

O Islão é…uma religião de justiça, paz, misericórdia e perdão, uma fé muitas vezes incompreendida e deturpada. Islão significa submeter-se à Vontade de Deus, é o caminho a seguir por aquele ou aquela que escolhe aceitar que existe um único Deus, e que ninguém mais, senão Ele, merece ser adorado. Este mundo é temporário apenas, não passa de um teste para a Humanidade, após o qual todos nós morremos e regressamos a Deus, o Tomador. A vida no Além é para sempre. Deus, a Luz,  visando a orientação dos filhos de Adão (u), enviou-nos os Profetas Abraão (u), Moisés (u), Jesus (u), Muhammad (ﷺ‬), todos os Profetas do Islão, tendo escolhido Muhammad (ﷺ‬) para ser o Seu último Profeta e Mensageiro, honrando-o com o privilégio de revelar o Alcorão por seu intermédio. O Alcorão é o discurso directo e inalterável de Deus, não a palavra de Muhammad (ﷺ‬), um iletrado. Deus preservou o Alcorão, com os seus ensinamentos, para  toda a Humanidade.

Os cinco actos fundamentais de adoração Muçulmanos são os seguintes:

1.       Testemunhar que não existe outra divindade, excepto Deus, e que Muhammad é o Seu Mensageiro;

2.       Orar cinco vezes ao dia;

3.       Pagar as esmolas anuais;

4.       Jejuar durante o Ramadão;

5.       Ir em Peregrinação a Meca.

Deus determinou que não existe compulsão alguma na religião. Os direitos humanos e o livre arbítrio são sagrados. No Islão, as mulheres desempenham um papel deveras importante, sendo iguais aos homens, e exigindo-se que estes as respeitem.

No Alcorão, Deus refere que completou o Islão como religião, destinado a toda a Humanidade, terminando, assim, o Seu auxílio para connosco. Deus preparou-nos a luz do Islão, enquanto guia para o regresso a Si da Humanidade.


 Nota do Editor

Os cientistas disseram-nos que o espaço contém cerca de 120 biliões de galáxias. Sabemos que cada um de nós foi criado por Deus, o Magnífico, a partir de uma única célula. Quando penso nisto, não posso deixar de sentir-me humilde e compreender a minha extrema insignificância perante o extraordinário esplendor da Luz de Deus. Satanás jurou enganar a Humanidade, trazendo-nos a incompreensão, a animosidade, o ódio e a guerra. O motivo pelo qual cumpro a minha parte, opondo-me a Satanás, é o de agradar ao meu Senhor, promovendo a paz através da compreensão.

A vida é curta e preciosa; seria trágico desperdiça-la, acumulando bens materiais, enquanto esquecemos o verdadeiro objectivo da criação: adorar a Deus somente. A grande maioria das pessoas desperdiçam as suas preciosas vidas, acumulando apenas riquezas materiais temporárias. Através do Islão, Deus convida-nos a voltarmos para o que é eterno, o que não tem fim. No Dia do Juízo Final, seremos responsáveis pelo que sabemos e pelo que fizemos com o que sabemos. Seremos questionados sobre o modo como prestámos culto. Agora, é o momento para prepararmos a resposta a dar.

Este livro baseia-se em conferências que dei sobre o Islão, nas últimas duas décadas. Tal não seria possível sem a misericórdia de Deus e a ajuda e o amparo dos meus irmãos e irmãs. Agradeço a vós, meus leitores, pelo vosso tempo e interesse em compreender o Islão, a fé de um quinto da população mundial. As vossas questões são também bem vindas, assim como os vossos comentários e impressões, tendo em conta o trabalho futuro. Convido-vos a partilhar parte ou a totalidade deste material com outros. Peço-vos apenas que não citem a informação aqui contida fora de contexto.

Caso o meu trabalho tenha ofendido alguém, por favor, perdoem-me. Atendendo à minha paixão pelo Islão, exprimo fortemente a minha fé. Tenho grande consideração pela escolha individual e respeito as diferenças. A compreensão e a justiça são o caminho para a paz e, visto no Ocidente o Islão ser frequentemente entendido com uma religião de fanáticos de espírito limitado, sinto ser vital que eu transmita a minha fé numa linguagem clara e não ambígua, para corrigir as concepções erróneas.

Que Deus vos abençoe a todos, concedendo-vos orientação. Qualquer bem que advenha deste trabalho, deve-se à benevolência de Deus e, caso eu tenha dito algo inútil, foi por defeito meu. Deus, o Altíssimo e Amante, é perfeito.


“Ó, Todo Ouvinte, protege-nos do mal e guia-nos para a verdade”.

Que a paz esteja com aqueles que seguem a Orientação Correcta,

Pete Seda



[1] O símbolo (ﷺ‬) significam “Que a Paz e as Bênções estejam com ele”. É tradição Islâmica fazer prece pela paz e benções de todos os Profetas e Mensageiros de Deus. Respeitar os representantes de Deus equivale a respeitar o próprio Deus.

[2] As palavras em negrito ao longo do texto indicam, ou um versículo do Alcorão, ou um dos nomes e atributos de Deus.

[3] Alguns Muçulmanos sentem incómodo por chamarem “religião” ao Islão, visto o Islão não ser uma fé institucional. Em Árabe, o Islão é apresentado como tratando-se de um Din, um “Modo de Vida”. O mesmo se passava com os primeiros Cristãos, que apelidavam a sua fé de “O Caminho”.

[4] Neste contexto, “voluntariamente” significa muito mais do que “não ser coagido”. Significa submeter-se a Deus sem motivos escondidos ou reservas, e com genuína sinceridade.

[5] O símbolo (u) significam “a paz esteja com ele”, o termo de respeito que, segundo a tradição Islâmica, os Muçulmanos concedem a todos os Profetas e Mensageiros de Allah, assim como aos Seus anjos, quando se lhes dirigem pelo nome.

[6] Os diferentes evangelhos da Bíblia actual foram escritos por outros autores, após a época de Jesus (u). O Injil mencionado no Alcorão faz referência apenas às revelações transmitidas por Jesus (u), filho de Maria.

[7] Os Profetas mencionados no Alcorão são: Adão, Enoch (Idris), Noé, Hud, Salih, Abraão, Lot, Ismael, Isac, Jacó, José, Shu’ayb, Job, Moisés, Aarão, Ezequiel, David, Salomão, Elias, Eliseu, Jonas, Zacarias, João Baptista, Jesus e Muhammad (que a paz esteja com todos eles).

[8] Deus revelou o seguinte a Muhammad (ﷺ‬):

«Prescreveu-vos a mesma religião que havia instituído para Noé, a qual te revelamos, a qual havíamos recomendado a Abraão, a Moisés e a Jesus, (dizendo-lhes): Observai a religião e não sejais dividos por ela; na verdade, os idólatras se ressentiram daquilo a que os convocaste. Deus elege quem Lhe apraz e encaminha para aquele que se volta para Ele. » [Alcorão 42 : 13]

[9] Alguns Muçulmanos referem-se aos seguintes versículos Bíblicos, como predição de Muhammad (ﷺ‬): [Deuterónimo 18:15, 18:18; João 1:19 – 21, 14:16, 14:17, 15:26, 16:7 – 8, 16:12 – 13].

[10] Esta negação significa que nada mais deve ser adorado, a não ser Deus, que nada mais possui divindade, exceptuando Deus, que nada nem ninguém partilha dos atributos de Deus, e que nada nem ninguém pode ser o criador ou o sustentáculo da criação, com excepção de Deus, o Qual não possui igual ou associado.

[11] As pessoas podem perguntar o seguinte: “Se o Islão ensina que todos os Profetas e Mensageiros são iguais, então, porque motivo no testemunho de fé se afirma a Profecia de Muhammad, sem se mencionar os restantes Profetas? Há que ter em conta que, nem todos aqueles que afirmam a Profecia de Muhammad (ﷺ‬), conhecem todos os Profetas e Mensageiros de Deus que o precederam. Se, por exemplo, alguém testemunhasse: “Não existe outra divindade, excepto Deus, e Moisés é o Mensageiro de Deus”, isto não significaria necessariamente que a pessoa aceitasse todos os Profetas e Mensageiros que procederam a Moisés (u), como é caso de Jesus (u) ou Muhammad (ﷺ‬).

[12] O Islão exige castidade e proíbe as relações sexuais extra-matrimoniais ou pré-matrimoniais. 

[13]  No Islão ensina-se que “o espírito santo” é o Anjo Gabriel, o qual, em hipótese alguma, deverá ser adorado. (Acreditar na Santíssima Trindade viola, claramente, o ponto fulcral da fé Islâmica – o monoteísmo).

[14] Ver Joseph van Ess, “Muhammad e o Alcorão: Profecia e Revelação”, em “Cristianismo e as Religiões Mundiais: Caminhos para o Diálogo com o Islão, Hinduísmo e Budismo”, editado por Hans Kung (Garden City, NY: Doubleday & Co., 1986); e Michael Sells, “Uma abordagem ao Alcorão: as Primeiras Revelações”,  (Ashland, OR: White Cloud Press, 1999).

[15] O Alcorão consiste em 114 capítulos, e é um único livro, ao contrário das várias versões Bíblicas actuais. Os Cristãos Protestantes contam com 66 livros, e os Cristão Católicos Romanos com 72, isto sem referir os que existem em outras versões, e que contabilizam muito mais. 

[16] No Islão é ensinado que, para um acto de adoração ser aceite por Deus, há que cumprir duas condições: em primeiro lugar,  a intenção deve ser a de agradar a Deus e, em segundo, o acto deve ser feito de acordo com a Suna do Profeta Muhammad (ﷺ‬).

[17] Os Jinn foram criados antes de Adão, dispondo de livre arbítrio. Os que desobedecem a Deus, são demónios. Eles habitam na Terra, entre nós. Podem ver-nos, mas nós não os podemos ver, a menos que eles mesmos decidam tornar-se visíveis. A feitiçaria, igualmente proibida pelo Islão, é praticada por sua intercessão.

[18] Foi na antiga cidade de Nicea (a qual se localiza actualmente na moderna Turquia, a cerca de 700 milhas ou 1100 km nor-nordeste de Jerusalém, perto da capital Romana oriental), que teve lugar o Primeiro Conselho de Nicea, 325 anos após o nascimento de Jesus (u). Foi nesse Conselho que, por maioria, Jesus foi proclamado divindade, e não Profeta ou Mensageiro de Deus. O conceito da Santíssima Trindade baseia-se na declaração de que Jesus (u) é o mesmo e igual a Deus. Isto é uma contradição directa aos princípios Abraâmicos de monoteísmo, os quais o próprio Jesus (u) apelou aos povos que aceitassem.

[19] Embora Cristãos e Judeus possam violar alguns dos princípios monoteístas da fé Abraâmica original, o Islão refere-se-lhes como “O Povo do Livro”. Eles são assim designados por terem recebido leis e Escrituras reveladas por Deus, e reconhecerem alguns dos Seus Profetas.

[20] Inicialmente, a usura, ou a cobrança de juros, era proibido pelo Judaísmo, Cristianismo e Islão. Todavia, os Cristãos da Europa da Idade Média começaram, gradualmente, a alterar esta proibição. Actualmente, até países “Islâmicos” permitem esta violação tremenda à lei de Deus.

[21] Infelizmente, o facto de se tratar de um país “Muçulmano”, não significa necessariamente que o governo ou o povo obedeçam à lei Islâmica (Shari’a).

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